Além do Cidadão Kane

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Consolida-se o processo progressista na Bolívia

Vitória sobre o domínio imperialista

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O triunfo eleitoral de Evo Morales e do Movimento para o Socialismo (MAS) nas eleições bolivianas representa a vitória das forças progressistas e soberanas sobre a dominação imperialista que condenava o país ao subdesenvolvimento e o povo à exclusão, injustiça e miséria.

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No sufrágio do passado dia 6, Evo Morales e o MAS quebraram o recorde de votação em todas as anteriores consultas e referendos, alcançando, respectivamente, 63 por cento para a presidência da República - garantindo, assim, a recondução de Morales no cargo -, e uma maioria de mais de dois terços, 110 deputados num total de 166, no parlamento do país. Acresce o fato de terem derrotado a oposição conservadora e golpista, os sectores da direita mais reacionária, em sete das nove províncias do território.

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Os números não são novos e foram, aliás, publicados anteriormente pelo Avante!. Mas a vitória das forças que defendem os interesses populares, a soberania e a democracia na Bolívia representa mais que uma esmagadora tradução em votos do apoio popular a Evo Morales e ao MAS. Significa, sobretudo, o reforço da base social e política do projeto de refundação nacional levado a cabo nos últimos anos, e a expressão, em sufrágio universal, da defesa das propostas que o presidente e as forças progressistas, democráticas e revolucionárias que o sustentam procuram concretizar.

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Propostas que ficaram claras no período da campanha eleitoral e que Evo Morales veio reiterar depois da ida às urnas – consolidação do Estado plurinacional e da participação do povo nas decisões estratégicas; reforma dos sistemas jurídico, de educação, de saúde e de previdência; combate à pobreza, à exclusão social, à corrupção e ao crescimento das grandes fortunas acumuladas pela oligarquia que controla alguns poderes locais e atividades produtivas; impulso decisivo à economia com o setor público e a exploração das riquezas naturais - gás, petróleo e minério - a serem os motores do desenvolvimento dos demais sectores e da industrialização do país, orientação vital para que a Bolívia deixe de ser, fundamentalmente, um exportador de matérias-primas.

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Caminho percorrido

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O triunfo eleitoral apresenta-se, simultaneamente, no quadro do reconhecimento por parte do povo do trabalho realizado pelo governo. A nacionalização dos hidrocarbonetos, os avanços na democratização do acesso à terra, o combate ao analfabetismo e a aposta na formação de quatros técnicos e superiores, medidas de âmbito social como o apoio às crianças e os idosos foram concretizadas.

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Da mesma forma, a ação do executivo permitiu tirar a Bolívia do triste lugar de nação mais pobre da América Latina. O PIB mais que duplicou em quatro anos e o rendimento

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Tudo isto foi amplamente ratificado pelo povo. E ainda que os EUA ameacem - como fez a semana passada a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, considerando que a aproximação da Bolívia (e da Venezuela) ao Irã registra o estabelecimento de laços com «um dos maiores promotores do terrorismo» -, a verdade é que os bolivianos, a imensa maioria dos bolivianos, estão, livre e conscientemente ao lado das orientações anti-imperialistas e antimonopolistas.

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Original em Avante!

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ABAIXO-ASSINADO INTERNACIONAL EM DEFESA DA LIBERDADE DE CESARE BATTISTI


O escritor e perseguido político Cesare Battisti ainda está preso no Brasil, ao arrepio da Lei e da jurisprudência, embora já em janeiro/2009 devesse ter sido libertado em função do reconhecimento de sua condição de refugiado político por parte do governo brasileiro. E a Italia continua movendo céus e terras para impor sua extradição, numa campanha que mobiliza recursos astronômicos e utiliza pressões as mais descabidas para vergar as autoridades brasileiras a seus desígnios.
Pedimos aos cidadãos com espírito de justiça, no Brasil e no mundo, que divulguem este abaixo-assinado para a libertação de Cesare Battisti. E, também, que façam chegar sua tomada de posição aos seguintes endereços:

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LIBERDADE PARA BATTISTI

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Sr. Presidente da República Federativa do Brasil,
Sr. Presidente do Supremo Tribunal,
Sr. Ministro da Justiça,
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.........................................nós, abaixo-assinados, pedimos-lhes solenemente que não extraditem Cesare Battisti, que lhe ofereçam o refúgio político humanitário e que lhe permitam viver no seu país, como ele disse desejar.

A decisão tomada pelo ministro da Justiça em 23/01/2009, de atribuir-lhe o refúgio político humanitário, honra o seu país e o povo brasileiro. Honra todo o Brasil, não somente pelo seu alcance individual, mas, sobretudo, pelo seu alcance universal -- até porque, como sublinhou a ONU, existe um real perigo de que se esvazie a instituição do refúgio.

Apesar desta decisão soberana, a Itália continua fazer pressão sobre o vosso governo para exigir a extradição de Cesare Battisti. Frente a essa pressão reiterada, sem considerar o conjunto do processo agora conhecido, desejamos retomar alguns elementos que devem permitir compreender-se que, além do caso Cesare Battisti (que não é unico), é da defesa das liberdades democráticas que se trata.

Não é o caso de discutir o carácter democrático ou não da Itália. É indispensável recordar que este país foi objeto de numerosas denúncias por parte do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e de organizações reconhecidas em nível internacional, relativas à tortura, bem como à implicação dos diferentes serviços policiais e judiciais em casos de suspensão e desrespeito das regras do Direito internacional em matéria de direitos humanos.

Desde 1979, os relatórios da Anistia International referem alegações de tortura ou de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, tanto nas detenções como em prisão preventiva, além da prestação de cuidados médicos insuficientes aos detidos.

Até hoje, no seu último relatório de 2009, a Anistia Internacional destaca: as autoridades italianas ainda não inscreveram a tortura entre os crimes sancionados pelo Código Penal. Também não instauraram mecanismo eficaz que assegure que a polícia preste conta dos seus atos.

Os anos de chumbo, na Itália, inscrevem-se num contexto internacional em que, do México à França, passando pela Checoslováquia, milhões de pessoas manifestam contra o autoritarismo e procuram construir um mundo ideal de liberdade e de justiça.

A América Latina pagará muito caro esta sede de liberdade. Os sucessivos golpes de estado fomentados pelos Estados Unidos para extirpar os movimentos que prejudicavam os seus interesses seriam apoiados pelos países da Otan, e a França. Estratégia do terror, tortura, desaparecimentos e eliminação sistemática dos oponentes foram então erigidos em método de governo. A Europa não escapou a este processo; e a Itália, sem dúvida, menos ainda que os outros países.

Aí está porque é necessário recordarmos que, precisamente, estas estratégias de tensão e terror, bem como os riscos de golpe de estado fascista, tomaram corpo naquele país, como testemunham os atentados e massacres perpetrados pelo grupo Loja P2, os circulos fascistas e os serviços de informação italianos.

Piazza Fontana (1969 - 17 mortos, 88 feridos), Brescia (1974 - 8 mortos, 94 feridos), Bolonha (1980 - 85 mortos, 200 feridos) são os atentados mais notáveis desse período, mas estão longe de ser os únicos.

No decreto de novembro de 1995, O tribunal supremo italiano revelou a existencia de uma vasta associacão subversiva composta, de uma parte por elementos provenientes de movimentos neo-facistas dissolvidos, como Paolo Signorelli, Massimiliano Fachini, Stefano Delle Chiaie, Adriano Tilgher, Maurizio Giorgi e Marco Ballan; e, por outra parte, Licio Gelli (chefe do grupo Loja P2), Francesco Pazienza, o colaborador do diretor geral do serviço de informação militar SISMI, e dois outros oficiais do serviço a saber, o general Pietro Musumeci e o coronel Giuseppe Belmont.

É nesse contexto que mais de 400 organizacões estruturaram-se para lutar contra o fascismo; e que dezenas de milhares de italianos foram às ruas e atacaram tais milícias. Milhares de opositores do fascismo foram condenados a seculos de prisão.

Sustentar-se hoje que estas condenações não se inscreveram num contexto político e que foram decretadas apenas contra qualquer malfeitor sem fé nem lei, revela simplesmente uma negação da realidade. Ou, mais precisamente, um disfarce da História, que serve para ocultar as razões pelas quais, ainda hoje, o risco fascista persiste na Itália.

