Além do Cidadão Kane

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O desmantelamento da URSS: a maior depredação que o mundo já conheceu!

Traduzido por J.A. Pina / Rosalvo Maciel

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A partir das mudanças de regime, o FMI e o Banco Mundial ditam suas leis aos governos, estes em sua maioria não têm experiência em economia de mercado, e estão, uns apressados por entrar na União Européia (Polônia, Hungria, República Checa…), e outros, impacientes para alcançar os Estados Unidos (Rússia, Ucrânia). Os banqueiros e os Estados Capitalistas perseguem dois objetivos: Subordinar os países do Leste ao Ocidente e, debilitar a Rússia, cujo potencial industrial e científico, ainda que degradado, segue sendo uma ameaça econômica.


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O caso da República Democrática da Alemanha é especial, já que desaparece como Estado independente e é submetida ao regime da República Federal da Alemanha. A “transição”, a restauração do capitalismo, começa pela chamada “terapia de choque”: liberalização dos preços, privatizações, suspensão das subvenções públicas e desmantelamento dos sistemas de proteção social. De um dia para outro, as empresas do Estado, cujas transações, do principio ao fim, passavam anteriormente pelos ministérios, se vêm agora abandonadas à intempérie, privadas de fundos públicos de aplicação, com a impossibilidade de exportar para seus clientes tradicionais: a URSS e os países do CAME (o “mercado comum” dos Estados socialistas) e rapidamente são submetidas a uma concorrência sem piedade. É a destruição da indústria (em particular a siderurgia, a metalurgia, a química e as minas). Por todas as partes, se assiste a uma explosão do desemprego; fenômeno tanto mais duro porque não existia, ou existia muito pouco, sob o regime anterior e, alem disso, sem que nenhum sistema de indenização fosse criado no inicio dos anos 1990. A taxa de desemprego era na Rússia, às vésperas da implosão da URSS, de 0,1 % da população ativa, e vai subir para 0,8 % em 1992, e até 7,5% em 1994, quatro vezes miss rápida do que na Bielorrussia (0,5% em 1992 e 2,1% em 1994), que adotou um método miss gradual de transição sem desmantelar suas estruturas econômicas e sobre tudo o sistema de proteção social. Para o conjunto dos países da Europa Central e Oriental (PECO), a taxa media de desemprego passa de 2,6% em 1990 para 11,7% em 2000.

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As diretivas do FMI são draconianas: na Rússia, o déficit orçamentário deve passar de 20% em 1991 para 1% em 1992. As primeiras vitimas vão ser os pensionistas, os funcionários, cujos salários não serão pagos regularmente durante vários anos, e os serviços públicos. Na Rússia, durante os primeiros anos, o produto interno bruto (PIB) quase se dividirá por dois.

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Sejam organizadas e beneficiem aos capitalistas estrangeiros, como no Leste, ou tenham um caráter “selvagem” como na Rússia, as privatizações estão no centro da “terapia de choque”. Estas deram lugar a enormes liquidações das capacidades industriais “rentáveis” e a uma especulação financeira desenfreada, que desembocará na quebra da Bolsa de Moscou em 1998. Contrariamente ao que se tem dito, não são os “diretores vermelhos” concentrados no complexo militar-industrial que foram os mais beneficiados em tudo isso, mas uma casta de apparatchiks(¹), provenientes, entre outros, na ex URSS, do Konsomol (as Juventudes Comunistas). O Russian Privatization Center recebeu milhões de dólares do Banco Mundial, delo Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento e de diversos governos. Uma casta de oligarcas de uma riqueza obscena, onde se mesclam antigos donos da economia à sombra da época soviética e novos capitalistas, sai à luz.

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Esta oligarquia tenta, não sem êxito, intervir na política russa até a chegada de Putin, que se lança à tarefa de reduzir suas pretensões e de restituir ao país, através de montagens financeiras muitas vezes obscuras, seus recursos naturais e minerais, e alguns setores estratégicos (aeronáutica, espacial, armamento…).

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O sistema de proteção social e, nas “cidades fábricas” da URSS: o ensino, a saúde e o abastecimento, se organizavam por meio das empresas, e freqüentemente, através dos sindicatos. O afundamento das economias acarreta o afundamento da proteção social.

