Além do Cidadão Kane

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Estes acham que o Rio Grande tem o governo que merece, portanto...

...Votaram pelo arquivamento do impeachment de Yeda Crusius:
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PMDB: Alceu Moreira, Gilberto Capoani e Sandro Boka
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PP: Jerônimo Goergen, João Fischer, Marco Peixoto, Pedro Westphalen e Silvana Covatti
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PSDB: Adilson Troca, Paulo Brum, Pedro Pereira e Zilá Breitenbach
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PTB: Abílio dos Santos, Aloisio Classmann e Luis Augusto Lara
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PRB: (representando o PPS): Carlos Gomes
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ex-presidente do Detran-RS sustenta na CPI que Yeda e Carlos Crusius ficavam com 11% do dinheiro desviado

Ex-presidente do Detran-RS que afirmou em vídeo que a governadora do Estado desviava recursos do órgão, Sérgio Luiz Buchmann confirmou, nesta segunda-feira (5), em depoimento à CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa, que o marido da governadora Yeda Crusius (PSDB), Carlos Crusius, mudou o esquema no Detran para o casal ficar com uma parte do desvio.

De acordo com Buchmann, dos 24% dos recursos “obtidos” junto à fundação que realizava as provas de motorista no Estado, 12% ficavam com Lair Ferst (um dos acusados) e outros 11% para o casal Crusius.

Poupança

Yeda Crusius também foi acusada por seu vice, Paulo Feijó (DEM), em depoimento ao Ministério Público no mês de agosto, de fazer uma “poupança” com o dinheiro da sua campanha de 2006. Feijó afirmou, no vídeo, que um doador entregou dinheiro para o ex-marido de Yeda, Carlos Crusius, e que esse dinheiro foi desviado durante a campanha para fazer caixa dois. Yeda teria dito que a “campanha é o momento da poupança”.

O deputado federal do PSDB, Cláudio Diaz, jogou a questão no ventilador e disse que “se houve caixa dois, foi na campanha dele (Feijó), vice-governador, e do DEM”. O vice Paulo Feijó também já foi alvo de uma ação do Ministério Público Estadual por improbidade administrativa, porque sua empresa, a AFP, foi contratada para prestar serviços de consultoria para formatação de um plano de venda de ativos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em 2007, quando já ocupava o cargo.

Uma pesquisa feita recentemente pelo Ibope (que, conhecendo como age esse instituto, deve estar bem subestimada), divulgada na segunda feira, revelou que 74% dos gaúchos desaprovam o desempenho da tucana como governadora do Estado, contra apenas 19% que aprovam. Ainda segundo a pesquisa, somente 2% dos entrevistados avaliaram o governo da tucana como ótimo, 9% como bom, 24% como regular, 21% como ruim e a grande maioria, 43%, avaliou a gestão de Yeda como péssima.

Quando perguntada sobre o afastamento de Yeda, 62% disseram ser a favor do impeachment, contra apenas 22% que querem que a tucana, acusada de desviar R$ 44 milhões do Detran do RS, permaneça no governo.

O Comitê Fora Yeda organizou uma manifestação, no domingo, no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, pedindo o impeachment da tucana. O evento teve dez atrações artísticas e contou com a presença de lideranças sindicais e estudantis. A palavra de ordem mais ouvida foi: “um, dois, três, Yeda no Xadrez”.
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Original em Hora do Povo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"NÃO FAZ MAROLA PORQUE PIORA!"

