Além do Cidadão Kane

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sábado, 5 de setembro de 2009

Entrevista com o dirigente haitiano Henry Boisrolin

"O nosso povo continuará a resistir às tropas de ocupação das Nações Unidas"
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Que notícias há nos meios de comunicação sobre o Haiti e do seu povo mártir? Onde estão o respeito pelos Direitos Humanos e a pela soberania dos países? Que crimes têm praticado as tropas ocupantes agora comandadas pelo exército brasileiro? Quem julga os crimes delito comum dos soldados ocupantes?

Nesta entrevista de Carlos Aznarez com Henry Boisrolin, dirigente do Comitê Democrático Haitiano, é dado um panorama da dramática situação do Haiti.
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Carlos Aznárez*
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Há um país na América Latina, que não só foi o primeiro a libertar-se, como também ajudou que outras nações subjugadas pelos espanhóis acelerassem o caminho para a sua emancipação. Trata-se do mais esquecido e deplorado dos lugares do nosso continente: Haiti. É precisamente lá que se está desenvolvendo uma importante escalada de resistência popular, não só contra o mau governo de René Preval, mas também contra aqueles que afirmam estar em terra haitiana para colaborar com a sua população. Referimo-nos às tropas das Nações Unidas (MINUSTAH).
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Mais concretamente, em finais de 2008, a MINUSTAH contava com a participação de 9.028 uniformizados (7.000 soldados e 2.019 polícias), apoiados por 502 funcionários internacionais, 1.197 funcionários nacionais e 205 voluntários da ONU, todos sob o comando de militares brasileiros.
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Estas tropas mercenárias, entre as quais há argentinos, uruguaios, brasileiros, chilenos, bolivianos e de outros países, operam repressivamente contra a população haitiana e é por isso que vêm surgindo inúmeras denúncias que, geralmente, ficam pela total impunidade.
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Um dos casos apresentados por organizações haitianas de direitos humanos, refere-se ao massacre ocorrido em 22 de Dezembro de 2006, na comunidade de Cité Soleil, depois de uma manifestação de cerca de dez mil pessoas, que exigiam o regresso do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide ao país e a retirada dos eletivos militares estrangeiros. Segundo relatos da população local e imagens de vídeos produzidos pela organização Haiti Information Project - HIP (Projeto de informação de Haiti) as forças da ONU atacaram a multidão e mataram cerca de 30 pessoas, incluindo mulheres e crianças.
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Isto ocorre também num contexto de silêncio generalizado a nível informativo. O Haiti não conta para as crônicas dos jornais e muito menos para as telas de televisão. O seu povo, não entra nas estatísticas populacionais. Todavia, apesar disso, o povo não se resigna a ser dominado e luta.
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Desta realidade e das suas conseqüências para a América Latina, falamos com o dirigente do Comitê Democrático Haitiano, Henry Boisrolin, que recentemente chegou da capital haitiana onde esteve com a missão de reclamar a solidariedade urgente com quem hoje está à cabeça da resistência popular, os estudantes universitários e do secundário que se encontram, desde há meses, ocupando vários estabelecimentos de educação.
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Carlos Aznárez (CA): - Qual é a situação do Haiti na atualidade?
Henry Boisrolin (HB): - O Haiti encontra-se ocupado, mas os media internacionais apresentam este fato com se se tratasse de «ajuda humanitária». Mesmo a própria Missão da ONU diz que é «para a estabilização do Haiti». Há um conjunto de 40 países que integram esta Missão e, infelizmente, temos tropas latino-americanas a ocupar o país. Como é sabido, o comando militar encontra-se sob a liderança do Brasil. Nós rejeitamos esta situação, porque entendemos que é uma violação da nossa autodeterminação, da nossa soberania e dignidade como povo.