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Um estudo comparativo entre os países post-comunistas feito pela revista “Lancet” (2009) atribui o aumento de mais de 18% na mortalidade na Rússia às privatizações massivas e ao desemprego resultante. A vida tem sido liquidada também…

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(¹) Burocratas

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Original em L'Humanité

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Saudação do CC do PC( b)TU aos 92 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro

Nota do Partido Comunista (bolchevique) de Toda a União no aniversário da Grande Revolução Russa.

Salve os 92 anos da Revolução de Outubro

Caros amigos – militantes de nosso partido, irmãos de luta de outros países, camaradas militantes de outros Partidos Comunistas e simpatizantes! O Comitê Central do Partido Comunista Bolchevique de Toda a União vos parabeniza pelos 92 anos da Grane Revolução Socialista de Outubro! Desejamos a todos saúde e sucesso em nossa luta conjunta contra o imperialismo e a contrarrevolução burguesa e pelo renascimento da nossa grande Pátria – a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!

Fomos condenados a viver e trabalhar em tempos difíceis e a lutar contra um inimigo fortíssimo – o imperialismo internacional e sua força de choque – o sionismo com intenções de senhorio mundial. Devido a eles hoje derrama-se o sangue da população mundial nos quatro diferentes cantos do mundo e seus esforços organizam massacrantes guerras locais. Devido a eles morre de fome o povo da África. Atrapalham a construção do socialismo na RPDC, em Cuba e nos países da América Latina que escolheram para si um caminho de vida livre e independente da ditadura dos EUA. Devido a eles e às suas marionetes (Israel) é que jorra o sangue do povo palestino que há muitas décadas é impedido de retornar à sua pátria histórica e construir seu estado independente.

A contrarrevolução na URSS foi ricamente financiada pelo Ocidente (pelos EUA, acima de tudo) e foi meticulosamente preparada não apenas do lado de fora de nossas fronteiras, mas também dentro de nossa própria sociedade. Os inimigos da Pátria, escondidos ao longo do tempo em seus bueiros e tocas estavam até o pescoço envolvidos em inúmeros atos de sabotagem que visavam a desintegração da nação. Agora eles se mostram a olhos vistos: dançam pelas televisões e pelos jornais de conteúdo diverso, sempre envenenando o povo com ódio contra tudo o que for soviético e tentando obscurecer nossa gloriosa história soviética e seus grandes líderes – V. I. Lênin e I. V. Stálin.

Assaltando o povo soviético, tendo nos roubado tudo aquilo que a nós pertencia por direito, eles agora constroem para si castelos, compram ilhas no Mediterrâneo (e não só lá, acreditem) e escondem o dinheiro roubado do povo em paraísos fiscais e bancos ocidentais. Mas seu banquete nestes tempos de cólera por eles mesmo espalhado irá sem a menor sombra de dúvida acabar, e o povo recuperará o que lhe foi roubado o os forçará a responder pelos crimes cometidos: a ascensão da taxa de mortalidade, o crescente nascimento de crianças deficientes, a desintegração moral da sociedade, a falta de perspectiva da juventude, o tão popular em nossos dias suicídio, a miséria e a falta de direitos de nossos aposentados que deram suas vidas e forças defendendo nossa Pátria e aumentando nossos bens coletivos, a depredação carniceira de nossas riquezas naturais, a traição e a mudança por muitos deles do juramento soviético feito ao povo trabalhador uma vez subidos até o topo da escada do funcionalismo público, ao controle do Estado. Nenhum deles poderá fugir ou escapar do julgamento popular.

A enorme pressão sobre nós por parte do Estado dos possuidores, a miséria das condições de vida da maioria da população nos dias de hoje fizeram com que caíssem alguns pontos de apoio e a crença na vitória da Nova Revolução Socialista. Entretanto temos certeza – não há razão para largar a toalha! É preciso levantar dos joelhos – como já fazem muitos – e passar ao ataque. Nós, bolcheviques, conseguimos já fazer muito nos anos da contrarrevolução. Fizemos virar a opinião pública sobre Stálin em sua campanha de mentiras e enlameamento do líder. Através da comparação efetivamente mostramos a superioridade dos valores socialistas em relação aos valores burgueses e acendemos em muitos o desejo de lutar pelo renascimento do socialismo. Nós eficazmente escolhemos nosso caminho nas condições que nos impôs nosso tempo. Marchamos junto com a História na luta contra a contrarrevolução, adiante rumo à sociedade sem classes com a qual sonhou Karl Marx. E nós necessariamente venceremos! Conosco está a VERDADE DA HISTÓRIA.