DEU NO JORNAL
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Relatora da comissão de impeachment recomenda que pedido seja arquivado
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Zilá Breitenbach entregou relatório esta tarde ao presidente da comissão

A relatora da comissão de impeachment da Assembléia, Zilá Breitenbach (PSDB-RS), recomendou que o processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius seja arquivado. O relatório foi concluído e entregue na tarde desta segunda-feira ao presidente da comissão, deputado Pedro Westphalen (PP-RS). O documento precisa ser votado pela comissão.
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ZERO HORA

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Como transformar o assassino em inocente e a vítima em culpado

A Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul anunciou que manterá em sigilo a identidade do assassino do sem terra Elton Brum da Silva, executado com um tiro de espingarda nas costas, dia 21 de agosto. A estratégia não surpreende quem vem acompanhando a dura perseguição movida pelo Poder Público do RS contra os movimentos sociais, MST entre os mais visados, acentuada em violência, tortura e crueldade desde abril de 2007, quando o Conselho Superior do MP estadual decidiu extinguir aquele Movimento.

Antonio Cechin e Jacques Távora Alfonsin
A Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul já comunicou que vai manter em sigilo a identidade do assassino de Elton Brum da Silva, morto pelas costas, por um brigadiano, durante a execução de uma ordem judicial de reintegração de posse no município de São Gabriel, no dia 21 de agosto passado.

A estratégia não surpreende quem vem acompanhando a dura perseguição movida pelo Poder Público do Estado contra os movimentos sociais, MST entre os mais visados, acentuada em violência, tortura e crueldade desde abril de 2007, quando o Conselho Superior do Ministério Público estadual decidiu extinguir aquele Movimento.

Violações as mais aberrantes à dignidade humana, à cidadania e aos direitos humanos fundamentais das/os sem-terra tentam bloquear qualquer tipo de protesto em defesa desses mesmos direitos.

“Não falem” (direito de opinião), “não se mexam” (direito de locomoção) “não se juntem” (direito de reunião), “fechem suas escolas” (direito à educação), “fechem suas farmácias caseiras” (direito à saúde), “identifiquem-se como criminosas/os, deitem com o rosto no chão, agüentem a surra das nossas armas” (abuso de poder e autoridade) são ordens que todo esse povo trabalhador e pobre recebe freqüentemente da Brigada Militar, cumprindo mandados judiciais pleiteados pelo Ministério Público.
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No dia 21 de agosto passado, inibir as liberdades constitucionais era pouco. A “lição” tinha de ser eliminar a vida. A ordem para Elton foi “morra.”

Poder-se-ia pensar que, diante da gravidade do fato (um tiro pelas costas dado por um brigadiano numa pessoa desarmada) todas aquelas brutalidades inconstitucionais - e oficiais o que é muito mais grave - pudessem, quando menos, envergonhar o Executivo do Estado, a sua Secretaria de Segurança, a Brigada Militar e o Judiciário, particularmente o Ministério Público. Não há nenhum sinal convincente disso. Até pelo contrário. Estão em curso três posicionamentos táticos, típicos das ditaduras, objetivando enredar toda a história do ocorrido, dentro do “devido processo legal”, para que o tempo se encarregue de levar tudo ao esquecimento, mantendo quente a temperatura da repressão violenta ao povo.


O primeiro é o de não tornar pública a identificação do assassino (não vá o homem dizer alguma coisa que não deve...); o segundo é o de salvar as aparências de que “as instituições democráticas funcionam normalmente, aqui no Estado, e existem prazos para apuração dos fatos”; o terceiro é o de acentuar a criminalização progressiva do MST, aproveitando ao máximo opiniões de mídia, conscientes ou não da instrumentalização com que são usadas, capazes de desviar o foco da vergonhosa covardia, atribuindo tudo o que aconteceu ao MST.

No último fim de semana, essa terceira tática já viveu um dos seus momentos, mas com um sério revés. Uma das mais tradicionais vozes de condenação daquele Movimento [Percival Puggina, em artigo publicado no jornal Zero Hora], atribuiu-lhe, entre outras coisas, “tranqüilidade” para invadir terras como a de alguém que “vai ao banheiro do restaurante”; seus instrumentos não são de borracha como as balas da Brigada; é um Movimento totalitário que impediu até a fala de um promotor em Caxias do Sul. “Trabalhar a terra, há muito, não é mais seu objetivo verdadeiro.”