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A resistência vem de setores distintos da população, mas ultimamente são os estudantes universitários, a que se juntam alguns das escolas secundárias, que têm ganhado as ruas para exigir a retirada das tropas e a promulgação duma lei sobre o salário mínimo, que foi votada pelo Parlamento. O que se passa é que o governo de Preval não a aceita, sob o pretexto de que se Haiti já tem 70% da sua população ativa no desemprego, promulgar uma lei que significa aumentar de 1,7 a 4 ou 5 dólares o salário mínimo diário, «iria provocar uma avalanche de demissões que agravaria ainda mais a situação dos trabalhadores». Para os estudantes, esta resposta é uma nova falácia do governo, e vão lançar ações de resistência, ocupando várias Faculdades.
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CA: - Como reagiu o governo de Preval?
HB: - Reprimindo os estudantes. Houve vários mortos e dezenas de detenções, professores perseguidos, lançadas bombas de gás lacrimogêneo e balas de chumbo sobre os manifestantes. A Missão das Nações Unidas foi acompanhar a polícia haitiana em toda essa tarefa repressiva. É isto que pretendemos denunciar e, ao mesmo tempo, pedir solidariedade para que os governos dos países sul-americanos percebam que não é essa a via, que Haiti não necessita de elementos militares. Do que nós precisamos é da ajuda que nos dão Cuba e Venezuela, é esse o modelo válido de apoio, de humanidade, de respeito pela nossa independência e soberania.
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CA: - Vamos ficar neste último tema. As tropas das Nações Unidas dizem que vão cumprir tarefas humanitárias. Pelo menos, é isso que explicam as chancelarias dos países que estão implicados nesta manobra, como a Argentina, o Uruguai, o Brasil e outros. Inclusivamente, alguns partidos progressistas encarregaram-se de explicar que «era melhor que se retirassem as tropas latino-americanas a que Haiti seja invadido pelos Estados Unidos». Que tem a dizer sobre essa questão?
HB: - Antes de tudo, há que desmentir uma coisa: não houve nenhuma autoridade legítima do meu país que tivesse pedido a intervenção, isso é uma mentira. Em 2004, o ano do bicentenário da nossa independência, havia um presidente legítimo, que era Jean-Bertrand Aristide. Havia distúrbios no país e em nome dessa desculpa entrou um comando militar norte-americano, que seqüestrou o presidente, meteram-no num avião e mandaram-no para o exílio na República Centro-Africana, e agora está na África do Sul. Uma ação muito semelhante aquilo que fizeram ao Presidente Zelaya. Não são casos isolados e abrem precedentes que ameaçam a segurança e a democracia no resto dos países latino-americanos.
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Isto foi o que aconteceu, ninguém pediu tal intervenção. Impuseram um governo, que organizou as eleições e que deram a vitória a Preval, assim legitimando o golpe, igual ao que se passou agora nas Honduras.
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É verdade que o presidente Preval, que venceu nos sufrágios, pediu a manutenção da MINUSTAH, mas, originalmente, não houve nenhuma autoridade haitiana que a tenha pedido.
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Por outro lado, não porque Preval o tenha feito, tem que ser o sentimento do povo haitiano e essa é outra falácia. Há que ir a Haiti e andar nas ruas dos seus bairros mais populares, para compreender a recusa majoritária das pessoas à presença das tropas de ocupação.
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CA: - Qual é a atuação das tropas invasoras?
HB: - A atuação das tropas das Nações Unidas ofende qualquer ser humano que tenha um pouco de sensibilidade. Num país, onde 70% da sua população ativa não têm trabalho, onde temos uma taxa de mortalidade infantil superior a 80 por mil, e uma taxa de analfabetismo, no campo, que supera os 70%, e que nas cidades é de 50%, e onde a esperança de vida não ultrapassa os 50 anos. Estamos falando de um país com as suas estruturas econômicas destruídas, onde 60% do seu orçamento provêm de ajuda internacional e das remessas que enviam os haitianos que trabalham no estrangeiro. Por tudo isto, dizer que é preciso ir com tanques, aviões e helicópteros para resolver a situação, é totalmente falso e cruel.
