R.M.
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No dia de ontem, às duas da tarde, pessoas não identificadas, chegaram à Colônia Celeo Gonzáles, ao norte desta cidade, bateram na porta onde vivia a jovem, Claudia Larissa Brizuela de 36 anos e imediatamente dispararam vários tiros causando-lhe morte instantânea.
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Este novo assassinato se dá no momento em que alguns países centro-americanos fazem gestões para que seja reconhecido o governo de Porfírio Lobos, nascido do golpe de estado e que lançou uma verdadeira caçada contra os dirigentes da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado.
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A jovem Claudia Larissa Brizuela era membro ativo da Frente Nacional de Resistência; é filha de Pedro Brizuela, um dos mais velhos militantes do Partido Comunista Hondurenho e que atualmente milita no Partido Unificação Democrática. Brizuela é colunista do diário La Prensa, ha sido histórico assessor sindical, apóia e milita ativamente no projeto da Pesquisa para a Quarta Urna, foi um dos rostos visíveis da Frente Nacional de Resistência na costa norte do país.
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Em conversa mantida com Pedro, ele manifesta que o assassinato de sua filha tem mensagem para ele e para os membros da Frente, pede que se divulgue este novo crime contra o povo hondurenho e, sobre tudo, manifesta que este é um crime covarde que demonstra a agressão sistemática por grupos terroristas que com a aquiescência do Estado estão cometendo esta escalada criminosa em Honduras.
Com o assassinato de Claudia ficam órfãos de mãe Said Meléndez Brisuela (2 anos) e Eduard Brizuela (8 anos).
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Sistemática agressão a dirigentes nos últimos dias
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São vários os dirigentes da Frente Nacional de Resistência que estão recebendo ameaças e agressões físicas diretas, por parte da polícia e de grupos paramilitares, presumivelmente importados da Colômbia.
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Antes de cometer este crime, a professora Reina Centeno, recebeu uma mensagem em seu telefone celular, onde lhe dizem “és a próxima”, esta chamada partiu do telefone (504) 87671727.
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Na terça-feira, 23, o jovem Guillermo Amador, ao sair de sua casa para o trabalho no escritório do CODEH, foi abordado por uma pessoa que começou a lhe fazer perguntas sobre sua participação na Frente Nacional de Resistência, posteriormente foi perseguido por uma motocicleta azul sem placas, como as usadas pela polícia.
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O contexto em que se dão estes assassinatos e ameaças
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Esta morte se dá em um contexto de agressão sistemática e seletiva aos membros da Frente Nacional de Resistência, a agressão está dirigida a membros do Movimento Sindical Hondurenho; o movimento sindical é atualmente uma das Forças organizadas que continua em sua luta por uma Assembléia Nacional Constituinte, a fundação da República e sobre tudo una nova Constituição. Esta agressão tem sido evidente.
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Para a agressão física do artista Hermes Reyes, membro do Movimento de Artistas em Resistência ocorrido em 12 de fevereiro deste ano, na cidade de Siguatepeque, os agressores utilizaram brocas de furadeira lesionando seriamente um de seus olhos.
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Nesse mesmo dia, na cidade de Tegucigalpa, Município do Distrito Central, foi invadida a residência do Senhor Porfírio Ponce, membro ativo do Movimento Sindical Hondurenho e da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, as pessoas que ingressaram a sua casa se identificaram como policiais, e destruíram parte de seus pertences, roubando-lhe o computador. A ação ficou em total impunidade.
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Outras das agressões é o seqüestro relâmpago, seguido de tortura, de Edgar Martínez fato ocorrido na quarta-feira 10 de fevereiro deste ano, na cidade de San Pedro Sula, este fato ocorreu na Colônia Cidade Planeta, no mesmo ato criminoso seqüestraram a sua esposa Carol Rivera e seus irmãos Meliza Rivera e Johan Martínez e a uma amiga deles que foram levados até a montanha El Venado, próximo ao lugar onde vivem; esta ação foi repudiada pelos vizinhos que organizaram, com mais de 40 homens, a busca sem resultados positivos.
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Somente na sexta-feira 12 que os deixaram em liberdade, todos (as) apresentavam sinais de tortura; neste vergonhoso ato, declaram pessoas próximas á família, duas das mulheres foram violadas. A família Martínez é membro ativo da Resistência Contra o Golpe de Estado.
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Dias antes foram seqüestrados os câmeras Manuel de Jesús Murillo e Ricardo Antonio Rodríguez da Globo TV e Noticiário Mi Nación, fato ocorrido no posto ESSO On the run que se encontra na entrada da Colônia El Hogar de Tegucigalpa Município do distrito Central, as duas pessoas foram barbaramente torturadas.