A recaída no fascismo ameaça a Europa democrática desde a primeira eleição de Silvio Berlusconi em 1994. Este aliou-se a um partido abertamente xenófobo e federalista, a Liga do Norte; e, na Aliança Nacional , retomou o chefe do MSI Giorgio Almirante (chefe de gabinete de ministro da Cultura popular de Mussolini e membro da guarda nacional da República de Salò). A página mussolineana está longe de ser página virada.

As últimas leis votadas pela Itália são também objeto de preocupações crescentes entre os organismos internacionais de defesa dos direitos humanos, devido ao seu carácter racista e xenófobo, bem como ao descumprimento de suas obrigações internacionais (vide o relatório da Anistia Internacional de 2009 e os comunicados de imprensa de 07.05.09 e 03.07.09, dentre outros).

Numerosas são as acusações de maus tratos, tortura e violação da dignidade humana que continuam a pesar sobre o sistema carcerario italiano. Ainda em julho de 2009 a Itália voltou a ser condenada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pelas condições de detenção julgadas degradantes.

Nessas condições, é evidente que a extradição de Cesare Battisti e sua condução às prisões italianas colocariam em efetivo perigo a sua integridade física e psicologica.

Os fatos pelos quais Cesare Battisti foi condenado situam-se claramente num contexto político e a obstinação vingativa da qual é objeto revela-se igualmente politica. É por isso que, seguindo a decisão do Ministro da justiça, rogamos-lhe liberar Cesare Battisti e garantir-lhe o refúgio político humanitário político que lhe foi outorgado em janeiro de 2009.

O seu país faz, doravante, parte de um continente no qual a esperança renasce. São nações que, afirmando a sua independência, libertaram-se das tutelas estrangeiras.

Estamos convencidos que vocês não voltarão ao passado, extraditando Cesare Battisti, o que seria uma reincidência na terrível decisão do governo que entregou Olga Benario, companheira de Luiz Carlos Prestes, à Alemanha nazista.

Estamos certos que reafirmarão a independência do seu país e sua adesão aos ideais de liberdade e de justiça.

Cremos que colocarão Cesare Battisti em liberdade.
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Em: agosto/2009
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Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti

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Original em O Rebate

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entrevista a Adolfo Pérez Esquivel, premio Nobel da Paz em 1980

"Estados Unidos é um espinho cravado na América Latina"
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Traduzido por Rosalvo Maciel
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Adolfo Pérez Esquivel (Buenos Aires, 1931) chega à entrevista com sandálias e o cabelo revolto. O premio Nobel da Paz em 1980 tem a voz doce e parece como se, para ele, o tempo no tivesse importância e pudesse passar-se toda uma vida falando de luta, de mudanças e de esperanças.

Você tem dito que o golpe de Estado em Honduras não se haveria podido produzir sem o consentimento dos estadunidenses. Não confía no Governo de Barack Obama?


Creio que Obama é um homem com boas intenções, mas uma coisa é chegar ao Governo e outra coisa é chegar ao poder. Creio que Obama foi o primeiro surpreendido com o golpe de Estado em Honduras. Mas se Obama não tem possibilidades de mudança reais sobre a herança de Bush será um Governo péssimo. Uma coisa é o discurso e outra coisa é a realidade. Obama quis fechar a prisão de Guantánamo e não pode; quis fechar a de Abu Ghraib e não pode. Obama governa, mas não muda as estruturas do poder. Há que ajudar-lo.

Os outros governos têm que ajudá-lo?

Há que ajudá-lo a poder construir uma democracia real nos Estados Unidos.

Mas os americanos crêem que vivem em uma democracia real

Não a tem porque o governo real não está nos governos mas nas empresas multinacionais, que são as que definem as políticas dos governos.

Há quem diga que o pior que ocorre ao México é estar tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos. Isto vale para toda a América Latina?

Eu creio que os Estados Unidos são um espinho cravado na América Latina. Historicamente, os Estados Unidos têm considerado a América Latina como seu pátio dos fundos, como seu território e não permitem que ninguém se meta ali. E isso é perigoso. Há tres grandes eixos que os Estados Unidos estabeleceram para a América Latina: o Plano Puebla Panamá, o Plano Colômbia e a tríplice fronteira, as bases militares norte-americanas que estão no Paraguai e nas fronteiras do Brasil e Argentina. As bases no Paraguai estão a 200 quilômetros da fronteira com a Bolívia e isto está gerando uma situação preocupante, e mais com os governos emergentes que querem ter voz própria.

Na Europa muitas vezes se tacha a Hugo Chávez ou a Evo Morales de líderes populistas e pouco sérios.

A Europa é seria? A Europa é muito euro centrista. Se Chávez não tivesse feito nada, (Europa) haveria de estar de acordo com Chávez. Se a Bolívia não tivesse começado a reverter sua situação, ninguém falaria da Bolívia, como ninguém fala do Paraguai nem da dominação que sofre. Tampouco ninguém fala das grandes transnacionais ou da dominação européia.

Mas são governos muito personalistas e pode que às vezes a Europa não entenda sua maneira de atuar.

A Venezuela tinha entre 70% e 80% da população analfabeta e uma grande concentração do poder econômico e cultural estava nas mãos de uns poucos. Faz dois anos, a UNESCO declarou a Venezuela livre do analfabetismo. O mesmo está ocorrendo na Bolívia. Na Argentina, no entanto, hoje temos muitíssimos analfabetos, pobreza. Quando um Governo começa a olhar para os setores mais necessitados há reações.

Mas, por que tudo gira em torno da figura de um único líder?

Que fez Chávez? É um homem com uma visão intercontinental e, por isso, está tratando de articular vários países. Por exemplo com o Banco del Sur ou TeleSUR. Agora começamos a ter una voz própria. A dominação não começa com o econômico, começa com o cultural, e isso é o que lhes incomoda em Hugo Chávez.

E de Evo Morales?

Evo Morales e eu nos conhecemos desde há mais de 30 anos. É um homem que começou a pensar em seu povo e isso choca aos que controlavam os grandes interesses e tinham o petróleo, o gás, a energia, os recursos naturais. Na Argentina, por exemplo, há uma democracia aparente. A Argentina não é um país soberano, privatizamos tudo exceto três coisas: o cachorro, o gato e o papagaio. O petróleo onde está? Repsol, que está fazendo desastres, o leva todo e não deixa nada. Levam o ouro, a prata, o cobre, os minerais estratégicos, não fica nada no país. A isso chamamos democracia? Até onde vai a América Latina com tantas bases norte-americanas, com tanta pobreza, com tanta marginalidade? Mas a Europa se da ao luxo de criticar a Chávez, a Morales, a Correa e a todos aqueles que não mantêm o modelo que a Europa quer.

Você disse que deve propor-se um novo contrato social.

Este sistema capitalista está desmoronando, ainda que tampouco queiramos o que está surgindo com a China. Cuidado! Até onde vamos? Necessitamos um novo contrato para nós mesmos, ainda que talvez não o vejamos.

Não é isto uma utopia?

Em um livro meu digo que se a utopia não existe temos que ter a capacidade de inventá-la. É a resistência dos povos.

Não está cansado, não se lhe esgota a capacidade de lutar? Verdadeiramente crê que as coisas mudam?

Mudam-se coisas; nunca as coisas são estáticas. Levo 40 anos de luta e vou vendo avanços. E alguns destes avanços os vemos hoje em dia na América Latina.
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Original em Publico.es

domingo, 19 de julho de 2009

Médicos cubanos na Bolívia colaboram na luta contra gripe A

Os centros de saúde administrados pelas brigadas de médicos cubanos em áreas rurais da Bolívia colaboram no combate à gripe A(H1N1) que já tem relatados 61 casos, destacou neste sábado uma fonte governamental.De acordo com o ministro da Saúde, Ramiro Tapia, os hospitais integrais nos nove departamentos serão habilitados para instalar respiradores para a prevenção de afecções pulmonares.Segundo Tapia, uma das principais complicações que tem a influenza é a insuficiência respiratória.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Terrorismo: Evo anuncia investigação internacional

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou uma investigação internacional sobre os três mercenários mortos pela polícia boliviana na última quinta-feira, mas repudiou que esta será realizada a pedido de Croácia, Irlanda e Hungria.