N. A Andreeva

Secretária Geral do CC do PC(b)TU

sábado, 29 de agosto de 2009

Nostalgias da era soviética

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A dissolução da União Soviética deixou na miséria a região oriental montanhosa de Tayikistán, cuja população se viu obrigada a retomar os costumes nômades.
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Independente desde 1991, Tayikistán limita com outras duas ex-repúblicas soviéticas ao norte e oeste, Kirguistán e Uzbekistán, com a China a leste e com Afeganistão ao sul.
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Este país de sete milhões de habitantes passou de mais pobre da União Soviética a mais pobre do mundo. A independência significou o fim de granjas, minas, canais de irrigação estatais, também de redes de transporte e centrais de geração de energia elétrica.
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Alguns analistas ocidentais celebram o regresso às "tradições ancestrais", mas muitos dos que têm que se adaptar à realidade do livre mercado não acham o mesmo.
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"Não estaria aqui se tivesse outra opção", disse a IPS Timurbek, um filólogo russo aposentado e dedicado à criação de animais. "Antes a gente optava por ser nômade, agora é uma questão de necessidade".
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Timurbek montou sua grande tenda de campanha de lã, com as paredes decoradas e tapetes no chão, em um acampamento de uma meseta da cordilheira de Pamir que está a 4.100 metros de altitude.
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A cordilheira abarca principalmente a província autônoma de Badajshán Montanhoso, onde reside só três por cento da população, pouco mais de 210.000 pessoas, mas constitui quase a metade de seu território.
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A cordilheira de Pamir tem as montanhas mais altas do mundo, com altitudes de entre 3.000 e 7.500 metros. As condições extremas do clima convertem a zona em uma das menos densamente povoadas do planeta.
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O navegador do século XIII Marco Polo descreveu a região como "nada mais que um deserto sem assentamentos nem áreas verdes", tão fria que "nem sequer se vê voar um pássaro".
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Conhecida desde o século XIX como "teto do mundo", a cordilheira de Pamir foi percorrida por comerciantes da rota da seda e logo por espiões russos e britânicos.
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A única via de comunicação que atravessa as montanhas é a rodovia de Pamir, a segunda mais longa do mundo, construída pelo exército soviético nos anos 30.
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A rodovia está em muito mau estado e se usa principalmente para o contrabando de ópio e heroína do Afeganistão até o norte. Alguns a chaman de "rota do opio".
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"Na época dos soviéticos tínhamos todo tipo de alimento no comercio, combustível barato, ônibus e caminhos em bom estado", relatou Aziz, um granjeiro seminômade do acampamento. Enquanto, sua esposa manejava em silencio uma máquina rudimentar de fazer manteiga e iogurte, produzidos com leite de yak.
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"Nós não gostávamos de Stalin, mas aqui todo mundo tem saudade da União Soviética", disse a IPS Aziz, muçulmana sunita de origem kirguís. "Não podíamos praticar nossa religião livremente, mas havia comida e trabalho".
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Josef Stalin (1878-1953) foi presidente da União Soviética de 1927 até sua morte.
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Além dos tayikos, parentes dos iranianos, os quais constituem cerca de 80 por cento da população deste país, em Tayikistán há pamiris, que falam varias línguas de origem persa, e kirguís, que chegaram entre o século XVIII e XIX e falam um idioma túrquico.
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A população sobrevive da venda de gado e da produção leiteira, do cultivo de verduras em pequenas hortas e da assistência humanitária, graças à qual se evitou a fome que foi causada pelo bloqueio imposto durante a guerra civil dos anos 90.
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Sentindo-se discriminados pelo governo central, os pamiris da província de Badajshán Montanhoso declararam sua independência em 1992, o que desencadeou uma guerra civil até 1997 e tirou a vida de 100.000 pessoas.
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Desde então, o governo se enfureceu com a população da cordilheira, apesar da maioria sobreviver com um dólar por dia.
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O estilo de vida nômade do acampamento só pode manter-se no verão. Durante o gélido inverno, quando as temperaturas podem alcançar até 50 graus abaixo de zero, Aziz e os outros moradores se vêm obrigados a se refugiar na aldeia de Murgab, o maior assentamento na zona com apenas 6.500 habitantes.
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No mercado de Murgab, onde as pessoas costumam cobrir o rosto para se proteger dos fortes ventos que levantam nuvens de pó, a opção de produtos importados se limita a bolachas, pão, barras de chocolate e latas de peixe e carne, a maioria vencidas, a preços exorbitantes.
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A pobreza prejudica a educação. Alguns meninos e meninas não vão à escola porque seus pais não podem pagar os objetos escolares nem os uniformes.
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O combustível é limitado e os habitantes se vêm obrigados a usar tersken, um arbusto escasso, para aquecer as casas, o que leva à desertificação.
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Há possibilidades de produzir energia hidroelétrica, mas os investidores a consideram uma região perigosa porque os consumidores não podem pagar as contas. Algumas organizações tratam de promover fontes alternativas como a solar, muito eficiente em grandes altitudes.
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A eletricidade é tão escassa que a população está dividida em duas partes que se revezam no serviço. Alguns têm geradores, mas o preço do combustível é excessivo.
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Muitas aldeias que durante décadas tiveram eletricidade para calefação e cozinhar agora não têm nada, nem sequer no inverno, o que impede o funcionamento de escolas e hospitais neste rincão da hoje desfeita União Soviética.
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Original em Rebelión