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O Comitê de Direitos Humanos (CODEH) lamenta a falta de diligencia de organismos regionais de diretos humanos, como a Comissão Interamericana de Diretos Humanos (CIDH), que retardam a comunicação de medidas cautelares e em alguns casos não responde com a rapidez que a situação do país requer.
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Original em Tribuna Popular
Tradução Rosalvo Maciel
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Marcadores: América Latina, assassinato, Direitos Humanos, fascismo, golpe de estado, Honduras, oposição, repressão, resistência, terrorismo de Estado
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não é apenas preconceituoso contra as mulheres, conforme sugerido pela afirmação dele de que a ministra Dilma Rousseff seria "reflexo" de Lula, ou seja, não tem personalidade própria. FHC é de um tempo em que as mulheres aceitavam como "natural" subordinar seus interesses aos interesses dos homens.
Afinal, qual é a lição do episódio em que uma repórter aceitou o exílio para esconder o filho que teve com o senador, quando isso foi "necessário" para proteger a carreira política de FHC? Ele se elegeu presidente da República. Ela e o filho ficaram "escondidos" no exílio, à espera da hora "certa", determinada única e exclusivamente pelo interesse pessoal do ex-presidente.Nós temos o costume de criticar todos os governos como quem critica o time de futebol rival.
A implicância com o time rival é mantido na política.
Mas as opiniões estão vindo de quem antes o PT sempre criticou então alguma coisa esta ocorrendo.
Manter a velha frase se tem governo eu sou contra é um pensamento um tanto quanto perigoso.
O DEM se achava no direito de criticar a prática do mensalão....e agora estão envolvidos até o pescoço e o que é pior ameaçando os próprio colegas de atirar merda no ventilador...
Sobrou para o PMDB e é claro todos , mas todos tem a cola presa.
Como cidadãos nos resta comparar os resultados no momento de escolher...
E não ir nas pilhas das propagandas de quem está na oposição ou seja, dos que não estão mamando na teta da vez...
O Brasil é um foguete, segundo os ingleses
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira. Intitulado Brazil Takes Off ("O Brasil Decola", em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.
A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.
A The Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. "Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito."
É interessante comparar o Brasil governado pelo operário "analfabeto e burro" com o que que foi comandado pelo sociólogo "letrado e intelectual".
Isso tudo na visão do The Economist...
| Segundo o The Economist Situação do Brasil antes e depois.
| Nos tempos de FHC | Nos tempos de LULA | |
| Risco Brasil | 2.700 pontos | 200 pontos | |
| Salário Mínimo | 78 dólares | 210 dólares | |
| Dólar | Rs$ 3,00 | Rs$ 1,78 | |
| Dívida FMI | Não mexeu | Pagou | |
| Indústria naval | Não mexeu | Reconstruiu | |
| Universidades Federais Novas | Nenhuma | 10 | |
| Extensões Universitárias | Nenhuma | 45 | |
| Escolas Técnicas | Nenhuma | 214 | |
| Valores e Reservas do Tesouro Nacional | 185 Bilhões de Dólares Negativos | 160 Bilhões de Dólares Positivos | |
| Créditos para o povo/PIB | 14% | 34% | |
| Estradas de Ferro | Nenhuma | 3 em andamento | |
| Estradas Rodoviárias | 90% danificadas | 70% recuperadas | |
| Industria Automobilística | Em baixa, 20% | Em alta, 30% | |
| Crises internacionais | 4, arrasando o país | Nenhuma, pelas reservas acumuladas | |
| Cambio | Fixo, estourando o Tesouro Nacional | Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central | |
| Taxas de Juros SELIC | 27% | 11% | |
| Mobilidade Social | 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza | 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza | |
| Empregos | 780 mil | 11 milhões | |
| Investimentos em infraestrutura | Nenhum | 504 Bilhões de reais previstos até 2010 | |
| Mercado internacional | Brasil sem crédito | Brasil reconhecido como investment grade |
Três mil estudantes não se amedrontaram com bombas e cassetetes e mandaram seu recado
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O governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM), mandou a polícia reprimir com uma violência inaudita a manifestação de estudantes organizada na quarta-feira, em frente ao Palácio do Buriti, contra os escândalos de corrupção nos quais ele é o cabeça. Cerca de 3.000 estudantes foram agredidos por 400 policiais e pela cavalaria da Polícia Militar. A selvageria ordenada por Arruda feriu oito pessoas, entre elas uma menina de 12 anos, moradora de Valparaíso, que acompanhava a irmã no protesto. Estava na calçada, em frente ao tribunal, e foi atingida nas pernas por cassetetes.