Recebeu resposta na mesma edição e na mesma página do jornal. Assinada, por sinal, por quem tem uma história de defesa dos direitos humanos sem comparação com a do critico do MST, do qual, a rigor, o que mais se conhece é o azedume com que verbera tudo o que, de alguma forma, cheire a defesa material daqueles direitos.

Quem dera um/a acampado/a sem-terra, as vezes durante anos, suportando as mais duras condições de vida, tendo de si apenas a esperança de conquistar o seu pedaço de chão, pudesse, sequer, entrar num restaurante. O crítico do MST, pela facilidade da imagem que enfeitou o seu deboche, deve freqüentar muitos restaurantes. Conviria que ele um dia se servisse do “banheiro” de um acampamento e conferisse os pobres instrumentos de trabalho que não são de borracha, como ridicularizou. De borracha e cassetete o que esses trabalhadores conhecem, mesmo, é a dos outros “instrumentos de trabalho” que os agridem nas execuções das ordens judiciais. Um deles, agora mesmo, está debaixo da terra que lhe foi negada, e não foi bala de borracha que o abateu.

Se a tal opinião, ainda, condena quem impediu um promotor de falar, em Caxias do Sul, como prova de totalitarismo, admira que não tenha se escandalizado com o totalitarismo sob o qual o Ministério Público do Estado armou um inquérito secreto para surpreender, à traição, como aquela que matou o Elton, não só o MST, mas qualquer cidadão minimante consciente da injustiça social estrutural de que são vítimas os agricultores sem terra gaúchos e brasileiros. Um desses promotores, por sinal, quando as vozes iradas das muitas vítimas da sua truculência começaram a ecoar, aí sentiu. Achou melhor pousar de vítima e fugir da raia que ele mesmo tinha armado.

Por tudo isso, as nossas leitoras e leitores que se cuidem. Quando entrarem no banheiro de um restaurante, o álcool-gel que os defendem da gripe suína não os imunizará contra o veneno que destila a critica do MST publicada no último fim de semana. Talvez seja o caso, então, de colocá-la ao lado do vaso, na cesta dos papéis higiênicos usados.
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Original em Carta Maior

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sem Terra é assassinado em despejo na fazenda Southall

O trabalhador rural Elton Brum da Silva foi morto na manhã desta sexta-feira (21/8) em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O trabalhador, que levou um tiro no peito, foi levado por policiais da Brigada Militar que faziam o despejo da Fazenda Southall à Santa Casa do município. No entanto, os funcionários do hospital se negam a dar informações e dizem que devem ser obtidas com a polícia, que também está omitindo o fato.

O MST lamenta com pesar o ocorrido e responsabiliza os governos e a Justiça. Afinal, é de conhecimento público a truculência usada pela Brigada Militar nas ações de despejo. Mesmo assim, os poderes públicos optam por tratar as questões sociais, como a Reforma Agrária, como caso de polícia.

Assista ao VÍDEO em que os Sem Terra fazem um retrato da área onde ocorreu o despejo e da violência da Brigada Militar.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

A verdade sobre a Ford.

Postado por partisan

A versão de que Olívio Dutra “correu” com a Ford daqui é fantasiosa e não corresponde aos fatos. Se alguém pode explicar em detalhes a operação este alguém é Yeda Crusius, que votou a favor dos baianos.

A grande acusação contra o candidato Olívio Dutra, sem qualquer dúvida, é a decisão tomada pela Ford de não instalar sua fábrica em Guaíba. Para o Estado, foi uma perda lamentável. Temos aí o resultado positivo da GM em Gravataí, que não permite sequer um comentário que desconsidere o peso econômico de uma montadora instalada em qualquer região do planeta. Apenas um papalvo não sabe disso. Abstraindo a tragédia, temos que trabalhar com a realidade. Ela é bem diferente do que apregoam monotonamente as “viúvas” da Ford. Olívio Dutra não mandou a Ford embora, como se ela fosse um empresinha de fundo de quintal e que, portanto, pudesse ser enxotada aos pontapés, não. Ficamos aqui prisioneiros, fundamentalmente, da versão antipetista do fato.

