Além do Cidadão Kane

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Espanha: 70 anos de franquismo e monarquia franquista; Cuba: 50 anos de resistência democrática

Carlos Tena
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Milhões de pessoas ao longo destes cinquenta anos de assedio e bloqueio por parte dos diferentes governos norte-americanos (e Barak Obama, com seu apoio implícito ao sionismo, não será exceção), tem observado Cuba com admiração dissimulada, e às vezes a própria esquerda, injustamente, citando frases que encerravam certa decepção, como se fosse simples manter o equilíbrio perfeito quando te estão chicoteando pelos quatro pontos caldeais. Recordo um magnífico desenho de Miguel Gila, em que um energúmeno matava com uma enorme faca a uma mulher caída ao solo. Um cidadão que observava o crime disse com certa precaução ao agressor: “Tenha cuidado, homem, que podes causar algum dano”. O homicida lhe responde: “Pois que deixe de me chamar de assassino”.
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Como o pensador Alba (singular nome o de Santiago nesta Latinoamérica que luta contra a ALCA, e onde algumas nações, orgulhosas de sua independência, combatem ao neoliberalismo que hoje faz água por todas as partes), sigo apoiando-me na Revolução cubana por uma simples razão: a sobrevivência.
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É de uma hipocrisia que raia a paranóia (a noiva eterna de personagens como Esperanza Aguirre) exigir que “Cuba deve mudar”, enquanto os demais países do chamado primeiro mundo devem seguir como estão, isto é, maltratando à ilha mais democrática do globo terráqueo, minimizando ou mentindo sobre seus ganhos sociais, seu pacifismo insólito, sua não ingerência em assuntos internos de outras nações ou manipulando ações de puro terrorismo, para apresentá-las ante a hipnotizada sociedade consumista como atos de dissidência. A única coisa que demonstra essa constante inclinação ao libelo e ao satânico ataque gratuito, é a debilidade ideológica dos que assim agem, aproveitando inclusive momentos duríssimos para o governo revolucionário, como foram os furacões que no ano passado arrasaram noventa por cento do território.
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O sarcasmo dessa pretendida mudança, que a Falsimedia [1] proclama como transição forçada, poderia ter, no entanto, resultados não tão patéticos como na Espanha. Quero dizer que (esboço um sorriso maquiavélico), me divirto imaginando que se Cuba se lançasse em uma aventura desse calibre, à espanhola, resultaria que o castrismo iria continuar muitos anos. É óbvio que a mil vezes alardeada transição em meu país natal, só tem servido para que o franquismo do rei Bourbon siga lacerando as liberdades, a democracia e a dignidade dos que deram sua vida em favor delas. Ergo, se Cuba se utilizasse de tão sutil manobra, o socialismo seguiria seu curso. Me agrada, me agrada a ideia….
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Na tarde da última quarta-feira, na Casa de América de Madrid, enquanto saudava a dezenas de amigos, atores, cantores, companheiros e felicitava ao embaixador de Cuba na Espanha, os cidadãos que ali nos encontrávamos, entre os quais havia cubanos, argentinos, uruguaios, espanhóis, etc., festejamos esse 50° Aniversario da Revolução, recordamos os cinco heróis presos nos Estados Unidos por defender as liberdades e a vida, inclusive dos próprios cidadãos norte-americanos, desfrutamos de ótimas apresentações musicais e brindamos pelo fim do bloqueio, a paz e a defesa da humanidade. Justo o contrario do que sonha José María Aznar.
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[1] Não existe ainda um termo em português que represente exatamente a ideia proposta para “falsimedia”. O mais próximo talvez seja “imprensa golpista”, mas ainda me parece fraco. (N.P.)

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