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De acordo com os manifestantes, o movimento transcorria pacificamente em frente ao Palácio e recebia o apoio dos motoristas que trafegavam pelo local, quando a polícia iniciou as agressões. “Apesar de todos os carros que estavam parados estarem nos apoiando, a polícia quis repreender os manifestantes. Começou uma grande confusão e daí se expandiu”, relata Levy Brandão, integrante da comissão “Fora Arruda e sua máfia”.
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Diversas faixas pedindo a saída do governador foram estendidas pelos manifestantes. Uma delas tinha os dizeres “Arruda, seu lugar é na Papuda”. Em referência à penitenciária da capital. O governador foi flagrado em gravações feitas por um de seus secretários, recebendo um pacote de R$ 50 mil diretamente das mãos do seu funcionário. A Operação “Caixa de Pandora” da Polícia Federal obteve e divulgou fartas imagens do governador e de seus aliados recebendo pacotes e mais pacotes de dinheiro, indignando a sociedade. Em nota, alegou que o dinheiro “era para comprar panetone para o povo carente”.
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O secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, foi o funcionário que fez o acordo de delação premiada com a PF e gravou os filmes. Calcula-se que o esquema tenha movimentado ao todo mais de R$ 500 milhões. Um dos aliados de Arruda, o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (DEM), chegou a ser filmado guardando dinheiro em todos os bolsos e até em suas meias.
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Foram onze os pedidos de impeachment do governador e de seu vice, Paulo Otávio (DEM), também citado nos depoimentos como beneficiário do esquema montado dentro do governo do Distrito Federal. A divisão era 40% para o governador, 30% para o vice e o restante para os demais. Contudo, dos onze pedidos a Câmara Legislativa do DF aceitou três que agora passam a tramitar na Casa. Os pedidos de impeachment de Paulo Octavio foram rejeitados, porque a Procuradoria da Câmara entendeu que o vice só poderia ser alvo de afastamento se estivesse no exercício do cargo, segundo lei federal.
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O local escolhido para o protesto contra
Arruda foi simbólico porque a administração de Brasília vem funcionando temporariamente na cidade satélite de Taguatinga. O ato teve início com pronunciamentos de políticos e representantes das entidades que compõem o “Movimento Contra a Corrupção”. “Só conseguiremos tirar o governo local se houver mobilização popular. É preciso conscientização para mudar todo esse esquema sujo”, afirmou a presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rejane Pitanga. Fizeram parte ainda do protesto, a UNE, a UBEs, centrais sindicais e outras entidades populares.
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Montados em cavalos e atirando com bombas de gás lacrimogenio e balas de borracha, os policiais deram o início à agressão para dispersar os manifestantes. Com cassetetes, eles foram ao encontro dos estudantes. Mas a repressão não foi o bastante para coibir a manifestação. Os estudantes se reuniram em outros lugares e se espalharam por todo o gramado até a Rodoviária de Brasília.
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Cenas chocantes mostraram um estudante deitado no meio da pista sendo pisoteado pelos cavalos. Outro manifestante, arrastado para o gramado, sofreu várias agressões. Os policiais usaram gás de pimenta para afastar os jornalistas que filmavam a ação.
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Com frases como “Arruda na papuda e PO (Paulo Otávio) no xilindró” e outras, os ativistas caminharam entre os carros. Muitos motoristas manifestaram apoio, buzinando e mostrando panfletos, ou adesivos, com os dizeres “Fora Arruda”. A polícia bloqueou a passagem dos carros para poder agredir os manifestantes. Foi o momento que eles atiraram com as armas de borracha e lançaram bombas de gás.
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A violência de Arruda foi repudiada por vários setores da sociedade. O presidente em exercício da Câmara Legislativa do DF, Cabo Patrício (PT), disse que a pressão pelo afastamento dos envolvidos vai continuar. O Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) protestou e convocou novos protestos. Durante o ato foram colhidas assinaturas pedindo a abertura de impeachment contra o governador. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que também já havia entrado com processo contra a dupla Arruda/Otávio também protestou.
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Entre as denúncias, Durval Barbosa revelou à Polícia Federal que recebeu um pacote de dinheiro enviado por Sedex pela empresa de informática CTIS “para chegar ao governador José Roberto Arruda (DEM) e demais pessoas”. Durval fez chegar o pacote à Polícia Federal que iniciou as investigações. A CTIS Tecnologia S/A é uma empresa que tem em sua direção o tucano Fernando Gusmão Wellisch, que foi diretor de tecnologia do Banco do Brasil na administração Fernando Henrique Cardoso e dirigiu a Secretaria de Coordenação e Controle de Empresas Estatais, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, no período em que Serra foi ministro da pasta. A empresa tem um contrato para alugar 100 mil microcomputadores ao governo de José Serra (PSDB), em São Paulo, no valor de R$ 400 milhões.