O fato

O prazo do Regime Automotivo Especial para serem concedidos novos incentivos fiscais às montadoras no Nordeste havia terminado em maio de 1997. Para agradar o então poderoso Antonio Carlos Magalhães (presidente do Congresso Nacional), FHC aceitou dar a Ford de presente aos baianos, em detrimento dos gaúchos. O Jornal Gazeta Mercantil, de 21 de outubro de 2001, afirmava: “O fato porem, é que a Bahia não mais contava, naquele momento, com condições de atrair uma montadora de automóveis”; e continuava: “para viabilizar a instalação da Ford na Bahia, o deputado federal Jose Carlos Aleluia (PFL-BA), relator da MP 1740, que tratava de ajustes no sistema automotivo brasileiro, incluiu no documento a prorrogação, por alguns meses, da vigência do Regime Especial do Nordeste”. Foi aprovado o projeto por voto simbólico das bancadas, transformando- se em lei, no dia 29 de junho de 1999.

Ação e votos

Na mesma sessão em que a prorrogação foi aprovada, o PT de Olívio Dutra apresentou um destaque pedindo votação em separado para o artigo 11, que favorecia diretamente a instalação da Ford na Bahia. Mas os deputados aliados de ACM não quiseram discutir o assunto e rejeitaram o requerimento em votação nominal. O jornal Gazeta Mercantil também revelou que o então secretário executivo do Ministério da Fazenda Pedro Parente, outro tucano, foi decisivo para garantir a Ford na Bahia. A versão, repetida à exaustão pelos antipetistas, não resiste a uma mínima pesquisa histórica a respeito do fato. Insistem na versão fantasiosa de que Olívio Dutra “acordou”, numa madrugada qualquer, e por capricho simplesmente mandou a Ford embora. Nem uma criança acreditaria que uma transnacional do porte da Ford poderia ser tratada com tamanha arrogância. Os fatos estavam se desenrolando em Brasília e atendiam a interesses políticos dos grandes caciques. A hoje candidata Yeda Crusius votou a favor da Bahia e contra os interesses do Rio Grande à época. Isto é fato histórico, ninguém pode desmentir. Podem apresentar versões, justificativas, mas não podem apagar o que está gravado nos anais do Congresso Nacional.

O que atraiu a Ford para a Bahia

Bilhões em subsídios e renúncia fiscal patrocinados pelo Estado da Bahia. Não nos cabe entrar na discussão sobre as vantagens ou não de implantar uma fábrica do porte de uma montadora como a Ford. Seria desperdício. Podemos trabalhar com dados. O governo baiano, através de incentivos, renúncias fiscais, investimentos e empréstimos para a instalação da montadora dispôs R$ 3 bilhões de reais, o que significa que para cada uma das 2 mil vagas abertas foram destinados R$ 1,5 milhão. Nos contratos conhecidos entre a Ford e o governo baiano não há nenhuma exigência de transferência de tecnologia, formação, nível salarial ou geração de empregos. Propagandeia- se apenas a geração de 5 mil postos diretos e 50 mil indiretos. A decisão da Ford de não se instalar em Guaíba, no Rio Grande do Sul, nem de longe passou pelos maus bofes do governo, mas, sim, pelas generosas vantagens que recebeu do Congresso Nacional ao aprovar fora do prazo um destaque de uma MP do governo de FHC. A versão de que Olívio Dutra “correu” com a Ford daqui é fantasiosa e não corresponde aos fatos. Se alguém pode explicar em detalhes a operação este alguém é Yeda Crusius, que votou a favor dos baianos. Yeda e outros políticos gaúchos foram os que realmente mandaram a Ford embora daqui. Olívio Dutra e o PT nada puderam fazer contra a decisão. Essa é a verdade, o mais é manipulação.

