Além do Cidadão Kane

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sexo e dinheiro sacodem coração da Igreja Católica

Dia após dia, a caixa de Pandora deixa escapar suas piores sombras. Os demônios que a cúria escondeu durante tantas décadas passeiam à noite como espectros ressuscitados pela Praça São Pedro de Roma: corrupção, sexo e dinheiro, uma trilogia explosiva que ninguém poderia imaginar instalada na cúpula da Santa Sé. A Igreja vive, sem dúvida, seu pior momento. A reportagem é de Eduardo Febbro, de Roma

 
Eduardo Febbro

 Sexo e dinheiro sacodem o coração da cidade santa. Uma lista de grandes pecados espreita a cúria do Vaticano no momento em que o papa Bento XVI se prepara para renunciar ao seu pontificado. A corrupção dentro do Vaticano e os casos de pedofilia voltaram ao primeiro plano com as revelações feitas nas últimas horas pela imprensa italiana. Segundo o diário La Repubblica, que cita uma fonte vaticana, os detalhes mais recentes “giram em torno do sétimo mandamento”. Esse mandamento diz “não roubarás” e é interpretado como uma disciplina de retidão para a gestão na atividade econômica e na vida social e política. Também se refere à proteção do próximo. Mas o diário italiano vai muito mais longe em suas revelações e afirma que o papa decidiu renunciar após ter tomado conhecimento de que uma rede de padres homossexuais circulava no Vaticano.

Estas revelações fariam parte do informe que o papa encomendou a três cardeais no ano passado. Julián Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi entregaram em meados do ano passado parte do resultado da investigação realizada tanto sobre o vazamento de documentos roubados do papa como sobre a corrupção. La Repubblica publica em sua última edição uma informação escabrosa: o jornal afirma que, em outubro passado, o cardeal Julian Herranz, presidente do Pontifício Conselho da Santa Sé para os Textos Legislativos, evocou ante o papa a existência de uma “chantagem” exercida desde fora do Vaticano contra padres homossexuais.

O Vaticano negou estas informações. No entanto, este prestigiado jornal italiano fornece detalhes abundantes assegurando que o informe – dois volumes de 300 páginas cada – dava perfeitamente conta de uma “rede transversal dentro do Vaticano unida pela orientação sexual”, ou seja, a homossexualidade. O jornal escreve textualmente: “pela primeira vez a palavra homossexualidade foi pronunciado no Pontificado”. Além disso, revela que o informe da comissão de cardeais aponta para um grupo de prelados que sofreram pressões por parte de pessoas laicas externas ao Vaticano. A revelação coincide com o que Ratzinger disse dois dias depois da entrevista com os cardeais que lhe entregaram o informe. De forma improvisada, Bento XVI falou dos “maus peixes” que caem na rede da igreja.

La Repubblica assegura de maneira convicta que foi essa revelação que levou o papa a renunciar. A mesma publicação conta que a comissão de cardeais entrevistou dezenas de bispos, cardeais e laicos, obtendo um relato apavorante sobre o interior do Vaticano: grupos de poder em disputa, articulados segundo as distintas congregações religiosas ou a região do mundo a qual pertencem ou as suas preferências sexuais. A investigação dos cardeais adianta que altas autoridades da Igreja poderia estar sendo vítimas de “influências externas” por conta de “suas relações de natureza mundana”. O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, negou com veemência todas essas informações. Ele chamou essas revelações de “fantasiosas” e garantiu que muitas delas eram “simplesmente falsas”.

No entanto, quem conhece parte do que ocorre dentro da Santa Sé diz que a reportagem do La Repubblica contém dados exatos e verídicos. O jornal italiano indica que o informe em mãos do papa menciona um escândalo que remonta ao ano de 2010 e que tem como centro Angelo Balducci . Esse personagem era, na época, presidente do Conselho Nacional de Obras Públicas, no período em que Berlusconi estava no poder. Balducci era objeto de uma investigação judicial quando se descobriu que, para conseguir os serviços de jovens homossexuais, se relacionava com um nigeriano, Chinedu Thomas Ehiem, do coral da capela Júlia da Basílica de São Pedro.

A existência de um lobby gay dentro da Santa Sé provocou um alvoroço gigantesco no país, aumentando a tormenta que, a medida que se aproxima a data da renúncia do papa – 28 de fevereiro – se forma sobre o conclave que deve designar o sucessor de Bento XVI. A polêmica se estabelece agora sobre uma disjuntiva muito polêmica em torno da presença ou não no conclave dos cardeais que esconderam os padres pederastas e até os protegeram. É o caso do cardel Roger Mahony, responsável pela diocese de Los Angeles e acusado de encobrir ao longo de um quarto de século 129 sacerdotes implicados em abusos de menores. Os outros cardeais comprometidos com a mesma sujeira são o cardeal primaz da Irlanda, Sean Brady, e o cardeal belga Godfried Danneels. Estes personagens são os maiores implicados na proteção que deram aos pederastas apesar de seus atos criminosos. A lista, porém, é muito mais ampla. Nela entram o norteamericano Justin Francis Rigali, o australiano George Pell, o mexicano Norberto Rivera Carrera, o polaco Stanislaw Dziwisz e o argentino Leonardo Sandri.