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Que fizeram estes «salvadores»? Violaram moças e mulheres haitianas, espancaram e torturaram os nossos jovens. Não somos nós que o dizemos, mas uma investigação da ONU confirmou esse fato, e a única coisa que se fez foi retirar alguns soldados e mandá-los para casa, porque segundo o Convênio da Resolução 545, que permitiu a entrada das tropas no dia 1 de Junho de 2004, o Haiti não tem o direito de julgar nenhum militar estrangeiro, mesmo que tenha cometido crimes contra a humanidade. Mais submissão que isto não pode existir. E há que dizer que há soldados do Sri Lanka, do Uruguai e de outros países, acusados destes abusos.
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CA: - Ou seja, violações dos direitos humanos realizados no âmbito de uma "legalidade" imposta, que permite mais impunidade.
HB: - Exato. Todavia há outro tema que desejo abordar e que às vezes fica postergado porque aprofundamos mais o estudo da realidade política ou econômica de um país. Refiro-me à dignidade humana, o valor da relação e dos sentimentos humanos, o contacto entre os povos. Quer dizer, uma história em comum. Haiti, depois de se tornar independente, concedeu uma solidariedade efetiva a muitos povos latino-americanos, ajudou a Francisco Miranda, a Bolívar, em duas ocasiões, com espingardas, dinheiro e outros abastecimentos, mas, fundamentalmente, com voluntários. Centenas de haitianos morreram pela independência da Venezuela e de outros países. Por isso dizemos que receber este tratamento atual é uma afronta à história. O nosso povo não cometeu nenhum crime, apenas pediu mais justiça. E sofremos o comportamento mercenário, pois muitos destes invasores vêm pelo dinheiro, ganham milhares de dólares sem gastar absolutamente nada. Em seis ou sete meses que ali permanecem, voltam aos seus respectivos países bem recheados de dinheiro, situação que não podem ter nos seus lugares de origem.
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Então, aproveitando um momento de debilidade, de falta de capacidade do movimento popular haitiano para inverter a situação, vieram e avassalaram o Haiti… Vemos, por exemplo, em Porto Príncipe, nalguns bairros menos pobres, como pela noite (não há praticamente vida noturna em Haiti, não há luz, nem os serviços que há noutros países) se vê um contínuo desfilar de automóveis das Nações Unidas à frente dos melhores bares e restaurantes, gastando muitos dólares, e, nas redondezas, o povo dormindo nas ruas.
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CA: - É realmente ofensivo e indigno...
HB: - Isto obriga à reflexão, porque temos ouvido dizer a alguns governos, quando passam os furacões ou acontecem outras ações climáticas, que as tropas estão lá precisamente para nos ajudar nos maus momentos. Mas isso não é determinante, nem mais ou menos. A ocupação de Haiti é um novo esquema para vergar a rebelião popular, num país onde as classes dominantes não têm alguma possibilidade de ganhar eleições através de processos limpos. Então, é preciso impor, pela força das armas, uma estratégia de domínio. É esse o verdadeiro papel dos ocupantes. E para aqueles que dizem que «é melhor essas tropas em vez das dos Estados Unidos», nós dizemos o contrário, pois dessa forma teríamos de frente o inimigo de maneira mais clara. Por outro lado, é duríssimo ver irmãos latino-americanos, enviados por governos que deveriam ter outro tipo de comportamento para com o drama haitiano. Estive em bairros populares que foram muito castigados por estas tropas e ouvi o que dizia o coração dessa gente. A indignação, com que contam como os bombardeiam de madrugada, nestes bairros, para querer apanhar supostos bandidos. Ou quando os soldados entram em tropel, e dão pontapés nas portas, arrastando para fora os aterrorizados habitantes. Por isso, não há lugar a mais mentiras: trata-se de uma ocupação desavergonhada e clara da República do Haiti e na medida em que esta situação continue haverá mais resistência.
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Este texto foi publicado em Resumen Latinoamericano
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* Carlos Aznárez é jornalista argentino e diretor de Resumen Latinoamericano.
Henry Boisrolin é dirigente do Comitê Democrático Haitiano
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terça-feira, 16 de junho de 2009