domingo, 23 de agosto de 2009

Há 70 anos, URSS assinava pacto estratégico


por Osvaldo Bertolino

Neste domingo (23), completam-se 70 anos do pacto entre a Alemanha nazista e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Difamado pela direita internacional, o acordo aconteceu depois das manobras das potências ocidentais — principalmente França e Inglaterra — para empurrar a máquina de guerra nazista para cima da URSS. O país socialista era alvo confesso de Adolf Hitler, que liderou o “Pacto de Aço” anti-Komintern — um tratado belicista e anticomunista entre Alemanha, Itália, Japão e outros países fascistas.

Em janeiro de 1933, quando se tornou chanceler alemão, Adolf Hitler já havia publicado sua plataforma política. Era o livro Mein Kampf (Minha Luta), um best-seller que naquele tempo contava com mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Nele, estavam claras as idéias do novo chanceler alemão: ódio aos comunistas, aos judeus, aos eslavos, aos proletários, etc.

Nova ordem nazista

Logo, a venda da obra nazista explodiria. “Com exceção da Bíblia, nenhum outro livro foi tão vendido durante o regime nazista”, escreveu William L. Shirer no livro Ascensão e Queda do 3° Reich, parcialmente traduzido para o português pelo histórico dirigente do Partido Comunista do Brasil, Pedro Pomar.

Na obra, Hitler expôs com clareza o modelo de governo que ele queria implantar na Alemanha. A “nova ordem” que o líder nazista pretendia impor ao mundo tinha no Estado de seu país — que um dia se tornaria “o soberano da terra” — o alicerce para uma ditadura absoluta.

A “nova ordem” nazista também teria uma “ideologia universal”. Para tanto, segundo Minha Luta, a Alemanha deveria ajustar contas com a França, “o inexorável e mortal inimigo do povo alemão”. Hitler considerava esse passo decisivo como meio para mais tarde “dar ao nosso povo a expansão que venha a ser possível alhures”.

Estratégia nazista

Ele estava dizendo que a Alemanha tinha como alvo final a União Soviética. “A Alemanha deve expandir-se para o Leste, em grande medida às custas da Rússia”, escreveu. No primeiro volume de Minha Luta, Hitler discorreu longamente sobre o problema do “espaço vital” — Lebensraum, em alemão. “Se na Europa de hoje falarmos em terras, haveremos de ter em mente apenas a Rússia e as nações vizinhas a ela subordinadas”, afirmou o líder nazista. Ele perseguiria esse objetivo até à morte. Para Hitler, o destino tinha sido generoso ao entregar a região à direção dos comunistas — o que, segundo sua teoria, era o mesmo que entregá-la aos judeus.

A estratégia nazista estava clara. Primeiro, era preciso aniquilar a França apenas como condição para o avanço de seus exércitos rumo ao Leste. No decorrer da guerra, essa promessa foi fielmente executada. Hitler tomou a Áustria, a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, e a parte ocidental da Polônia. Em setembro de 1938, os líderes da Alemanha, Inglaterra e França assinaram o “Pacto de Munique”, permitindo ao exército alemão iniciar sua marcha para a Tchecoslováquia. A ameaça à União Soviética estava mais perto do que nunca.