Os três terroristas — um irlandês, um romeno de origem húngara e um boliviano, com cidadanias húngara e croata — foram mortos na madrugada de quinta-feira durante investigações das autoridades bolivianas sobre um plano para assassinar o presidente.

Morales qualificou como “muito grave” que os governos da Croácia, Irlanda e Hungria peçam uma investigação internacional sobre o ocorrido, mas anunciou que esta será realizada para determinar as circunstâncias dos fatos.

“Autoridades e instituições de Croácia, Irlanda e Hungria não têm nenhuma autoridade para pedir (a investigação)”, afirmou o presidente, questionando a intenção dos governos desses países de defender os mercenários, declarando que a atitude poderia dar a entender que os países teriam mandado essas pessoas para atentar contra a democracia da Bolívia.

Sobre a investigação, Morales afirmou que “se é importante a presença da comunidade internacional, ela será bem-vinda”, porque “não manipulamos coisas ocultas, não somos especialistas para ações encobertas”.

Na última semana, em visita à Venezuela, onde participou de uma reunião da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), Morales denunciou que o grupo de mercenários estrangeiros pretendia atentar contra sua vida e contra o vice-presidente do país, Álvaro García Linera.

García Linera, por sua parte, declarou no último domingo que estas três pessoas faziam parte de “uma estrutura conspiratória e terrorista”, cujas atividades eram financiadas por “pessoas vinculadas a atividades empresariais” em Santa Cruz de la Sierra.

Arpad Magyarosi (romeno de origem húngara), Michael Martin Dwyer (irlandês) e Eduardo Rozsa Flores (boliviano, com cidadanias húngara e croata) foram mortos na última quinta-feira em uma operação da polícia boliviana.

Em outra ação policial, foram presos Mario Francisco Tadic Astorga (boliviano, com passaporte croata) e Elot Toazo (húngaro).

O mercenário irlandês Michael Dwyer viajou para ao país sul-americano com um grupo de 17 comparsas, informou o jornal The Irish Times.

Segundo a versão da família, ele chegou à Bolívia no final do ano passado para fazer um curso de três meses dado por uma empresa de segurança, sobre o qual não há mais informações.

No entanto, o jornal irlandês indica que o próprio Dwyer, de 24 anos, pagou de seu bolso a viagem e que não há evidências de que ele estivesse estudando.

A família tenta agora entra em contato com membros desse grupo de 17 comparsas dos quais ele perdeu contato após começar a trabalhar para uma companhia local, acrescentou o Irish Times.

Na Irlanda, Dwyer trabalhou para, pelo menos, duas firmas de segurança, após se formar pelo Instituto de Tecnologia Galway/Mayo, mas as duas negam que não o enviaram à Bolívia.

O mercenário também havia feito curso de guarda-costas, acrescenta o jornal irlandês.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, informou na segunda-feira que a embaixada da Bolívia no Peru recebeu da embaixada croata uma nota, na qual a Croácia expressa sua “preocupação” pela vida de Tadic Astorga.

Choquehuanca garantiu também que o governo “proporcionará todas as informações sobre o assunto” aos interessados.

Na última sexta-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) considerou como “gravíssimos” os planos para assassinar Morales e condenou a ação do grupo terrorista.

Após uma reunião com Choquehuanca, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, declarou que “há evidências claras de que existiu um grupo que tentou (perpetrar) atentados terroristas na Bolívia contra o presidente e o vice-presidente e outras pessoas do governo e provavelmente outras ações com o fim da desestabilização do governo constitucional da Bolívia”.

A Câmara dos Deputados da Bolívia também abriu uma comissão de investigação sobre o grupo terrorista.

A comissão será formada por cinco deputados do partido governista Movimento ao Socialismo (MAS), além de outros três de cada uma das legendas de oposição com deputados: Poder Democrático e Social (Podemos), Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) e União Nacional (UN).

A comissão parlamentar também investigará os ataques com dinamite contra as casas do cardeal Julio Terrazas, na semana passada, e do vice-ministro de Autonomias, Saúl Ávalos, há quase um mês, que a polícia atribui a esta mesma quadrilha.

O presidente Evo Morales disse que eles planejavam matá-lo dentro de um plano para “tomar o poder pela via violenta” ou “dividir alguma região”.

O vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, disse que a segurança pessoal de Morales foi reforçada.

“O governo vai tomar todas as medidas para preservar a segurança do presidente Morales, porque há gente interessada em frear este processo”, informou.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Morales responsabiliza direita fascista e EUA caso algo aconteça

O presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou que, caso algo aconteça a ele ou ao vice-presidente do país, Álvaro García Linera, será culpa da embaixada dos Estados Unidos e da direita fascista de seu país.
“Possivelmente tenho os dias contados. Que o povo boliviano saiba que se algo acontecer com Evo, com Álvaro, com os ministros, será obra da direita fascista que está se organizando com apoio da embaixada dos EUA”, disse Morales.
Morales disse que, primeiro, a direita fascista tentou desgastar o governo, depois quis derrubá-lo com um golpe de Estado civil e agora, segundo ele, pretende acabar com sua vida.
Morales conversou por telefone com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o qual o encorajou a seguir adiante com sua luta política.
O presidente boliviano aproveitou para denunciar as tentativas que a oligarquia de seu país está fazendo para derrubá-lo e comparou esta situação com a vivida na Venezuela há sete anos, quando Chávez sofreu um golpe de Estado.
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A inevitável vitória de Evo

EVO entrava hoje em seu quarto dia de rigorosa greve de fome. Falou ontem à noite e falou hoje pelo meio-dia. Suas palavras foram serenas, persuasivas e contundentes. Ofereceu "um padrão eleitoral biométrico", ainda melhor que aquele que tem regido os processos eleitorais de seu país, qualificado pelas instituições internacionais como confiável e de qualidade.
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Joga xadrez em seus momentos livres.
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Entrevistado pela televisão, quando um jornalista lhe perguntou como garantiria que o padrão estivesse pronto para as eleições de dezembro perante os artifícios da oligarquia, respondeu:
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"Confio no povo".
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Ninguém discute já que está ganhando a batalha sem uso da força nem abuso do poder.
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O adversário não pode resistir a surriada dele. É possível que na madrugada da segunda-feira seja anunciado o acordo sem ter que fazer uso do Decreto Presidencial em virtude de uma Lei do Congresso, como desejava Evo. Cada hora que passa sem esse acordo multiplicaria a força e o apoio nacional e internacional ao Presidente indígena da Bolívia.
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Parlamentares opositores já voltaram e se está negociando. É uma boa notícia.



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..........Fidel Castro Ruz
.......12 de abril de 2009
Original em Granma

domingo, 12 de abril de 2009

Fidel faz radiografia da revolução na Bolívia


Em sua Reflexão intitulada A Revolução Boliviana e do comportamento de Cuba, Fidel Castro faz uma radiografia sintética do leque político da Bolívia. O líder revolucionário cubano comenta a greve de fome do presidente boliviano, Evo Morales, e desmente a oposição daquele país, dizendo que o registro eleitoral É ''um dos mais sérios do continente''.

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Várias vezes já pensei que no dia seguinte não teria de escrever, poderia dedicar algum tempo para ler e estudar, tal como já fiz muitas vezes. Mas os avanços significativos que ocorreram nas últimas semanas, relacionados com a economia e política mundial e os que acontecem na Bolívia, me impediram.

Aos 10h41 entrei em contato com Dausá (Rafael Dausá, embaixador de Cuba em La Paz]). Eu queria detalhes sobre a saúde de Evo e outros líderes que estavam no terceiro dia de greve de fome. Ele acordou bem, embora um pouco debilitado pela falta de alimentos.

Os que o acompanham, também em greve, estão bem e com ótimo estado de ânimo. Pediram livros. Disseram ao embaixador, que queriam livros de Marti [José Martí, 1853-1895, poeta e herói da Independência de Cuba], o Che e da nossa revolução. Hoje foi o nosso embaixador atendeu ao pedido enviando-lhes Vida e obra de José Martí, O Socialismo e o Homem em Cuba e outros materiais.