Porto Rico

ONU aprova o direito de Porto Rico a livre determinação e independência

A ONU reafirmou nesta segunda o direito inalienable do povo puertorriqueño à livre determinação e independência e chamou ao governo dos Estados Unidos a assumir sua responsabilidade de propiciar esse processo.

O tema está contido em uma resolução aprovada pelo Comitê Especial da Assembléia Geral encarregado de examinar a situação com respeito à aplicação da Declaração sobre a concessão da independência aos países e povos coloniales.

Auspiciado por Cuba, Equador e Venezuela, o documento reitera que o povo puertorriqueño constitui uma nação latinoamericana e caribeña que tem sua própria e inconfundível identidade nacional.

A resolução chama ao governo dos Estados Unidos ou a assumir sua responsabilidade de propiciar um processo que permita que o povo de Porto Rico exerça plenamente seu direito inalienable à livre determinação e a independência .

Esse direito aparece refletido na resolução 1514 (XV) da Assembléia Geral, bem como em outras resoluções e decisões do Comitê Especial relativas a Porto Rico.

O documento toma nota novamente do debate que existe nessa ilha sobre a implementação de um mecanismo que possa assegurar a plena participação de todos os setores de opinião boricuas.
Ao respecto, assinala estar consciente do princípio de que toda iniciativa para a solução do estatus político de Porto Rico deve a tomar originalmente esse povo.

Em seu acordo, o Comitê expressa profunda preocupação pelas ações levadas a cabo contra luchadores independentistas, e alenta a que se realizem investigações com o rigor necessário e a cooperação das autoridades pertinentes.

Ademais, insta a Washington a culminar a devolução a esse povo de toda a terra dantes ocupada e as instalações em Vieques e Ceiba.

Reclama a Estados Unidos atender os direitos humanos fundamentais, como os de saúde e desenvolvimento econômico, e assumir os custos do processo de limpeza e descontaminación de áreas de impacto usadas em prévias manobras militares.

Demanda a libertação de Oscar López Rivera e Carlos Alberto Torres, quem cumprem condenações por mais de 28 anos, e Avelino González Claudio, todos presos políticos puertorriqueños encarcerados nos Estados Unidos por causas relacionadas com a luta pela independência desse país.
Original em Pátria Latina

segunda-feira, 18 de maio de 2009

61 anos de Nakba (Desgraça)

61 anos de ocupação israelita, de apartheid, de limpeza étnica e de resistência palestina

Randa Nabulsi*

Fonte: MPPM

A 29 de Novembro de 1947 as Nações Unidas aprovaram a Resolução 181 que recomendava a Partilha da Palestina histórica em um Estado israelita para menos de 20% de habitantes representados por colonos provenientes na sua maioria da Europa sobre 51% do território e um Estado palestino nos outros 49% para um milhão de Palestinos. Esta divisão, apesar de demograficamente desigual, nunca chegou a efetuar-se.

