Além do Cidadão Kane

Mostrando postagens com marcador Comunismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Por que a mídia não informa que Dinho militava no PCdoB?

A morte anunciada do líder camponês Adelino Ramos, o Dinho, mereceu ampla cobertura nos meios de comunicação, incluindo veículos das Organizações Globo. Todavia, nossa mídia de referência, controlada por uma meia dúzia de famílias abastadas, não se dignou a informar que Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara, era um destacado militante do PCdoB em Rondônia, conforme noticiou este Vermelho.
Umberto Martins

É possível imaginar que a militância comunista do líder assassinado no dia 27 de maio em Vista Alegre do Abunã (distrito de Porto Velho, capital de Rondônia) é um detalhe menor que, de resto, não deve ser associado ao crime. Não faltarão vozes para sustentar este tipo de argumento irrigado pelo cinismo.

Filtro ideológico

Na realidade, a omissão, o silêncio, a discriminação do que é ou não noticiável, que no caso configuram uma manipulação sutil dos fatos, são orientados pela força maior da ideologia dominante que, como dizia Karl Marx, reflete os interesses e o pensamento da classe dominante. Os fatos relatados são submetidos previamente ao filtro ideológico, que não raro já está devidamente entranhado no consciente ou inconsciente dos jornalistas como um reflexo condicionado e uma esperança de estabilidade no emprego.

Não é de hoje que o anticomunismo é uma característica básica e essencial do pensamento e do espírito dominante em nossa sociedade. Não vai tão longe o tempo em que se dizia que, a exemplo dos prelados, o prazer de comunista era comer criancinhas. Os acontecimentos que sucederam a derrocada do socialismo real no leste europeu e a deplorável dissolução da União Soviética no início dos anos 1990 contribuíram para exacerbar sentimentos, infâmias e preconceitos do gênero, vendidos em embalagens supostamente democráticas e a pretexto da defesa dos direitos humanos. O que se viu desde então não foi o fim da história, muito menos das ideologias.

Anticomunismo atávico

Nesses dias, ao noticiar o apagão na história no Senado (exclusão das referências ao impeachment do hoje senador Fernando Collor do painel de imagem da Casa) a Rede Globo faz questão de “informar” que se trata de uma operação típica de regimes comunistas, olvidando naturalmente o papel da família Marinho na campanha e eleição do ex-presidente.

Outro exemplo é a manipulação e distorção recorrente de fatos na abordagem do relatório do novo Código Florestal para apresentar o deputado Aldo Rebelo e o PCdoB a serviço dos grandes proprietários rurais. A história dos comunistas brasileiros, incluindo a Guerrilha do Araguaia, é a da luta sem tréguas contra o latifúndio, pela reforma agrária, pela democracia e pelos direitos do povo. Foram a prática e os ideais comunistas, antagônicos aos da classe dominante, que atraíram para as fileiras do partido o militante Dinho.

Propriedade capitalista

Não devemos estranhar o comportamento da mídia venal. Assim como os lucros da produção capitalista servem aos desígnios da classe capitalista, a produção e difusão da informação jornalística no capitalismo se subordinam aos interesses dos capitalistas que controlam os meios de produção da informação. Ou de quem detém a propriedade privada do capital em sua clássica divisão: o capital constante, composta dos meios físicos, a tecnologia, equipamentos, edificações; e o capital variável, ou seja, força de trabalho, principalmente jornalistas.

As relações entre patrões e assalariados no ramo das comunicações são singulares. Aparentemente não guardam muito parentesco com aquelas que se verificam na indústria, na agricultura ou no comércio. A fronteira entre uma classe e outra, neste caso, é tênue. Salvo honrosas exceções, que confirmam a regra geral, os jornalistas costumam vestir a camisa da empresa e, adicionalmente, empenhar a própria consciência. Alguns são ainda mais realistas que o rei.

PIG

Evidentemente, a realidade é obscurecida pela ideologia e pelo engodo. É forçoso reconhecer que a mídia venal é diplomada na arte de aparentar as virtudes do bom jornalismo que a academia enaltece: objetividade, imparcialidade, honestidade, apartidarismo, respeito aos fatos.

Muitos jornalistas acreditam sinceramente em tais princípios e procuram aplicá-los, mas é falso supor que os patrões da mídia zelam por tudo isto. A história sugere e revela o contrário. O aplauso ao golpe e o servilismo diante do regime militar instalado em 1964, o posicionamento nas eleições presidenciais (1989, 2002, 2006 e 2010) e inúmeros episódios cotidianos mostram o caráter antidemocrático, reacionário e golpista da nossa mídia, que bem merece a alcunha de Partido da Imprensa Golpista (PIG), criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim.