Como sabe, a qualidade da inscrição eleitoral da Bolívia foi reconhecido por diversas organizações internacionais, incluindo a OEA e da União Europeia, nada simpatizantes da esquerda, que contaram com serviços especializados e, a partir de sua análise, aprovaram o registro eleitoral como um dos mais sérios do continente.

Apesar disto, as autoridades dos tribunais dos departamentos de Beni, Pando, Potosí, Tarija e La Paz, dos nove que a Bolívia possui, questionaram o registro eleitoral, em evidente cumplicidade com a oposição.

Na Bolívia o maior partido no Parlamento é o MAS (Movimiento Ao Socialismo) de Evo Morales, que tem 72 dos 130 deputados da Câmara dos Representantes. É portanto o partido mais forte da Bolívia.

Os outros deputados se dividem. O Podemos (Poder Democrático Social), a segunda força política, constituída por antigos seguidores o do general Hugo Banzer e representantes de outras correntes políticas tradicionais. O Podemos representa a oligarquia boliviana. O seu actual líder é Jorge Quiroga, que assumiu a presidência da Bolívia pouco antes da morte de Banzer, pois era seu vice.

O MNR é a terceira força política, é chefiada pela senhora Mirtha Quevedo. Tem um menor número de membros do Parlamento, que se opõem ao MAS.

Unidade Nacional é outra força de oposição no Parlamento Boliviano.

Quanto a Cuba, as principalis organizações políticas de oposição não se caracterizam pela hostilidade.

Recentemente, após o referendo constitucional de janeiro, através do departamento de nosso partido para a América, recebemos uma grande delegação boliviana composta por Carlos Borth, senador do Podemos; Roberto Ruiz, outro senador do mesmo partido; Cesar Navarro, um homem de Evo, muito positivo; Mario Justiniano, deputado do MNR, crítico de Evo; Hugo Moldiz, diretor do semanário La Epoca, um amigo de Cuba, excelente escritor; Guido Rivero, secretário-executivo da Fundação Boliviana pela Democracia Multipartidária, que organizou a viagem, de 11 a 15 de março. Foram atendidos por companheiros do Departamento Internacional de nosso partido.

Em favor da unidade e cooperação de todas as forças políticas pelo desenvolvimento da Bolívia, o presidente Evo Morales fez todo o possível para promover a cooperação, evitando posições extremas que poderiam destruir o processo revolucionário. Que extremismo poderia haver no líder boliviano quando consultou os eleitores sobre o teto na extensão das propriedades, de 10 mil ou 5 mil hectares? Evo criou pela primeira vez na história da Bolívia uma importante reserva e divisas, o que lhe permite enfrentar a grave crise financeira internacional, erradicar o analfabetismo, com o uso do espanhol, aimará e quechua, em menos de três anos, levar toda a população pobre a desfrutar de uma renda mínima segura; recuperou as fontes de energia e conquistou a admiração do mundo para a Bolívia.

Nosso povo contribui neste esforço com seus conhecimentos nos domínios da educação e da saúde. Milhares de nossos compatriotas ali prestam seus abnegados esforços.

Nossos médicos realizaram 24.618.833 consultas, realizaram 35.390 cirurgias e salvaram 20.102 vidas.

A Missão Milagro jea soma 386.597 operados dos olhos, dos quais 25.198 brasileiros, 24.240 argentinos, 17.309 mil peruanos e 309 paraguaios.

Cerca de 5 mil jovens bolivianos estudam medicina em Cuba.

Esta é nossa modesta contribuição para o povo irmão da Bolívia, que tem sido o mais pobre e explorado da América Latina.
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Fidel Castro Ruz
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Publicado em Vermelho

sábado, 28 de março de 2009

ONU denuncia separatistas em Pando por massacre de camponeses bolivianos

Relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos na Bolívia denuncia o massacre cometido em 11 de setembro do ano passado pelos separatistas de Pando contra camponeses que se dirigiam a um encontro a ser realizado na região em defesa da unidade do país.
“O massacre de camponeses é uma grave violação aos direitos humanos que teria sido cometida por pessoal do Governo de Pando, funcionários do serviço rodoviário, membros do Comitê Cívico de Pando e outros partidários”, disse Racicot.
Segundo Racicot, “houve um ataque frontal com uso de armas letais de forma indiscriminada e unilateral, e os camponeses não tiveram outra opção do que se tentar salvar como pudessem”.
Em dezembro do ano passado, investigação realizada por representantes do Brasil, Argentina, Venezuela, Chile, Colômbia, Equador e Peru apontam governador de Pando e outros golpistas como responsáveis pelo assassinato de vinte camponeses.
“Existe responsabilidade das autoridades. A justiça boliviana deve investigar os integrantes do governo a começar pelo ex-prefeito de Pando, Leopoldo Fernández”, declarou o argentino Rodolfo Mattarollo, subsecretário de Direitos Humanos da Argentina, e coordenador da “Comissão da Verdade” constituida pela Unasul, que investigou a chacina de Pando.
No massacre de 11 de setembro foram assassinados 20 camponeses, com mais 70 feridos e uma centena de desaparecidos, como assinala o informe promovido com a participação de nove representantes de países que integram a Unasul. O coordenador qualificou os acontecimentos como “crime de lesa humanidade”.
As investigações apontam o governador de Pando, Leopoldo Fernandez, como o que comandou o bando de pistolei-ros. Ele teve sua prisão decretada pelo governo e está detido em La Paz à espera de julgamento.
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Original em Hora do Povo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Reeleições boas e más