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Arruda, o preferido de José Serra para compor a vice em sua chapa para as eleições de 2010, depois do flagrante, responde agora a processo de expulsão do partido. O caminho da violência não vai impedir as punições ao governador demista.
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SÉRGIO CRUZ
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Original em Hora do Povo
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Marcadores: "Democratas", Brasil, corrupção, oposição, repressão
Se tratar da língua é tratar de um tema político, a fala sem rodeios do presidente Lula, durante cerimônia de assinatura dos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida, no Maranhão, vai encher a seção de cartas de jornais e revistas, além de dar o tom do moralismo seletivo dos grandes articulistas.
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Por Gilson Caroni Filho*, na Carta Maior
Fingirão não saber que palavras tidas como chulas são formas lingüísticas ímpares para expressar emoções que permeiam o corpo e os amplos campos das relações sociais. Não está em questão se o emprego se deu em contexto adequado, mas o que move o coro dos “indignados”.
Ao afirmar que "eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra; esse é o dado concreto", Lula tem consciência de que os opositores dirão que desrespeitou a postura pública que deveria manter em face de majestade do cargo que ocupa. Tanto que se antecipa à crítica anunciada: “Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão, mas eu tenho consciência que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre desse país".
Como tem sido colonizada para ter vergonha de ser o que é, uma boa parcela da classe média urbana se apresenta como defensora intransigente da propriedade, da família e do Estado Patrimonial. Confunde governo e salvação, ignora a representação, desconhece direitos sociais e políticos, menosprezando a exploração econômica, embora seja “mobilizável” por campanhas de caridades que reforcem a sua imagem de privilegiadas. Em busca de ilusões perdidas, está disponível para aventuras que realçam a ferocidade dos seus recalques. E qualquer enunciado que apresente um padrão variante é o suficiente para açular o seu ódio de classe.
Pouco lhe importa se campeia a violência, a truculência e a miséria. Em seu ilusório casulo, o que merece relevo é o destempero verbal de um presidente que não segue os padrões dos antigos donos do poder. É de pouca importância se o governo anterior reduziu a zero os empréstimos da Caixa Econômica Federal às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Também não lhe tira o sono se a decisão política do tucanato provocou, além da dengue, surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. Ora, doenças resultantes da falta de saneamento não lhe incomodam, pois fezes liquefeitas são desprezíveis. A merda que lhe aflige é aquela que aparece no improviso presidencial como dado concreto.
Para Lula, o descalabro no saneamento é uma tragédia, e, de fato, o é. Por sua história, o presidente faz parte de uma legião de sobreviventes. De um exército que resistiu a séculos de dificuldades imensas, naturais e humanas. Tem orgulho saudável de sua força. Da força desse povo que come mandacaru e capulho verde de algodão e ainda tem a esperança desesperada de querer viver. Isso é coragem, é grandeza. Essa é a merda que a causa engulhos na grande imprensa e nos seus leitores indignados. Mas indignados com o quê, afinal?
Indignados pela existência de erros que se repetem há tempos? Indignados pela impotência de um saber divorciado da dimensão histórica e da responsabilidade social que deveria caber aos centros de ensino que freqüentaram? Indignados pela ameaça, concreta e imediata, da morte, pela fome endêmica e, até bem pouco tempo epidêmica, dos mais miseráveis? Não. O que os ruborizados pelo emprego da palavra "merda" não suportam é a ausência do promotor da "paz social", do garantidor de uma ordem política que lhes oferecia, através do conservadorismo autoritário, uma institucionalidade que muito apreciavam ética e esteticamente. Um simulacro de república feito sob medida.
O problema é que a vestimenta institucional brasileira parece calça curta, fazendo o país caminhar desajeitado, com medo do ridículo. A reforma mais urgente requer produção crescente de cidadania, a criação incessante de sujeitos portadores de direitos e deveres. Em uma sociedade fracionada, essa é a "merda" que ameaça e choca os estamentos mais reacionários: a realidade que não deveria ter emergido com modelagem tão nítida.
* Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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Em entrevista a uma emissora de televisão no Ceará, domingo à noite, o presidente do PPS, Roberto Freire, defendeu que a campanha do PSDB para presidente em 2010 se distancie do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pergunta vai e vem sobre as eleições e Freire sai em defesa da candidatura José Serra, afirmando: "A política econômica de FH não é a do PSDB. Não vamos associar isso ao programa de José Serra, por favor!".
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No dia em que o presidente Lula foi vistoriar as obras de revitalização do rio São Francisco, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou uma suposta falta de investimentos em áreas ribeirinhas do Rio São Francisco, relegadas pela transposição, na opinião dele.
O governador de São Paulo, José Serra, assinou um manifesto do PSDB em defesa da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, acusada pelo Ministério Público Federal do RS de integrar uma quadrilha que estaria instalada do aparelho de Estado. O manifesto destaca a "competência e o respeito a princípios éticos" de Yeda e dá total solidariedade à governadora que enfrenta um processo de impeachment na Assembléia Legislativa do RS. O texto afirma:
Assinam o documento:"A direção nacional do PSDB, os governadores eleitos pelo PSDB e os líderes partidários vêm reiterar o enorme respeito que têm pela governadora Yeda Crusius e por toda a sua longa trajetória política, construída com competência e respeito a princípios éticos.
Estamos seguros de que a governadora saberá responder a cada uma das acusações que lhe são imputadas por seus opositores no Estado.
Lamentamos ainda que a radicalização do quadro político no RS esteja colocando em segundo plano a importante obra administrativa do Governo Estadual, que vem buscando, com extrema seriedade, o equilíbrio das contas públicas e o resgate da credibilidade interna e externa do Estado.
Com este documento tornamos pública nossa total solidariedade à governadora Yeda Crusius, ao PSDB do RS e aos nossos aliados".
José Serra - Governador de São Paulo
Aécio Neves - Governador de Minas Gerais
Teotônio Vilela Filho - Governador de Alagoas
José de Anchieta Junior - Governador de Roraima
Sérgio Guerra - Senador, presidente do PSDB
Arthur Virgílio - Senador
José Aníbal - Deputado Federal
Original em Carta Maior
A moralidade de quase todos os grandes órgãos da imprensa brasileira está empenhada em corroer a candidatura Dilma Rousseff, custe o que custar. A observação de Gramsci sobre a "imprensa que adquire funções de partido político" se aplica como uma luva ao jornalismo praticado hoje no país. Carlos Lacerda (foto), caracterizado como "o Corvo" nas charges publicadas pelo jornal getulista Última Hora, manejava com maestria o ferramental de fraudes &
ofensas, que hoje encontra aprendizes excitados nas redações.
Saul Leblon
O método da calúnia é tão antigo no arsenal político da direita quanto o seu objetivo de alcançar o poder a qualquer custo, seja pelo voto, o impeachment, o golpe, a fraude ou uma mistura das quatro coisas simultaneamente, como fez a UDN nas eleições de 1955, na primeira chance real de chegar ao poder pelo voto, depois da tentativa de golpe abortado pelo suicídio de Vargas.
Não deu certo. Os udenistas Juarez Távora e Milton Campos tiveram 30% dos votos contra 36% dados a Juscelino. A vitória apertada, mas indiscutível da chapa que tinha como vice João Goulart, herdeiro político de Vargas, não desanimou os udenistas.
Derrotados nas urnas em outubro de 1955, desencadearam uma campanha agressiva para impedir a posse de Kubitschek, marcada para janeiro do ano seguinte. Na linha de frente do golpismo estava o jornal O Estado de São Paulo - alter-ego da UDN paulista. O mesmo que hoje lidera a pressão pela derrubada de Sarney em nome da "moralização" do Congresso e da faxina ética na política nacional.
Não é preciso ser simpatizante da oligarquia maranhense para suspeitar que exista algo mais do que mau jornalismo no bombardeio que atribui a Sarney todas as malfeitorias praticadas no Senado, desde a sua criação em 1824, na primeira Constituição do Império. O que está por trás é a volta do arsenal "democrático" udenista em pleno aquecimento para 2010, quando o PMDB terá peso decisivo na sucessão de Lula, que cultiva o apoio da legenda num acordo de reciprocidade com Sarney.
A ressalva é tão óbvia que chega a ser admitida nas entrelinhas de editorialistas espertos, funcionando mais como salvaguarda cínica do texto, do que uma crítica efetiva ao jornalismo praticado em nome da moralidade.
A moralidade de quase todos os grandes órgãos da imprensa brasileira está empenhada em corroer a candidatura Dilma Rousseff, custe o que custar. A observação de Gramsci sobre a "imprensa que adquire funções de partido político" se aplica como uma luva ao jornalismo praticado hoje no país.