Original em Vermelho
Topo

domingo, 2 de janeiro de 2011

Partidos comunistas e operários da Europa alertam

O anticomunismo não passará

Reagindo a uma nova investida anticomunista na UE, 38 partidos comunistas e operários europeus emitiram uma declaração conjunta, que abaixo publicamos na íntegra, na qual denunciam os propósitos da campanha e apelam à unidade e luta de todas as forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas.

«Os partidos comunistas e operários da Europa condenam a escandalosa e provocatória iniciativa dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Bulgária, Letónia, Lituânia, Hungria, Roménia e República Checa que exigem e instigam à perseguição jurídica de todos os que, na UE, não aceitem as campanhas reaccionárias de reescrita da História e a criminalização dos comunistas.

«Esta é uma perigosa tentativa de generalizar a perseguição judicial e outras medidas, em vigor em vários países da UE, contra todos aqueles que rejeitam as calúnias contra as experiências históricas de construção socialista e contra todos os que combatem as tentativas para apagar da História a decisiva contribuição dos comunistas na luta pelos direitos sociais e laborais e pela democracia na Europa, e rejeitam a distorção da história da 2.ª Guerra Mundial e a inaceitável equiparação do comunismo com o fascismo.
«Não é por acaso que esta iniciativa ocorre quando a classe operária e as lutas populares se estão a intensificar. A intensificação do violento assalto aos trabalhadores anda de mãos dadas com a intensificação de medidas anticomunistas. Os comunistas são alvo destes ataques porque estão na linha da frente das lutas não só para que os trabalhadores não arquem com o ónus da crise capitalista, mas também porque são os únicos que possuem uma verdadeira solução para a barbárie capitalista.
«A classe dominante, entendendo muito bem os impasses do sistema capitalista e as suas irreconciliáveis contradições, intensifica as perseguições, ameaças e crimes. Contudo, independentemente das medidas que tome, não pode impedir as leis inexoráveis do desenvolvimento social e a necessidade de derrubar o poder do capital. Não pode impedir o fortalecimento da organização da classe operária e o desenvolvimento da luta de massas pelo socialismo e o comunismo.
Luta de todos

«Firmemente declaramos que os planos anticomunistas da burguesia fracassarão. A superioridade da nossa ideologia, a justa causa da classe operária pode quebrar os seus mecanismos mais severos. Vamos continuar de uma forma ainda mais determinada e inflexível de modo a derrotar o poder antipopular do grande capital. A histeria anticomunista não enganará a classe operária e as forças populares que são duramente afectadas pelos problemas do desemprego, pelo retrocesso das políticas sociais, da segurança social e dos direitos dos trabalhadores, pela própria barbárie capitalista.
«Apelamos a todas as forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas para que se unam a nós na luta contra o anticomunismo, directamente associada à luta pelos direitos dos trabalhadores e populares, assim como pela justiça social; por um mundo sem exploração do homem pelo homem».

Subscrevem a declaração:

Partido Comunista da Arménia; Partido Comunista do Azerbaijão; Partido Comunista da Bielorrússia; Partido do Trabalho da Bélgica; Partido Comunista Britânico; Novo Partido Comunista Britânico; Partido Comunista da Bulgária; Partido dos Comunistas Búlgaros; AKEL, de Chipre; Partido Comunista da Dinamarca; Partido Comunista da Estónia; Partido Comunista da Finlândia; Partido Comunista da Macedónia; Partido Comunista Alemão; Partido Comunista da Grécia; Partido dos Trabalhadores Comunistas Húngaros; Partido Comunista da Irlanda; Partido dos Comunistas Italianos; Partido Comunista do Cazaquistão; Partido Socialista da Letónia; Partido Comunista do Luxemburgo; Partido Comunista de Malta; Partido Comunista da Noruega; Novo Partido Comunista da Holanda; Partido Comunista da Polónia; Partido Comunista Português; Partido Comunista Romeno; Partido Comunista da Federação Russa; Partido Comunista da União Soviética; Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia – PC Russo; União de Partidos Comunistas – CPSU; Partido dos Comunistas da Sérvia; Partido Comunista da Eslováquia; Partido Comunista dos Povos de Espanha; Partido Comunista da Suécia; Partido Comunista da Turquia; Partido Comunista da Ucrânia; União dos Comunistas da Ucrânia.

Original em Avante!
Topo

Copyleft - Nenhum Direito Reservado - O conhecimento humano pertence à Humanidade.