A pesar de amplamente escrutinado por cerca de 350 observadores internacionais e da vitória do sim com mais 40% dos votos expressos o recente referendo constitucional realizado na Bolívia foi classificado pelo líder fascista de Santa Cruz, Branco Marinkovic, com uma fraude. Apesar de estar de saída sem honra nem glória, Condoleezza Rice logo secundou o grito fascista. Hillary Clinton ainda não a desmentiu…
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Atílio Boron*
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É significativo (e cúmplice) o silêncio de Washington em relação à dilatada permanência no poder de uma série de mandatários amigos, aliados incondicionais do império.
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O rotundo triunfo de Evo Morales, o terceiro consecutivo desde 2005, dificilmente servirá para abafar as críticas dos que viram neste referendo constitucional apenas um estratagema do líder boliviano para se perpetuar no poder. Faz-se caso omisso do denso articulado da nova Constituição boliviana que, nos seus 411 artigos, estabelece um quadro normativo protetor das grandes maiorias populares, há séculos oprimidas pelos diferentes governos da Bolívia, ao mesmo tempo em que reafirma os direitos dos povos indígenas, garante o controle público dos principais recursos naturais e aperfeiçoa a qualidade das instituições republicanas.
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Apesar de cerca de 350 observadores internacionais de organismos como a OEA, a UNASUR, a União Européia e o Centro Carter terem declarado que as eleições se desenrolaram de forma inatacável, o líder da direita fascista de Santa Cruz, Branco Marinkovic, manifestou a sua impotência lançando uma ridícula acusação de fraude, preparando o terreno para uma nova ofensiva sediciosa contra a nova Constituição.
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Uma das críticas mais freqüentes, escutada também por estes dias a propósito da proposta de emenda da Constituição da República Bolivariana da Venezuela possibilitando a reeleição indefinida do Presidente Hugo Chávez, é que tal cláusula revela uma vocação totalitária que deve ser rejeitada a qualquer preço. A secretária de Estado de George W. Bush, Condoleezza Rice, não se cansou de predicar esta tese, repetida ad nauseam pelos principais meios de comunicação, jornalistas e analistas «independentes» da América Latina. Todavia, não se conhecem comentários da sua sucessora, Hillary Clinton, mas a julgar pelas suas muito infelizes declarações na audiência confirmatória havida no Senado dos EUA, não será de estranhar que nos próximos dias apareça um comunicado oficial deplorando o que seria visto como uma sinuosa manobra de Evo Morales para se eternizar no Palácio Quemado.
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Perante isto, convém recordar que a reeleição em sucessivos mandatos é uma norma na maioria dos países europeus: foi por isso que Helmutt Kohl pôde ser chanceler, primeiro da República Federal Alemã e depois da Alemanha unificada durante dezesseis anos, desde 1982 a 1998, sem que em momento algum a opinião «bem pensante» e a imprensa «independente» (muito menos o Departamento de Estado) gritaram aos céus perante tão prolongado monopólio do poder político. E podia ter continuado ao leme da chancelaria, não fosse o rebentar de um escândalo que o obrigou a renunciar. Em Espanha, o principal lobista mundial das transnacionais espanholas e sedento guardião dos valores democráticos, Felipe Gonzalez, foi presidente do governo desde 1982 a 1996, um total de 14 anos, sem despertar preocupação alguma à Casa Branca e aos governos «democráticos» do mundo desenvolvido. No Reino Unido, Margaret Thatcher foi primeira-ministra durante 11 anos. Nada a impedia de ter prosseguido no poder, mas a sua força política perdeu peso eleitoral e teve de sair. Há vários casos idênticos na Europa. A França, para não ir mais longe, autoriza uma reeleição presidencial para um mandato de sete anos cada um. Todos os últimos presidentes duraram 14 anos no poder.
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Porém, mais interessante é o significativo ( e cúmplice) silêncio de Washington perante a dilatada permanência no poder de uma série de mandatários amigos, aliados incondicionais do império: no Egito, o atual presidente Mohamed Hosni Mubarak exerce o cargo desde Outubro de 1981, o que não obsta a receba toda a espécie de elogios pela «estabilidade política» conseguida nesse país e os generosos apoios financeiros e militares por parte da Casa Branca, Total: 28 anos ininterruptos no governo. Em Camarões, o presidente Paul Biya governa com poderes ilimitados desde 1982: 27 anos. No pequeno enclave petrolífero do Gabão, outro aliado dos Estados Unidos, o presidente Omar Bongo Ondimba preserva a ordem com mão-de-ferro desde 1967: 42 anos. Em Angola, o governo pró americano de José Eduardo dos Santos encontra-se no poder desde 1979: 30 anos. Por último, um dos aliados fundamentais dos Estados Unidos, a Arábia Saudita, é um país em que impera o mais primitivo e brutal despotismo: ali reina uma monarquia hereditária que nunca convocou eleições de qualquer tipo, nem sequer para uma câmara legislativa, cujos membros são designados «a dedo» pelo rei Abdallah, entre o seu séquito de familiares e favoritos.
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Jamais o Departamento de Estado disse uma palavra sobre as ameaças que a perpetuação destes regimes coloca para o futuro da democracia no mundo. O problema são casos como Fidel, Evo e Chávez, não aqueles acima referidos. Se forem úteis aos interesses de Washington poderão permanecer no poder o tempo que queiram e, além disso, serem apoiados por todos os meios imagináveis. Se se rebelam contra o império denunciam-se como déspotas ou tiranos. Enfim, amigos são amigos.
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Este texto foi publicado no jornal argentino Pagina 12* Atílio Boron é Professor Titular de Teoria Política na Universidade de Buenos Aires e Investigador Superior do CONICET.
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Tradução de José Paulo Gascão
Adaptação para o Brasil: V.Malleiro
Original em Pagina 12

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bolívia torna-se território livre do analfabetismo

“Missão cumprida. O fim do analfabetismo foi um dos compromissos de minha campanha. Agora vamos passar para a fase de ampliar o ensino básico, depois o secundário, até chegar no terceiro grau”, afirmou o presidente Morales ao comemorar a conquista
A Bolívia, segundo país mais pobre da América, atrás só do Haiti, foi declarada território livre do analfabetismo, no sábado passado, dia 20.
Depois de três anos de grande mobilização popular, particularmente dos maiores interessados, os indígenas, somada à decisão política do presidente Evo Morales, a Bolívia transformou-se no terceiro país que conseguiu vencer essa praga no continente, após Cuba, que o fez em 1961, e a Venezuela, em 2005. Os dois países colaboraram com a sua experiência, com professores, métodos e recursos para encarar o difícil desafio.
“Missão cumprida. O fim do analfabetismo que tanto mal faz aos povos foi um dos meus compromissos de campanha. Agora vamos passar para a fase de acabar o ensino básico, depois o secundário, até chegar no terceiro grau”, afirmou Morales no ato que foi uma verdadeira festa com milhares de pessoas na cidade de Cochabamba, .
Os números divulgados pelo Ministério de Educação e Cultura são: 819 mil 417 pessoas alfabetizadas de um universo de 824 mil 101 iletrados detectados (99,5%); 28 mil 424 pontos de alfabetização criados nos nove departamentos da Bolívia; 130 assessores cubanos e 47 venezuelanos que deram aulas de capacitação a 46 mil 457 professores e 4 mil 810 super-visores bolivianos na aplicação do método audiovisual cubano Eu sim posso.
O governo boliviano revelou que o analfabetismo no país tinha “cara de mulher”, já que mais de 85% dos alfabetizados eram do gênero feminino.
O ministro de Educação, Roberto Aguilar, assinalou que este era “o acontecimento educativo mais importante de nossa história republicana”, e “se constitui no esforço que potencializa a conquista de nossa soberania, de retomar nossas riquezas e decidir nosso destino, para que a Bolívia comece a deixar um passado marcado de discriminação, injustiça e intolerância”.
Evo ressaltou a energia, a solidariedade, a vontade de aprender, o esforço continuado, as caminhadas de horas e mais horas para chegar a uma comunidade para receber aulas depois de uma árdua jornada no campo, um dia trabalho numa empresa na cidade, num mercado ou na rua. “Este processo deixou claro a força, a determinação de avançar de nosso povo”, concluiu.
A grande maioria das pessoas preferiu se alfabetizar em espanhol, embora tivessem se preparado professores e material para fazê-lo em quéchua e aymara, relatou o diretor nacional de Alfabetização, Benito Ayma.
Anunciaram que uma segunda etapa, a de pós-alfabetização, se iniciará em fevereiro de 2009 com o programa Eu sim posso continuar, para a conclusão do ciclo básico em dois ou três anos, com conteúdos de espanhol, matemáticas, geografia, história e ciências.

Original em Hora do Povo

domingo, 30 de novembro de 2008

Evo Morales denuncia decisão do governo de Bush contra Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, qualificou, em 27 de novembro, de vingança política a decisão do governo estadunidense de excluir seu país de benefícios alfandegários, unilateralmente condicionados à luta antidrogas.
“Estamos diante de uma forma de amedrontar o povo boliviano e passar por cima de sua dignidade”, afirmou em entrevista coletiva, no Palácio de Governo, o presidente boliviano, que também considerou falsos os argumentos expostos pela Casa Branca para justificar a medida.
Na véspera, o presidente norte-americano George W. Bush anunciou a exclusão indefinida da nação andina do referido instrumento comercial, conhecido como Atpdea, ao acusá-la de fracassar no combate contra o narcotráfico.
Em 11 meses de 2008, foram confiscadas 27 toneladas de cocaína, três vezes mais que as de 2005, antes de sua chegada à presidência.
Estes elementos ratificam o critério da vingança política, fustigou o governante e também reiterou o compromisso com a comunidade internacional no combate a esse flagelo.

ACORDOS DE COMÉRCIO JUSTO

Empresários da Bolívia e Venezuela começaram a assinar contratos realizados neste mês num fórum comercial, à procura de alternativas para enfrentar os obstáculos estadunidenses às exportações do país andino.
A estatal Fornecimentos Venezuelanos Industriais (Suvinca) e produtores locais materializarão a compra e venda de artigos bolivianos: confecções, textêis, madeira e jóias, em aproximadamente US$47 milhões, acertada durante a Primeira Rodada Bilateral de Intercâmbio e Integração, segundo noticiou a PL.

Original em Granma


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domingo, 14 de setembro de 2008

Con el apoyo del embajador de EEUU

El golpe cívico prefectural está en marcha en Bolivia


EEUU está llevando a cabo un plan golpista para derrocar al gobierno popular del presidente Evo Morales mediante el CONALDE. Los hechos que están ocurriendo hoy en los departamentos del oriente obedecen a esta estrategia que aquí detallamos.