Cada flanco que se abre nas fileiras do governo aciona pautas especiais; mini-editorias específicas; forças-tarefas montadas à toque de caixa. "Analistas" e acadêmicos são requisitados para teorizar sobre "a decadência irreversível do petismo", ao mesmo tempo em que petistas hesitantes, e ex-petistas recorrentes, endossam a dissolução da pureza vermelha contaminada pelos vícios do poder.
Desprovida de partidos de massa, a direita sempre teve nas campanhas midiáticas um valioso instrumento de intervenção na ordem institucional. Se desta vez a mutação flagrada por Gramsci ganha acentuação inédita é porque os resultados acumulados pelos dois mandatos de Lula deixaram um minúsculo campo programático para a coalizão demotucana se movimentar em 2010. O braço midiático deve compensar com denúncias a fragilidade propositiva.
Malgrado as limitações da aliança que o sustenta, Lula superou a pior crise do capitalismo desde 1930, acentuando as linhas de vantagem do seu governo em relação à estratégia conservadora abraçada pelo PSDB e predominantemente apoiada pela mídia. A saber: o desastroso recuo do Estado em todas as frentes do desenvolvimento; o alinhamento carnal com os EUA na política externa e comercial; a terceirização dos grandes desafios sociais à "eficiência dos mercados auto-regulados". Hoje esse cardápio se traduz na tentativa de desconstrução caluniosa da candidatura Dilma Rousseff; nas denúncias contra a Petrobras e na torcida mal-disfarçada com o êxito do país no pré-sal.
Tivesse o Brasil persistido nessa rota, seria hoje uma terra arrasada por desemprego e quebradeira, a exemplo do que sucede no Leste europeu - última fronteira de expansão do neoliberalismo e seu obituário mais dramático.
Ocultar esse flanco substituindo o principal pelo secundário, portanto, sobrepondo à transparência da crise o que o monopólio midiático pauta como relevante, é o recurso precioso de Serra para contrabalançar sua opacidade programática em 2010.
Trata-se de uma das especialidades legadas pelo udenismo à política nacional. Carlos Lacerda, caracterizado como "o Corvo" nas charges publicadas pelo jornal getulista Última Hora, manejava com maestria o ferramental de fraudes & ofensas, que hoje encontra aprendizes excitados nas redações.
Exemplos: dia 22 de agosto o comentarista político Fernando Rodrigues, classificou o senador Mercadante de "vassalo" do Planalto, com chamada na primeira página da Folha; antes dele, Danuza Leão comparou a ministra Dilma Rousseff, na mesma Folha, a um misto de pai autoritário e diretora "carrasca". Analista das Organizações Globo, o que não significa apenas uma inserção profissional, Lucia Hippolito espetou no título de um comentário sobre o PT (Globo online) o vocábulo-síntese de sua filiação carnal ao udenismo: "a pelegada".
A fome dos petizes lacerdistas encontra fontes obsequiosas nas fileiras oposicionistas.
Olhos, ouvidos e bocas de Serra na capital federal, ao lado de Virgílio, Agripino, Sergio Guerra e Jereissati, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) definiu o PT, em recente entrevista, como uma sublegenda do "lulismo". Na boa tradição udenista equiparou o "lulismo", portanto o Presidente da República, aos "caudilhismos latino-americanos, a exemplo do peronismo argentino". O conservadorismo do senador evoca um tema recorrente no cardápio lacerdista, que inspirou violenta campanha contra Vargas nos anos 50, fartamente difundida pela rádio Globo, dirigida pelo jovem udenista, Roberto Marinho.
Vale a pena rememorar esse "case" do modo udenista de abduzir a realidade e derivar daí vale-tudo de aniquilação dos adversários.
Em abril de 1954, o governo Vargas sangrava. Uma ciranda de ataques descomprometidos de qualquer outra lógica que não a derrubada de um projeto de desenvolvimento nacionalista fustigava o Presidente que criara a Petrobras, o BNDES e aplicava uma política de fortalecimento do mercado interno com forte incremento do salário mínimo.
O clima pesado de acusações e ofensas pessoais atingia Getúlio e sua família de forma indiscriminada. Lutero, irmão do Presidente, era tratado nas manchetes como "bastardo" e "ladrão". O ministro do Trabalho, João Goulart, era reduzido a "personagem de boate". Faltava, porém, um ponto de coagulação para transformar o tiroteio desordenado em míssil capaz de abrir um rombo na legalidade institucional.