domingo, 19 de julho de 2009

“Investimentos próprios” da GM vêm do BNDES, Banrisul e BRDE

E ao Erário do Rio Grande do Sul a montadora americana só pagará 25% do ICMS por 10 anos

Que os gaúchos se cuidem – e que os bancos públicos tranquem os seus cofres. O presidente da filial da General Motors declarou que a empresa “está comprometida com o futuro do Rio Grande do Sul”. Da última vez que houve uma declaração desse tipo, metade das cidades do Estado de Michigan, EUA, viraram cidades-fantasmas. Se tiverem alguma dúvida, favor consultar o cineasta Michael Moore, que nasceu em Flint, a cidade em que a GM foi fundada. Moore acha que a GM é uma quadrilha de vigaristas e bandidos – fez até um filme, o primeiro de sua carreira, sobre isso. Com efeito, ninguém até hoje desmentiu Moore – pelo contrário, segundo o presidente Obama, é isso mesmo.

E, realmente, a julgar pelos festejos promovidos em Gravataí, Porto Alegre e Brasília na quarta-feira, a coisa está mais para Al Capone do que para Eliot Ness. Bem fez o presidente Lula, homem sério e de espírito prático, lembrando logo que, se os planos anunciados pela GM forem verdadeiros, isso quer dizer que “a empresa foi precipitada no mês de dezembro”, quando demitiu operários – e entrou na maré de chantagem para diminuir os seus salários.

CONJUNÇÃO

No meio da pantomina, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, mostrando o jeito tucano de ser, deu um suspiro e declarou: “mais do que brasileira, a GM é gaúcha”. Nós nem sabíamos que a GM era brasileira. Agora, sabemos que, segundo a governadora, o Rio Grande do Sul não faz parte do Brasil, pois só assim algo pode ser mais gaúcho do que brasileiro. E logo a GM...

Mas, compreende-se – a governadora é uma pessoa muito doméstica. Gosta muito de casas. Principalmente com o dinheiro alheio.

A GM, também. Dessa conjunção de afinidades só podia nascer um assalto: a GM só pagará ao Estado do Rio Grande do Sul 25% do ICMS. O resto, 75%, será financiado com 10 anos de carência e mais 12 anos para amortizá-los em suaves prestações. Em suma, durante 10 anos a GM só pagará um quarto do imposto estadual que deveria pagar, aquele imposto que, em princípio, é para construir ou manter escolas, hospitais, etc.

Como a governadora não se interessa por essas coisas, deu à GM isenção de 75% do ICMS durante 10 anos. Qual a vantagem que o Estado e a população terão com a GM “investindo”? Bem, a GM promete, com a expansão da sua fábrica, fornecer a fabulosa quantidade de 1000 (mil) empregos diretos daqui a três anos. Será o emprego mais caro que já apareceu no país – o que nada tem a ver com o salário que os funcionários receberão, evidentemente.

Mas, segundo foi anunciado, além disso haverá 7 mil empregos indiretos – de onde saiu essa conta, nós não sabemos. Provavelmente do mesmo lugar que saiu a “obsolescência planejada” e outras vigarices da GM, pois é evidente que esse é um número sacado de alguma cartola. Aliás, mesmo que fosse verdade, seriam ao todo apenas 8 mil empregos, incluindo, provavelmente, o vendedor de bilhetes de loteria que fará seu trabalho na porta da fábrica da GM. Um tremendo emprego indireto...

Todo mundo sabe que a GM é uma corporação falida, um monopólio moribundo, que mal se sustenta, e somente ainda não foi fechada à custa dos contribuintes norte-americanos, isto é, do dinheiro do povo dos EUA.

Mas, segundo o presidente da filial no Brasil, um certo Ardila (esse pessoal tem cada nome...), isso é a matriz. Já a filial que preside, está tão bem que vai investir R$ 2 bilhões, além de R$ 3 bilhões que já teria investido, para expandir sua fábrica no Rio Grande do Sul. Se fosse verdade, seria o primeiro caso de uma filial que nada em dinheiro, enquanto a matriz está falida, e esta não toma nenhuma providência...