1. 13 de octubre de 2006: EEUU envía a Bolivia, como embajador, a Philip Goldberg, un experto en alentar conflictos separatistas. Entre 1994 y 1996 fue jefe de la Oficina del Departamento de Estado para Bosnia (durante la guerra separatista de los Balcanes). Luego, entre 2004 y 2006, Goldberg regresó como jefe de Misión en Pristina (Kosovo), allí consolidó la separación e independencia de esa región y dejó miles de muertos.

2. Philip Goldberg vino a Bolivia con la misión de desestabilizar al gobierno de Evo Morales, principalmente incentivando el separatismo de las regiones orientales. En Bolivia, después del histórico triunfo del 18 de diciembre de 2005, los partidos tradicionales y las élites quedaron completamente golpeadas. Goldberg se encargó de reorganizarlas y de señalarles un camino conspirativo para desgastar a Evo Morales.

3. Goldberg organizó una gran coordinación con empresarios del oriente, con dueños de medios de comunicación y políticos residuales de Podemos para adelantar un gran plan de desinformación respecto a la gestión de Evo Morales, todo esto dentro del marco de una intensificación de las luchas regionales contra el Estado boliviano:
a) Se debía mostrar que el narcotráfico crecía en Bolivia
b) Como segundo paso, los medios tenían que mostrar que Evo estaba gobernando mal, que la inflación, la corrupción y el desgobierno crecían.
c) También los medios debían de recargar la responsabilidad de la violencia sobre el gobierno de Evo Morales. Y se empezó a imponer el concepto de que Evo dividía a Bolivia.
Consolidados estos pasos, Goldberg se reúne, la primera semana de mayo, con Jorge Quiroga y acuerdan que el Senado apruebe el Referéndum Revocatorio. Su convencimiento era que Evo Morales no lograría pasar el 50% de los votos, y una vez deslegitimado en las urnas, la oposición y los prefectos del oriente pedirían la RENUNCIA del Presidente, “por ilegítimo, por mal gobernante y por dividir a Bolivia”.
Sin embargo, los prefectos que no habían sido consultados se oponen a este plan.
· 23 de junio: el Conalde se reúne en Tarija y elaboran un pronunciamiento escrito para rechazar el Referéndum Revocatorio (La Razón, 24 de junio).
· 17 de junio: Philip Goldberg viaja a EEUU (La Razón y La Prensa 17 de junio), inventando una supuesta crisis diplomática, allí coordina un plan con agencias publicitarias, con Goni y Sánchez Berzaín para desarrollar una guerra sucia y hacer que Evo pierda el referéndum.
· 2 de julio: Goldberg regresa a La Paz (La Prensa, 3 y 4 de julio) y se reúne con cada uno de los prefectos, para convencerlos de aceptar ir al Referéndum. Primero se reúne en Calacoto con el prefecto de Beni; luego influye sobre el Conalde para que acepte ir al Referéndum.
· 5 de julio: Los prefectos opositores aceptan ir al Referéndum (La Razón, 5 de julio). De este plan participaron también los dueños de las grandes cadenas de comunicación, por eso en todos los programas políticos las encuestas le daban a Evo Morales un promedio de 49% (La Prensa, 21 de julio). El intento de derrocamiento del gobierno por el voto estaba en marcha.
A esto se unió una intensa guerra sucia que Goldberg armó con agencias publicitarias de EEUU. En Bolivia fue contratada una agencia de publicidad paceña para elaborar los primeros spots negros contra Evo Morales. Pero al darse cuenta que los guiones y el dinero venían desde EEUU, esta agencia renunció a seguir produciendo la Guerra Sucia. Como parte activa de esta guerra sucia, se denuncian supuestos fraudes y desde las regiones orientales, se llama a una huelga de hambre masiva para empañar la elección. Este Plan para sacar a Evo del gobierno se ve afectado por el resultado insólito del Revocatorio. Evo se legitima con el 67% y a Goldberg no le queda más que poner en marcha un Plan B, un plan de paros, bloqueos y acciones violentas que pueden desembocar en dos salidas:
I) El conflicto se generalizaría y cubriría el oriente y parte de occidente, la gente se empezaría a cansar, las fuerzas del orden actuarían y habría muertos. Entonces Evo tendría que llamar a elecciones o dejar el gobierno después de muchos muertos. La insistente provocación a la policía y la FFAA para que actúen y disparen contra los unionistas se enmarca en este plan. II) Si no se diera esa primera situación, una vez desalojada la policía y el Estado nacional de las regiones, en medio de la violencia, con los pueblos del oriente en apronte y rebeldía, Goldberg ofreció a los prefectos traer mediadores internacionales, incluso cascos azules para concretar el separatismo de los 4 departamentos rebeldes, como lo hizo en Kosovo. Siguiendo este Plan Golpista, Goldberg viaja a Sucre y se reúne con la Prefecta Savina Cuellar. Esta prefecta pidió la renuncia del Presidente.
El jueves 21 de agosto se reúne clandestinamente con Rubén Costas y 4 congresistas estadounidenses. (Hay imágenes de TV).
El lunes 25 de agosto se reúne, también clandestinamente con Rubén Costas. (Gigavisión captó
las imágenes) Paralelamente, el Conalde rechazó el diálogo con el gobierno y el 24 de agosto convocó al paro general. Siguiendo la línea propuesta por Goldberg, los prefectos imponen un plan de desgaste a mediano plazo, con destrucción de instituciones públicas, tomas y persistentes
provocaciones (con golpizas incluidas) a la Policía y Fuerzas Armadas. En la misma línea golpista, en Santa Cruz y Tarija se empieza a hablar de federalismo y hasta de independencia (El Mundo, 22 de agosto).
· Como el empresariado cruceño estaba más interesado en la Feria de Santa Cruz (que debe empezar el 19 de septiembre) que en los paros y bloqueos, el Departamento de Estado convoca a
Branco Marinkovic a EEUU.
· 1 de septiembre: En la avioneta Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viaja a Estados Unidos donde lo convencen de que el Plan está en su tramo final y que hay que jugarse el todo por el todo.
· 9 de septiembre: Horas después del regreso de Marinkovic a Santa Cruz, se desata una jornada violenta, quema de instituciones y nuevas agresiones a las Fuerzas Armadas y Policía. Este es el plan golpista que está en marcha. Con el apoyo de la embajada de Estados Unidos de Norteamérica. ¿Por qué no puede consolidarse? Porque el gobierno de Evo Morales sigue controlando, con paciencia y manteniendo la legalidad, el conflicto que queda regionalizado. En base a la información que recibe, el presidente de la República anunció ayer que el embajador Goldberg ha sido declarado persona no grata y encomendó al canciller David Choquehuanca, realizar las gestiones correspondientes.
La violencia generada por grupos impulsados por este Plan Golpista es la forma en que los sectores conservadores muestran su decisión de acabar con la democracia porque ésta ya no les sirve a sus intereses. El pueblo boliviano, como lo confirmó el pasado 10 de agosto, es el depositario y defensor de la democracia, de la integridad nacional y de su soberanía. Las Fuerzas Armadas, la Policía Nacional, firmes y respetuosas de la Constitución, son conscientes de que, más allá de cualquier interés, hay que preservar la unidad de Bolivia.