Em meio à radicalização, em março de 54 surge a denúncia de que "os caudilhos" Vargas e Perón planejavam um suposto "Pacto ABC" (Argentina –Brasil –Chile), cuja meta era "a integração sul-americana num arquipélago de repúblicas sindicais contra os EUA". Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e na rádio Globo, e a Banda de Música da UDN no Congresso – um pouco como o jogral que hoje modula as vozes da coalização demotucana e da mídia "ética" - martelavam a denúncia incansavelmente, testando por aproximação as condições para o impeachment de Vargas.
A notícia do pacto foi vigorosamente desmentida pela chancelaria argentina, mas um ex-ministro rompido com Getúlio aliou-se a Lacerda para oferecer "evidências" das negociações entre o Brasil e Perón.
A inexistência de provas – exceto a menção genérica de Perón a uma aliança regional — não demoveu a mídia que deu à declaração ressentida do ex-ministro contornos de verdade inquestionável, repetida à exaustão até acuar o governo. Vargas reagiu na única direção que lhe restava. No 1º de maio de 1954 anunciou o famoso reajuste de 100% para o salário mínimo num discurso marcado por elogios a Goulart, o ministro do Trabalho, mentor do reajuste, afastado pela pressão udenista.
Ao conclamar os trabalhadores a se organizarem para defender seus próprios interesses, o discurso de 1º de Maio soava como um ensaio de despedida. Talvez até mais radical, na convocação aos trabalhadores, do que a própria Carta Testamento deixada quatro meses depois, quando o Presidente atirou contra o próprio peito para não ceder à pressão da mídia pela renúncia.
"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...). Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo"
(Getúlio Vargas, 1º de Maio de 1954).
A dramaticidade do suicídio iluminou o quadro político gerando transparência e revolta diante do golpismo em marcha. Porta-vozes da oposição a Getúlio foram escorraçados nas ruas do Rio; uma multidão consternada e enfurecida cercou e depredou a rádio Globo que saiu do ar; veículos do jornal de Roberto Marinho foram caçados e queimados nas ruas da cidade. Para Carlos Lacerda não sobrou um centímetro de segurança em terra: o "Corvo" foi obrigado refugiar-se no mar, a bordo do cruzador Barroso.
A determinação conservadora de arrebatar o poder, todavia, não esmoreceu.
Poucas semanas depois do suicídio, em 16 de setembro de 1954, uma segunda "denúncia" associada ao Pacto ABC explodiria nos microfones da rádio Globo. Era a largada, com 12 meses de antecipação, para a primeira disputa eleitoral em vinte e quatro anos que não contaria com a presença divisora de Getúlio na cena nacional.
O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto e adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955. Na voz estridente de Lacerda, comentarista de diversos programas da emissora de Marinho, foi lida em primeira mão a "Carta Brandi". Uma suposta correspondência do deputado argentino Antonio Brandi a João Goulart, apresentada como a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".
Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para aprofundar as investigações.
A conclusão oficial de que tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada por Lacerda e alimentada pela imprensa anti-getulista, não abalou seus protagonistas. Lacerda rapidamente mudou o foco da denúncia, invertendo os termos da equação: fora vítima de uma cilada, uma isca arquitetada por adversários eleitorais para desmoralizar a democracia e acelerar a implantação de uma república sindical no país - exatamente como descrevia a (falsa) "Carta Brandi". "(...)
Se a carta não é verdadeira", escreveu na Tribuna de Imprensa, um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango no pleito de outubro de 1955, "seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do Sr. Goulart..."
Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista que povoa a mídia tucana nos nossos dias não é mera coincidência. Os mesmos objetivos, os mesmos métodos, a mesma elasticidade ética e democrática estão de volta.
A vitória apertada de JK em 1955 foi tratada pelo udenismo como um sintoma de "ilegalidade das urnas". Inconformada, a chamada "imprensa da UDN" iniciou uma nova campanha, desta vez liderada pelo jornal Estado de São Paulo, que não poupou papel e tinta na luta para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.
Se chegaram a esse ponto contra JK em 1955 e fracassaram, muito se deve ao desbloqueio do discernimento popular causado pelo suicídio do estrategista genial que foi Getúlio Vargas. O arsenal udenista, porém, está de volta e seu partido midiático não disfarça a determinação de transformar 2010 na nova inflexão conservadora na vida do país. Resta saber que força poderá detê-los agora, a ponto de despertar na sociedade o mesmo efeito esclarecedor do tiro que sacudiu o país na manhã de 24 de agosto de 1954.
Original em Carta Maior
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Cuando con sangre escribe
Fidel este soldado que por la Patria
muere, no digáis miserere:
esa sangre es el símbolo de la
Patria que vive.