Repetindo Ardila, certa mídia saiu por aí trombeteando os “recursos próprios” que a GM vai investir no Rio Grande do Sul. Um chupa-tintas estampou em letras garrafais: “Com investimento bilionário, GM mostra confiança no mercado brasileiro”.

Ora, quem não pode confiar na GM é o mercado brasileiro, ou seja, os consumidores, os compradores, o povo. Se os americanos, que conhecem essa turma mais de perto, não confiam, por que nós devemos confiar?

A GM, evidentemente, não vai “investir” R$ 2 bilhões em “recursos próprios” no Estado natal da grande Ana Terra. Não por falta de lucros no Brasil, que os tem, e excessivos. Mas, se a filial da GM tivesse R$ 2 bilhões (aliás, segundo Ardila, R$ 5 bilhões) em “recursos próprios”, a matriz nos EUA já teria requisitado os cobres para cobrir o seu rombo, pois a função de uma filial é remeter dinheiro para a sede, mais ainda em tempos de crise e bancarrota.

Porém, segundo o presidente da filial, “nunca fomos parte do processo de restruturação nos EUA”. Certamente, não é a nós que ele precisa convencer disso – até porque não vai conseguir. O próprio BNDES bloqueou a liberação de empréstimos já aprovados à filial da GM enquanto durou a concordata da matriz. O sr. Luciano Coutinho pode ter uma política equivocada no banco que preside, mas não é idiota de se meter num sarilho desses.

Mas agora, que o governo norte-americano assumiu a tutela da matriz, as coisas são diferentes. Naturalmente, os “recursos próprios” de Ardila são recursos do BNDES, do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e do Erário estadual. Ou seja, são recursos de bancos estatais e do Tesouro local.

Ardila afirmou que 50% dos recursos seriam da GM e o resto viria 30% do BNDES e 20% do Banrisul (Zero Hora, 15/07/2009). Mas também afirmou que a GM pediu R$ 700 milhões no BNDES, R$ 344 milhões no Banrisul e R$ 200 milhões no BRDE. Só aí já há R$ 1 bilhão e 244 milhões, portanto, mais de 50% de R$ 2 bilhões, vindo de bancos públicos (O Estado de S. Paulo, 15/07/2009).

ERÁRIO

Resumindo: nos EUA, a GM vive do dinheiro dos contribuintes. Aqui, no Brasil, é diferente - ela pretende viver do dinheiro dos bancos públicos e do Erário, ou seja, do dinheiro do contribuinte brasileiro. Certamente, é muito diferente, pois americano não é brasileiro e brasileiro não é americano. Como se pode dizer que o dinheiro do contribuinte de lá é igual ao do contribuinte de cá?

Parece, aliás, que esse é o grande negócio: arranjar dinheiro do Estado. O resto, inclusive a produção de automóveis, só serve para atrapalhar. Infelizmente, a GM ainda não conseguiu pegar dinheiro do Estado sem produzir alguma coisa. No dia em que isso acontecer, será a perfeição...

O presidente da GM é um sujeito fiel à tradição da empresa. Nunca diz nada muito preciso, nem muito seguro nem muito verdadeiro. No meio da entrevista coletiva, alguém lembrou que a GM começou há algum tempo a construir uma fábrica no Estado vizinho, Santa Catarina. E então? Qual o sentido de ampliar outra no Rio Grande do Sul? Bem, respondeu ele, é “altamente provável” que a fábrica de Santa Catarina forneça motores à unidade do Rio Grande do Sul. “Altamente provável”? Por pouco Ardila não disse que para ter certeza do que a unidade de Santa Catarina fará, é necessário consultar o presidente da GM do Brasil... Ou será que quem se interessar pelo assunto terá de recorrer à matriz nos EUA para saber?