Segurança coletiva

Logo depois da ocupação nazista da Tchecoslováquia, a União Soviética propôs uma conferência das seis potências (Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética) para debater formas de evitar futuras agressões. Mas a proposta foi considerada “prematura”. Os movimentos no xadrez político ocidental deixavam claro a intenção de manter a União Soviética fora do concerto das potências européias. Moscou voltou a acenar, em vão, com um pacto de assistência mútua com a França e a Inglaterra. Esses movimento evoluíram para a aproximação entre União Soviética e Alemanha.

Discursando no 18° Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1939, Josef Stalin disse que Inglaterra e França haviam abandonado o princípio da segurança coletiva, com a finalidade de orientar os Estados agressores para “outras vítimas”. Stalin advertiu que os países ocidentais estavam empurrando os alemães ainda mais para Leste, prometendo-lhes uma presa fácil. Segundo o líder soviético, os princípios orientadores do país socialista eram o de seguir uma política de paz, de fortalecimento das relações econômicas em todos os países e não permitir que a União Soviética fosse arrastada para conflitos pelos provocadores de guerra.

A batalha de Stalingrado

O recado foi entendido em Berlim. A Alemanha tinha interesse em atacar a Polônia sem temer uma intervenção soviética. As conversações evoluíram para o pacto de não-agressão mútua. Quando Hitler invadiu a Polônia, a União Soviética movimentou suas tropas para os Estados Bálticos. A etapa principal do pacto estava vencida. A Alemanha nazista preparava-se para “uma campanha rápida” para “esmagar a União Soviética”. Em junho de 1941, um ano depois da queda da França, as tropas nazistas atacaram o país socialista. Um general alemão disse que a guerra estaria ganha em catorze dias.

A batalha de Stalingrado representou a chegada da reviravolta. Dali para diante, o poder de Hitler declinaria, minado pela crescente contra-ofensiva soviética. Um representante do “Ministério para os Territórios Ocupados do Leste”, criado pelo governo nazista, disse na ocasião que os soviéticos “estavam lutando com excepcional bravura e com espírito de renúncia, nada mais visando que o reconhecimento da dignidade humana”. O resultado seria o esmagamento da máquina de guerra criada por Hitler. Em junho de 1944, as forças anglo-americanas atacaram na frente ocidental. A muralha nazista foi rompida em poucas horas. À meia-noite de 8 para 9 de maio de 1945, os canhões silenciaram fogo na Europa pela primeira vez desde 1939.

Rendição japonesa

Em 2 de setembro de 1945, os japoneses renderam-se a bordo do encouraçado norte-americano Missouri, ancorado na baía de Tóquio. Era o fim de uma luta que se iniciara em meados de 1937, na China, expandindo-se mais tarde para praticamente todo o Pacífico. É impossível calcular o volume de perdas econômicas causadas pela guerra. Quanto à perda de vidas, há uma estimativa, embora longe de ser exata. Morreram cerca de 50 milhões de pessoas, fardadas ou não. Uma média de 8,3 milhões por ano de luta.

Tomada em seu conjunto, a Segunda Guerra Mundial é um fato sem paralelo na história. Nunca tantos países haviam se envolvido num conflito armado. Nunca se produziu tanto armamento. Raramente se aplicou tanta pesquisa e dinheiro no desenvolvimento de equipamentos militares. A guerra começou numa época em que os exércitos ainda usavam cavalos. Quando terminou, os caças a jato já voavam. No final da década de 30, as armas mais destrutivas ainda eram os canhões de grande calibre. Meia dúzia de anos mais tarde o planeta tomava contato com as armas nucleares e com os mísseis balísticos. O mundo não poderia ser o mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não é Tarefa Fácil a de Obama

por Fidel Castro Ruz

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Traduzido por Rosalvo Maciel
Recordo que quando visitei a República Popular da Polônia, nos anos de Gierek, me levaram a Osviecim, o mais famoso dos campos de concentração. Pude apreciar os horríveis crimes cometidos pelos nazis contra crianças, mulheres e anciãos judeus. Eram as idéias do livro Mein Kampf de Adolfo Hitler aplicadas ali. Antes as haviam posto em prática invadindo o território da URSS em busca de espaço vital. Os governos de Londres e Paris naqueles anos atiçavam o chefe nazi contra o Estado soviético.

O exército soviético liberou Osviecim e quase todos os campos de concentração nazi, denunciou os fatos, fez fotos e filmes que percorreram o mundo.