Cuando su voz en pena,
lengua para expresarse parece que
no halla,
no digáis que se calla,
pues en la pura lengua de la Patria
resuena.
Cuando su cuerpo baja
exánime a la tierra que lo cubre
ambiciosa,
no digáis que reposa,
pues por la Patria en pie
resplandece y trabaja.
Ya nadie habrá que pueda
parar su corazón unido y repartido.
No digáis que se ha ido:
su sangre numerosa junto a la Patria queda
Nicolás Guillén
(Llanto de un heladero)
Por: Julio Marchan
Quando a opressão aumenta
Muitos se desencorajam Mas a coragem dele cresce. Ele organiza a luta Pelo tostão do salário, pela água do chá E pelo poder no Estado. Pergunta à propriedade: Donde vens tu? Pergunta às opiniões: A quem aproveitais? Onde quer que todos calem Ali falará ele E onde reina a opressão e se fala do Destino Ele nomeará os nomes. Onde se senta à mesa Senta-se a insatisfação à mesa A comida estraga-se E reconhece-se que o quarto é acanhado. Pra onde quer que o expulsem, para lá Vai a revolta, e donde é escorraçado Fica ainda lá o desassossego.
Bertold Brecht
Tradução de Paulo Quintela
Bertold Brecht
Sempre que a nosso casaco se rasga
Vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser
Isso vai acabar, custe a que custar!
Cheios de fé vão aos senhores
Enquanto nós, cheios de frio, aguardamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Nos mostram o que por nós conquistam:
Um pequeno remendo.
Ótimo, eis o remendo
Mas onde está
O nosso casaco?
Sempre que nós gritamos de fome
Vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar
É preciso ajudá-las, custe a que custar!
E cheias de ardor vão aos senhores
Enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Exibem a grande conquista:
Um pedacinho de pão.
Que bom, este é o pedaço de pão
Mas onde está
O pão?
Não precisamos só do remendo
Precisamos o casaco inteiro.
Não precisamos de pedaços de pão
Precisamos de pão verdadeiro.
Não precisamos só do emprego
Toda a fábrica precisamos.
E mais a carvão
E mais as minas
O povo no poder.
É disso que precisamos.
Que têm vocês
A nos dar?
Escorraçado pelo povo norte-americano, responsável pelo triste quadro em que os EUA se encontram internamente e diante do mundo, e conhecido de todos como o chefe da tortura de Guantánamo e Abu Graib, W. Bush se meteu, durante turnê à África, a babar comentários sobre a maior personalidade viva do planeta, Fidel Castro, estimado por seu povo como herói e admira do no planeta inteiro. Nada poderia ser mais contrastante que as bobagens de Bush e a mensagem de Fidel. Um, o bêbado, fujão do serviço militar e joguete da máfia do petróleo e de Wall Street. O terrorista nº 1 contra a Humanidade e rei do grampo. O outro, o guerrilheiro de Sierra Maestra, o líder revolucionário que libertou Cuba da ditadura e da condição de colônia dos ianques no Caribe. Que transformou uma pequena ilha num exemplo de dignidade e soberania. Fidel, capaz de juntar um milhão de pessoas para ouvi-lo, com emoção, por horas. O outro, conhecido por seus diálogos com as vacas no seu rancho e por repetir o ponto eletrônico na TV. Fidel, que liderou seu povo no apoio à libertação dos povos irmãos africanos e à derrota do apartheid. W.Bush, duas vezes genocida, no Iraque e no Afeganistão. Num certo momento, apesar de querer jogar sobre Fidel, era de si mesmo que Bush falava: “presos políticos vão apodrecer na prisão e as condições permanecerão patéticas em muitos casos”. E quando é que a “democracia de verdade” dos Bush vai fechar Guantánamo, Abu Graib, Bagram e todas as prisões negras secretas da CIA?
Hora do Povo
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Quem se defende porque lhe tiram o ar Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas O mesmo parágrafo silencia Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão. E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre Não lhe é permitido se defender.
«Avante!» Clandestino
O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista.Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da liberdade e da democracia.
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Pesquisa nacional encomendada pelo PSDB revelou que a maioria dos eleitores aprova um novo mandato para o presidente Lula. A sondagem, que ouviu 3.500 pessoas em todo o Brasil, foi realizada apenas para consumo interno, mas acabou vazando. Perguntados se votariam em Lula para um terceiro mandato, no caso dele poder se candidatar nas eleições presidenciais de 2010, 56% dos entrevistados responderam afirmativamente. As privatizações de FH foram consideradas o pior dos tucanos.
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Bertold Brecht
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.