Dia após dia, a caixa de Pandora deixa escapar suas piores sombras. Os demônios que a cúria escondeu durante tantas décadas passeiam à noite como espectros ressuscitados pela Praça São Pedro de Roma: corrupção, sexo e dinheiro, uma trilogia explosiva que ninguém poderia imaginar instalada na cúpula da Santa Sé. A Igreja vive, sem dúvida, seu pior momento. As guerras entre a cúria, a disputa por dinheiro e poder, a pederastia tardiamente reconhecida e sancionada deixaram órfãos de autoridade moral e terrena a milhões e milhões de fiéis em todo o mundo. Em sua profunda fé eles são, também, vítimas da explosão da Igreja Católica.

Tradução: Katarina Peixoto



2 comentários:

André Luiz disse...

Se Eça de Queiroz escrevesse O crime do padre Amaro nos dias de hoje, poderia até manter o roteiro de crítica a igreja católica, mas algumas personagens seriam trocadas por ¨personagens¨!

Júnior Comunista disse...

O dia em que as Religiões não serão mais Necessárias

O que é a religião; Nada mais é que uma válvula de escape da dura realidade cruel a que são cometidas as pessoas, nesse mundo de incertezas, insegurança e capitalismo. Criamos para nos uma necessidade de termos para a nossa proteção os mais variados cultos, crenças, entre outras coisas a necessidade de se sentir protegido nos e nossa família de um futuro catastrófico e até mesmo por meio de segurança de que o místico vai nos ajudar.
Essa válvula psíquica é objeto de aproveitamento dos mais variados homens, que sobrevivem de enganar os outros com promessas, e com as mais variadas coincidência, se alguém melhora, é porque foi obra de um ser superior, que foi atendido por seu intermédio, por isso eles ficam atrelados a esses lideres religiosos, criando uma prisão psíquica e material para sua mente, e sua família.
Essa fé sega, ou crença falsa, entra em contradição com a necessidade de consumo no capitalismo nesse mundo quem consome, acredita estar feliz, e que tem aquilo que é oferecido por seus dotes religiosos. Os religiosos capitalistas se alimentam dessa necessidade, por isso a existência de tantos gurus religiosos que guiam seus fies e lucram em cima. “A religião é sim um mecanismo ideológico a favor dos meios de produção na sociedade capitalista”.
Estratificação social, capitalismo, lideres riquíssimos, e uma massa cada vez mais alienada, é esse o quadro numa sociedade que regida pela religião, Não estamos querendo colocar aqui que o Estado deve combater a religião, mas sim, levantar a tese de que um dia a sociedade vai despertar desse transe e renegar esses princípios que são colocados desde que nascemos, a necessidade de capitalismo para as nações está quase no fim, mas tem que começar com a mudança simples das pessoas, no cotidiano, temos que renegar tudo aquilo que faz criar camadas sociais na sociedade.
“Do ponto de vista de Marx, não decorria nenhuma atitude de intolerância contra a religião. Em "O capital", Marx deixou claro que considerava a religião um reflexo necessário, na cabeça dos homens, de uma vida organizada de tal modo que as relações entre as pessoas (prejudicadas pela propriedade privada) eram tensas, obscuras, geradoras de insegurança, opressão e violência. A religião só poderia desaparecer quando não existisse mais esse mundo do qual ela era o reflexo necessário. Antes de ter criado na prática um mundo novo que venha a tornar a religião desnecessária, é absurdo pretender suprimir o reflexo religioso na consciência dos homens: a coerção anti-religiosa reforçaria as bases da ideologia que estaria pretendendo anular”. (KONDER, Leandro. O marxismo na batalha das ideias. 2 ed – São Paulo: Expressão Popular, 2009.Posted 4th February by Rangel .Labels: gherais )
Quando não houver mais o problema do capitalismo, quando a sociedade se estabilizar de verdade, e entre as nações não haver mais as necessidade de estarem competindo, em busca de mercado consumidor, a espécie em fim humana conseguiu alcançar o seu mais alto grau de evolução, por isso esses temores psíquicos desapareceram, e as religiões não mais existiram, porque a sociedade finalmente vai dizer não a ela de livre e espontânea vontade. As religiões são uma necessidade humana para fugir do real, ou seja, para as pessoas se apegar a alguma proteção, diante desse mundo perigoso do capitalismo, quando ele deixar de existir não haverá mais a necessidade de religiões, será uma mudança natural das pessoas.

Sebastião Pereira Viana Júnior
juniorcomunista@yahoo.com.br
(91) 8869-3808

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