Convenhamos, melhor proposta fez um leitor do jornalista Luís Nassif: já que a GM está falida, porque não estatizamos a filial, mais ou menos como o Obama fez com a matriz, para ter, finalmente, uma indústria nacional de automóveis? Pelo menos o dinheiro do BNDES seria melhor empregado...

CARLOS LOPES
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Original em Hora do Povo

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Netos de Yeda não estudam em escolas de lata

Marco Aurélio Weissheimer.
Marliane Santos envia foto do protesto realizado agora de manhã em frente à casa de Yeda Crusius. A Brigada Militar deteve a presidente do CPERS, Rejane Rodrigues, a vereadora Fernanda Melchiona (PSOL) e o fotógrafo Caco Argemi, entre outros, acusando-os de desacato à autoridade. O protesto levou uma réplica de uma escola de lata, usada pelo governo estadual na rede de ensino público, para a rua da governadora. Yeda não gostou e acusou os manifestantes de serem “torturadores de crianças” (os netos dela, no caso).

Os netos da governadora, obviamente, não estudam em escolas de lata.
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As fotos são de Roberto Vinicius, da Agência Free lancer

As imagens de uma governadora que perdeu a credibilidade

Marco Aurélio Weissheimer.

Yeda Crusius é a principal responsável pelos protestos que vêm ocorrendo no Rio Grande do Sul. A erosão da credibilidade chegou literalmente à porta da casa da governadora tucana. E essa casa é um símbolo melancólico do auto-intitulado “novo jeito de governar”. A denúncia mais forte sobre a ilegalidade que cerca a compra da casa partiu não da oposição, mas de alguém que trabalhou diretamente da campanha de Yeda, que trabalhou, entre outras coisas, na captação de recursos. É Lair Ferst que acusa a governadora de ter usado sobras de campanha na compra da casa. É o vice-governador Paulo Feijó que acusa a governadora de várias irregularidades. É o ex-secretário estadual de Segurança, Ênio Bacci, e o ex-ouvidor dessa secretaria, Adão Paiani, que denunciam a existência de uma quadrilha no Piratini. É disso que se trata.
O desequilíbrio da governadora é tal que ela não hesitou em expor os próprios netos a uma situação constrangedora. A direita e seus braços midiáticos salivam de raiva quando acusam o MST de expor crianças em protestos. As fotos de Roberto Vinicius mostram Yeda e sua filha, Tarsila, reagindo aos gritos contra os manifestantes. Estavam fazendo o protesto contra o protesto. Yeda acusou os professores que participaram da manifestação de serem “torturadores de criança”. Se a intenção da governadora e de sua filha era expor a face de vítimas torturadas, acabou produzindo um espetáculo deprimente e constrangedor. Uma intenção que torna a própria família refém de uma tentativa desesperada de vitimização. Pobres crianças! Pobre Rio Grande do Sul, um Estado que desce a ladeira em alta velocidade.
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As fotos são de Roberto Vinicius, da Agência Free lancer

Polícia para quem precisa…

Marco Aurélio Weissheimer.

E quem disse que ninguém vai preso no Estado que está mergulhado em denúncia de corrupção? Na manha desta quinta, a Brigada Militar prendeu, entre outras pessoas, a presidente do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul, Rejane Rodrigues, e o fotógrafo Caco Argemi, que cobria a manifestação de protesto em frente à casa da governadora. Foram acusados de desacato à autoridade. Autoridade esta que está sempre pronta a reprimir manifestações populares, a colocar agricultores sem terra de joelhos e revistar seus perigosos barracos de lona. Cabe lembrar: a Operação Rodin apontou um roubo no DETRAN de mais de R$ 40 milhões. Quando ocorreram prisões, ecoaram na mídia vozes protestando contra o uso de algemas em homens de bem. Afinal de contas, a polícia não está aí para algemar gente de bem…

Fotos: Roberto Vinicius/Agência Free Lancer

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