Além do Cidadão Kane

terça-feira, 26 de maio de 2009

Antes tarde do que nunca...

Duas pessoas detidas pelo assassinato do cantor comunista chileno Victor Jara

Duas pessoas foram detidas no Chile por sua pressuposta vinculação com a morte do cantor e compositor comunista Víctor Jara, assassinado em 1973, dias depois do golpe de Estado de Augusto Pinochet, segundo informa hoje o diário La Nación. Até o momento, só uma pessoa permanecia acusada como autora do assassinato de Jara, cuja morte se converteu em um símbolo das violações aos diretos humanos durante a ditadura (1973-1990). Os detidos, ambos de 54 anos, permanecem incomunicáveis na Prisão de Alta Segurança de Santiago, para onde foram levados após declarar ante o juiz Juan Fuentes Belmar no Palácio dos Tribunais por sua suposta participação nesse fato.

La Nación/insurgente

O magistrado tem prazo até hoje para resolver se os submete a processo, na qualidade de autores, cúmplices ou coniventes, ou se os deixa em liberdade por falta de provas que os incriminem nesse assassinato. Segundo o diário, um dos detidos confessou sua participação no fuzilamento do cantor e colaborou na descrição do episódio que terminou com a vida de Víctor Jara no Estádio Nacional do Chile. Em maio do ano passado, o juiz Fuentes Belmar fechou o sumario com um único acusado como autor do homicídio, o coronel do exército da reserva Mario Manríquez Bravo, o qual foi diretor do campo de prisioneiros no que foi transformado esse recinto desportivo.
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A investigação foi reaberta no início de junho, quando o magistrado acolheu grande parte das quarenta diligencias solicitadas dias antes pelo advogado querelante e representante da família, Nelson Caucoto. O autor de El Derecho de Vivir en Paz e de Te recuerdo Amanda morreu a 15 de setembro de 1973 e, segundo detalha a investigação judicial, foi brutalmente agredido e torturado, suas mãos sofreram golpes de coronhas de fuzis e depois foi assassinado com 44 disparos em todo seu corpo.
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A viúva de Jara, Joan Turner, a qual desde ha 35 anos é conhecida como Joan Jara, fez nessa ocasião um chamamento às 5.000 pessoas que estiveram nesse centro entre 11 e 15 de setembro de 1973 para que contribuíssem com provas. "O assassinato de Víctor é um símbolo mundial das violações aos direitos humanos, esclarecer o que se passou seria um triunfo, uma demonstração de que não pode haver impunidade para os crimes contra a humanidade", declarou Joan Jara.
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Original em inSurGente
Tradução: Rosalvo Maciel

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