10 de septiembre de 2008
Por la Bancada de Diputados del MAS:
César Navarro
Gustavo Torrico
Gabriel Herbas
René Martínez


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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Separatismo é derrotado em referendo ilegal na Bolívia

Governo denuncia métodos fascistas usados pela oligarquia para impor consulta anticonstitucional. Evo advertiu que os referendos não serão reconhecidos

“O Norte da Bolívia rechaçou esses estatutos autonômicos, realizados fora do marco constitucional, desrespeitando a lei, e usando métodos de puro cunho fascista para golpear a unidade nacional”, afirmou, em nome do Executivo, o ministro de Governo, Alfredo Rada, em coletiva de imprensa no domingo passado. Assinalou que o resultado do referendo imposto ilegalmente nos estados de Pando e Beni, em lugar de fortalecer a oligarquia, “rechaçou a política separatista dos setores enriquecidos pela exploração da principal riqueza do país, o gás, que antes do governo do presidente Evo Morales era monopolizada pelas empresas transnacionais”.
Rada denunciou que “além de um tratamento absolutamente tergiversado da realidade por parte de um setor da mídia que ocultou o absentismo inédito numa votação nessa região, o que se viu no dia 1º de junho é uma fraude”. “O caminho para chegar à autonomia deve ser legal, e deve verdadeiramente impulsionar a democracia, uma maior participação do povo, e não o separatismo”, frisou o ministro.
O senador do partido Unidade Nacional (UN) eleito por Pando, Abraham Cuellar - ressalvando a falta de credibilidade dos números que os governos dos estados assumem -, disse que os separatistas “divulgam que a abstenção e o voto pelo Não, juntos, somam 56,23 %. Meus amigos, isso não tem outra interpretação possível: até pelos números deles, o estatuto autonômico em Pando foi rejeitado de forma indiscutível”.
Segundo Cuellar, o triunfalismo de mais de 80 % a favor dessa autonomia propagandeado por alguns meios de comunicação, representa só 39 % do total dos inscritos segundo o padrão eleitoral do estado.
“O governo não pode aceitar esses referendos que são um arremedo de democracia, que falseiam informações, utilizam recursos públicos para enganar os bolivianos e o mundo”, acrescentou o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, revelando a chegada a essas regiões de membros da União Juvenil Crucenhista - grupo fascista do estado de Santa Cruz, protagonista de numerosos atos de violência e racismo contra os indígenas, maioria da população da Bolívia - para ameaçar e amedrontar as pessoas contrárias à divisão do país.
“Os movimentos sociais trabalharam durante vários dias convocando suas bases para defender a abstenção, e em alguns casos instruíram a votar pelo ‘Não’, o que provocou em Beni e Pando a reação criminosa dos grupos de choque de ‘unionistas’ pagos, que pretenderam pela força obrigar a população a votar”, afirmou.
Em encontro com mineiros da cidade de Huanuni, no estado de Oruro, o presidente Evo Morales condenou as ações dos fascistas da União Juvenil para forçar as pessoas a participar nessas consultas. Advertiu que os referendos são “espúrios e de cunho separatista” e, portanto, não serão reconhecidos.

VIOLÊNCIA FASCISTA


“Os latifundiários e os que se beneficiaram estes anos todos dos lucros das multinacionais de hidrocarbonetos que defendem o estatuto autonômico, com o poder que lhes dá o governo do estado de Beni, dirigiram este domingo seus ataques violentos contra as sedes de camponeses, indígenas, sindicatos, setores sociais, e contra jornalistas que desmascaravam, com perguntas que lhes incomodavam, esse processo autonômico”, denunciou Gustavo Moreno, diretor da Federação Única de Trabalhadores de Camponeses de Beni (FUTCB), que foi atacada “por dezenas de frenéticos jovens unionistas”.
Descrevendo as agressões cometidas, o líder camponês relatou que “os promotores do estatuto recrutaram como braço operador e repressor jovens marginais de Santa Cruz, muitos deles com passagem na polícia, além de pessoas daqui que receberam instrução básica de ataque, manipulação de armas, bombas, e gazes”.
Em Pando, a diretora da Federação Departamental de Mulheres Bartolina Sisa, Doris Dominguez, testemunhou os enfrentamentos provocados “por vândalos trazidos de fora contra os que defendiam a abstenção. Estavam armados com paus, com bombas, saqueavam as entidades e as casas das pessoas que eles reconheciam a favor do governo do presidente Evo. Nós não chegamos até aqui com poucos sacrifícios, e agora não será um bando de fascistas que vai nos deixar no meio do caminho”.

SUSANA SANTOS
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domingo, 1 de junho de 2008

Urgência da solidariedade à Bolívia

A oligarquia racista, que até hoje não engoliu a histórica eleição do líder camponês e indígena Evo Morales, está apostando as suas fichas na divisão do país, num movimento separatista de caráter fascistóide. O “referendo da autonomia” no rico departamento de Santa Cruz, pode ser o estopim do confronto.

Altamiro Borges
De todas as experiências progressistas na América Latina, decorrentes das vitórias eleitorais de forças mais à esquerda, a que atualmente corre maior risco de retrocesso é a da Bolívia. Segundo inúmeros analistas, a nação vizinha está à beira de uma guerra civil. A oligarquia racista, que até hoje não engoliu a histórica eleição do líder camponês e indígena Evo Morales, está apostando as suas fichas na divisão do país, num movimento separatista de caráter fascistóide. O “referendo da autonomia” no rico departamento de Santa Cruz, em 4 de maio, pode ser o estopim do confronto.Numa iniciativa ilegal, contrária à Constituição e à unidade territorial, Rubén Costa, governador do estado e líder dos separatistas, alardeia que o referendo será o primeiro passo para a cisão do país. Outros três departamentos (Pando, Tarija e Beni) pretendem trilhar o mesmo rumo. Desde a posse de Evo Morales, em janeiro de 2006, a burguesia boliviana orquestra este golpe, que visa separar a parte oriental, “Media Luna”, mais industrializada e rica em recursos naturais, da parte ocidental – mais pobre e com predomínio da população indígena. Para impor a divisão, ela conta com o apoio escancarado dos EUA e recruta mercenários para um previsível confronto armado. O embaixador separatistaA ação intervencionista do presidente-terrorista George Bush é aberta. Numa nítida provocação, ele nomeou como embaixador na Bolívia o temível Philip Goldberg. Este agente do imperialismo ficou famoso pelas ações de estímulo ao separatismo nos Bálcãs, na chamada “Missão Kosovo”. Como denuncia Stella Calloni, no texto “contra-insurgência y golpismo”, “Goldberg é conhecido como especialista em agudizar conflitos étnicos e raciais e por sua intervenção e experiência nas lutas étnicas desde a Bósnia até a separação da ex-Iugoslávia”. Seu passado “diplomático” inclui ainda o golpe do Haiti que derrubou Jean Aristides e a militarização do Plano Colômbia.Para ela, “não há dúvidas de que as mãos de Goldberg estão por trás do processo separatista em Santa Cruz de la Sierra”, iniciado logo após a posse de Morales e que já resultou em sabotagens e mortes. “Quando chegou à Bolívia, os empresários croatas de Santa Cruz (seus velhos amigos) conformaram o movimento ‘Nação Camba’. Um dos principais líderes do movimento, com laços empresariais no Chile, Branco Marinkovic, é o maior promotor das medidas de desestabilização, com influência no restante da Media Luna”, e tem sólidos vínculos com o embaixador ianque. Manobras militares na regiãoNo ano passado, na 17ª Cumbre Iberoamericana, no Chile, o presidente Evo Morales exibiu aos chefes de Estado várias fotos do embaixador Goldberg sorrindo ao lado do mafioso e paramilitar colombiano Jairo Vanegas. Até funcionários da embaixada dos EUA em La Paz revelaram que George Bush encarou a vitória de Morales como “ameaça a segurança da região” devido ao seu “populismo radical” e aos vínculos com Hugo Chávez e Fidel Castro. O ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld chegou a declarar que “a Bolívia agora faz parte do eixo do mal”. Noutra ação provocativa, tropas norte-americanas realizam exercícios militares no vizinho Paraguai desde fins de 2005, quando já era certa a vitória do líder indígena. “Forças especiais dos EUA atuam na fronteira comum em manobras dissimuladas de ação cívica, uma velha tática contra-insurgente”, alerta a autora. Os Esquadrões Operativos Adiantados (EOA) contam com forte estrutura no país vizinho, inclusive uma pista aérea de 3,8 mil metros na base de Mariscal Estigarribia, construída na época do ditador Alfredo Stroessner. A chegada de Fernando Lugo à presidência do Paraguai ameaça anular estes acordos militares, o que poderia precipitar uma aventura militar na Bolívia.Grupos fascistas e mercenáriosDesesperada com as mudanças graduais promovidas pelo governo Morales, mas animada com o apoio aberto dos EUA, a oligarquia racista se arma para o confronto. Manfred Reis, ex-militar na ditadura de Hugo Banzer e influente autonomista de Cochabamba, organizou grupos de jovens fascistas responsáveis por violentos confrontos que resultaram em mortos e feridos. Atualmente, ele está refugiado em Santa Cruz. Em novembro de 2006, a agência de notícias Erbol informou que um grupo de empresários viajou a Espanha para contratar mercenários. Donos de empresas de “segurança” confirmaram o rentável negócio. Um deles disse que agenciou 650 “combatentes, antigos membros de unidades de elite, que já estão operando nas zonas limítrofes da Bolívia”.Os golpistas também contam com a milionária ajuda da Usaid e da NED, órgãos dos EUA que financiam organizações não-governamentais de oposição a Morales. O serviço de inteligência do governo provou recentemente a doação de milhões de dólares para líderes separatistas, grêmios estudantis e jornalistas na campanha contra a Constituinte. O financiamento garantiu os “paros cívicos” e os bloqueios violentos de estradas. Em 2007, o consulado da Venezuela e a residência de um médico cubano foram alvos de atentados e uma funcionária da embaixada dos EUA foi detida com armas e munição. Neste processo, “os meios de comunicação são os protagonistas da contra-insurgência, incentivando o confronto interno e a intervenção externa”, afirma Calloni. Internacionalismo ativo e pressão A manobra separatista da oligarquia boliviana, que deve adquirir nova dinâmica com o referendo de maio em Santa Cruz, tem recebido críticas de todos os lados. Até a Organização dos Estados Americanos (OEA), famosa por seu passado servil aos EUA, condenou o golpismo. Numa sessão extraordinária em Washington, em 26 de abril, a OEA apoiou a institucionalidade democrática e conclamou ao diálogo os governantes da Media Luna. Intelectuais e lideranças políticas, sociais e religiosas – entre elas, Pérez Esquivel, Noam Chomsky, Eduardo Galeano e os brasileiros Frei Betto, Oscar Niemeyer e Fernando Morais – também divulgaram um manifesto de solidariedade: “O processo de mudança na Bolívia corre o risco de ser brutalmente interrompido. A ascensão ao poder de um presidente indígena e seus programas sociais e de recuperação dos recursos naturais enfrentam desde o primeiro momento as conspirações oligárquicas e a ingerência imperial. Nos dias mais recentes, a escalada conspirativa alcançou seus graus máximos. As ações subversivas e anticonstitucionais com que os grupos oligárquicos pretendem dividir a nação boliviana refletem a mentalidade fascista e elitista destes setores... Diante desta situação, queremos expressar nosso respaldo ao presidente Evo Morales. Ao mesmo tempo, rechaçamos o estatuto autonômico de Santa Cruz por seu caráter inconstitucional e por atentar contra a unidade de uma nação da nossa América”.A grave situação boliviana, que coloca em perigo a própria onda progressista na América Latina, exige a solidariedade ativa de todos os setores democráticos e populares do continente e do mundo. É urgente denunciar a trama separatista e golpista da oligarquia, apoiada pelos EUA, nas bases dos trabalhadores, no parlamento e na mídia progressista. É necessário pressionar a OEA e o governo Lula para que adotem posições mais ativas diante deste risco de retrocesso na região.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e organizador do livro “Para entender e combater a Alca” (Editora Anita Garibaldi, 2002).