Obama falou no campo de concentração de Buchenwald, dentro do território alemão, em cuja liberação participou um tio avo seu, que ainda vive e o acompanhou no ato.

Sua atividade mais importante na Europa foi a participação no 65º aniversario do desembarque na Normandia, onde pronuncio um segundo discurso. Desfez-se em elogios a Dwight Eisenhower, o qual comandou o desembarque. Ressaltou com justiça o valente papel dos soldados norte-americanos que combateram em uns poucos quilômetros de costa, apoiados pela marinha inglesa e norte-americana e milhares de aviões saídos fundamentalmente das fábricas dos Estados Unidos. As divisões de pára-quedistas não foram lançadas nas posições mais corretas e por isso a batalha se prolongou desnecessariamente.

O grosso do exército de Hitler e suas divisões mais seletas haviam sido liquidados pelos soldados soviéticos na frente russa depois que se recuperam dos danos do golpe inicial. A resistência de Leningrado ao prolongado cerco, os combates das divisões siberianas a poucos quilômetros de Moscou, as batalhas de Stalingrado e o saliente de Kursk (1) passarão a historia das guerras entre os maiores e decisivos acontecimentos.

Obama, que falou no ato pelo 65º aniversario do desembarque da Normandia graças ao qual, segundo se deduz de seu discurso, foi liberada Europa, dedicou só 15 palavras ao papel da URSS, apenas 1,2 para cada 2 milhões de cidadãos soviéticos que morreram naquela guerra. Não foi justo.

Ao finalizar a sangrenta contenda, o Irã, que por seus recursos naturais e sua localização geográfica havia tido um papel importante nessa guerra, foi convertido pelos Estados Unidos em seu mais forte e melhor armado xerife na dita região estratégica da Ásia.

O povo iraniano, dirigido pelo Ayatolá Ruhollah Khomeini, com as massas desarmadas dispostas a qualquer sacrifício, derrotou ao poderoso Xá do Irã. O feito ocorreu durante os dois últimos anos da administração de Jimmy Carter, que sofreu as primeiras conseqüências da desacertada política exterior dos Estados Unidos, que encurtou seu mandato e proporcionou o acesso de Ronald Reagan ao poder.

O Xá morre no Cairo em 27 de julho de 1980, na cidade onde precisamente pronunciou Obama seu discurso no último dia 4.

A absurda guerra Iraque-Irã, que se iniciou em 1980, durou 8 anos e não foi provocada por Khomeini. Reagan tirou dela todo o proveito possível. Primeiro vendeu armas ao Irã. Com elas e o dinheiro do tráfico de drogas financiou a guerra suja contra a Nicarágua, burlando as disposições do Congresso, que lhe negou os fundos para aquela cruel aventura que tantas vidas de jovens sandinistas custou. Reagan apoió a guerra do Iraque contra Irã.

O Governo dos Estados Unidos autorizou o fornecimento de matérias primas, a tecnologia e os gases para a guerra química contra o Irã, que liquidou a dezenas de milhares de soldados desse país; a população civil foi severamente afetada, empresas norte-americanas cooperaram com a produção das armas químicas. Os satélites, por outro lado, lhe forneceram a informação necessária para as operações por terra; 600 mil iranianos e 400 mil iraquianos morreram nessa guerra, centenas de bilhões de dólares foram gastos pelos dois grandes produtores de petróleo antes que ambas as partes aceitaram o projeto de paz elaborado pelas Nações Unidas.

Não é tarefa fácil para um Presidente dos Estados Unidos pronunciar um discurso na Universidade muçulmana Al- Azhar do Cairo. Nem é de esperar que desperte muito entusiasmo entre os iranianos e os árabes.

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(1) Referencia à Batalha de Kursk – 05-07-1943 – a maior batalha de tanques da História com o envolvimento de mais de 4.500 blindados e que terminou na vitória do Exército Soviético em 12 de julho. ( N.P.)
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Original em Cuba Debate

sexta-feira, 20 de março de 2009

Em defesa de Stálin

Estou no Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei. Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.
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E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Émile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.
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Duas ou três vezes por ano Émile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei. Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.
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E volto a lembrar aquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos. É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte. E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo. Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.
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É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.
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A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar –alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica; outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor.
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Oscar Niemeyer, comunista e arquiteto, 101 anos
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Original em A Verdade

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