O original encontra-se em Carta Maior

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Guerra às Drogas: base militar de Manta será fechada

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Os norte-americanos devolveram na data aprazada e com tranqüilidade o canal do Panamá. Tranqüilos porque tinham construído, em substituição, duas bases militares, operativas nas caribenhas ilhas de Aruba e Curaçao. Tudo, evidentemente, com controle pelo comando-sul dos EUA, estabelecido na Flórida, em Key West.
A pretexto de controlar o tráfico de drogas destinadas aos EUA e feito por aeronaves, as bases militares foram implantadas em Aruba e Curaçao. Como a droga é usada para esconder interesses geopolíticos e geoestratégicos, desde a era do presidente Ronald Regan, apenas duas bases não bastavam.
Assim, os EUA implantaram, no final dos anos 90 e com governos de perfil filo-americano, duas outras bases, ou seja, em Manta, no Equador, e Iquitos, no Peru.
A política da "war on drugs" começou com Richard Nixon, depois do fracasso no Vietnã e de os soldados terem voltados dependentes químicos de heroína, que "rolava" fácil naquele país oriental.
Quando presidente, Ronald Reagan, para combater o regime comunista, aproveitou a "war on drugs" e declarou que o combate seria interno e sem fronteiras. Em outras palavras, inventou uma maneira para, sem invadir, estabelecer controle em vários países.
Com base na doutrina ampliada da War on Drugs, nasceram hipócritas acordos bilaterais de cooperação internacional e a autorizar, por toda a América Latina, presença militar e de agentes da DEA (Drug Enforcement Agency) e da CIA (Central Intelligence Agency).
No Brasil, a revista CartaCapital cansou de mostrar como tais agentes atuam, sem nenhuma fiscalização. A propósito, a DEA levou dois anos para avisar da presença do narcotraficante colombiano Abadia, do Cartel do Valle Norte, no nosso país. Fez quando interessou, ou seja, depois do rompimento dos norte-americanos com os paramilitares colombianos, que eram sustentados pelo cartel do Valle Norte.
O acordo que levou à instalação da base militar de Manta terminará no início de 2009 e o presidente Rafael Correa já avisou que não será renovado. No particular, vale lembrar ter o presidente Chavez, por espionagem política, expulsou agentes da DEA da Venezuela.
Por evidente, a recusa de Correa quanto à permanência da base de Manta não ficará barato. Em breve, será acusado de colaborar com o narcotráfico, pois a base controlaria os aviões usados pelos traficantes colombianos.
No momento, interessa aos operadores da "War on Drugs" afirmarem que 90% da cocaína consumida nos EUA é de procedência colombiana. Mais, que em 2007, na base de Manta, foram interceptadas 200 aeronaves.
Sobre essas 200 aeronaves, onde estariam? Lógico, ninguém sabe, ninguém viu. E muito menos existem informações se as aeronaves foram fabricadas nos EUA e quem as vendeu.
O que se sabe é que a Casa Branca está com a intenção de estabelecer uma base militar em El Salvador. Mas isso é segredo, dizem os 007 da CIA e os arapongas da DEA.
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sábado, 3 de maio de 2008

Uma prova de fogo na Bolívia

por Fidel Castro Ruz



Enquanto nosso povo desfruta com júbilo neste 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores, o ano em que se completará meio século da Revolução e 70 anos da criação da CTC (Central de Trabalhadores de Cuba), a República irmã da Bolívia, dedicada a preservar a saúde, educar e garantir a segurança de seu povo, encontra-se a dias, talvez horas, de acontecimentos dramáticos.


Enquanto de todas as partes do mundo chegam notícias horripilantes sobre a escassez e carestia dos alimentos, o preço da energia, as mudanças climáticas e a inflação, problemas que pela primeira vez se apresentam em conjunto como questões vitais, o imperialismo se empenha em desintegrar a Bolívia, em submete-la a um trabalho alienante e à fome.Quatro dos departamentos economicamente mais fortes desse país, com os oligarcas de Santa Cruz na vanguarda, aspiram declarar-se independentes e projetaram, com apoio do império, seu programa de consultas populares,. Os meios de comunicação de massas prepararam o terreno e a opinião dos votantes com todo tipo de ilusões e enganos.As forças armadas, em virtude de suas funções históricas em um país agredido, despojado do mar e de outros recursos vitais, não desejam a desintegração da Bolívia. Mas o plano ianque, perfidamente concebido, é usar alguns setores militares antipatrióticos para se livrar de Evo (Morales) a pretexto da unidade, que seria meramente formal caso as transnacionais se apropriem dos ramos produtivos básicos. O lema do imperialismo é castigar e descartar Evo.É chegado o momento da denúncia e da verdade.Por não se ter previsto ou meditado sobre os fatores que conduziam a uma profunda crise internacional, o grito que parece ecoar em muitas partes do mundo parece ser: salve-se quem puder!Para os povos e governos da América latina ser'a uma prova de fogo. Para nossos médicos e educadores, qualquer coisa que aconteça no país onde realizam seu nobre e pacífico trabalho também o será. Em situações de perigo, eles não abandonarão seus pacientes e alunos.

Fonte: http://www.prensa-latina.cu/


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