Entre a decisão de partilha e o dia 15 de Maio de 1948, dia oficial do fim do mandato britânico e a declaração do Estado de Israel, houve uma verdadeira guerra de limpeza étnica que foi relatada históricamente por inúmeros escritores e pensadores. Talvez tenha sido Ilan Pappe, o historiador israelita quem mais relatou e transmitiu as realidades desta guerra através do seu livro denominado “A LIMPEZA ÉTNICA DA PALESTINA” e baseado em documentos “libertados” pelo governo israelita há mais de dois anos. Neste livro, o escritor relata palavra por palavra e detalhadamente como nasceu a questão dos refugiados, as aldeias completamente destruídas e os massacres cometidos contra o povo palestino.
Com a guerra de 1948, iniciou-se um processo de ocupação territorial em benefício dos emigrantes judaicos e da limpeza étnica da população palestina que foi seguindo o seu percurso fatídico até aos dias de hoje. O primeiro afastamento da população palestina foi levada a efeito por milícias sionistas provocando um êxodo massivo de 750.000 palestinos que se converteram em refugiados. Junto com os seus descendentes, representam hoje em dia cerca de cinco milhões de pessoas refugiadas além de um milhão e meio a viverem na Faixa de Gaza, a maioria dos quais já havia sido desalojada dos territórios em 1948, 2 milhões na Cisjordânia e 1 milhão e meio de Palestinos, cristãos e muçulmanos que representam 20% da população de Israel.
Aquela primeira ofensiva das milícias sionistas (consideradas grupos terroristas pela comunidade internacional) culminou a 15 de Maio de 1948 com a proclamação unilateral do Estado de Israel por Ben Gurion. Esta data ficou gravada na memória do povo palestino como o dia fatídico da derrota, o massacre e o exílio forçado. É relembrada a cada 15 de Maio e conhecida pelo nome de “Nakba”, a catástrofe/ a desgraça.
A resolução 194 das Nações Unidas de 11/09/1948 que exigia à comunidade internacional cumprir o direito do regresso dos refugiados palestinos e garantir a respectiva indenização foi condição para entrada de Israel nas Nações Unidas mas esta resolução continua sem implementação e a ser anualmente recordada na Assembléia Geral das Nações Unidas Sob o tema: Palestina, os Direitos Inalienáveis.
Durante estes longos 61 anos e até hoje, o Estado de Israel pratica nos Territórios Palestinos Ocupados uma política de expansão e imposição de fatos no terreno, construção de uma rede imparável de colônias, violação dos direitos fundamentais e políticos da população civil palestina, anexação de terras e recursos hídricos, castigos coletivos, isolamento das populações e restrição de movimento dos cidadãos através de controles militares (check points) cerca de 650 fixos além dos temporários, o muro de separação racista, detenções (11 mil prisioneiros alguns dos quais já ultrapassaram os 37 anos nas prisões israelitas), expulsões, torturas, assassinatos, bombardeamentos... Ignorando as resoluções das Nações Unidas e de outros organismos internacionais, Israel continua praticando uma política de colonização e expulsão. Continua ampliando o número e tamanho dos colonatos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém onde tem vindo a instalar cerca de meio milhão de colonos.
Após 61 anos o povo palestino, apesar de todas as injustiças que tem vindo a sofrer, resiste firmemente aos seus direitos. Resiste contra um Estado militar e confessional que se apóia num “lobby” internacional sionista muito poderoso, que se nega a acatar as resoluções das Nações Unidas especialmente a 243 e a 338 que insistem na retirada de Israel dos territórios árabes ocupados e a 194 e a 3236 que reconhecem o direito de regresso dos refugiados assim como a declaração do Tribunal Internacional de Haia de 2004 sobre o rápido derrube do muro de separação racista. Sem o apoio e consentimento internacional, o estado ocupante de Israel não poderia ter mantido todos estes anos a incomensurável injustiça contra todo um povo. Os 86 vetos americanos no Conselho de Segurança ajudaram a fazer com que Israel seja um país acima de lei.
Apesar de se recordarem agora os 61 anos da Nakba (desgraça) os palestinos não desistem, continuam e continuarão a insistir no direito ao estabelecimento do seu estado independente nos territórios ocupados em 1967 com Jerusalém oriental como sua capital e encontrar uma solução justa para a questão do regresso dos refugiados. O Povo Palestino nada mais pede do que aquilo que lhe foi concedido pelas resoluções das Nações Unidas, pela comunidade e legalidade internacionais de acordo com os direitos humanos se é que, e esperamos que sim, ainda exista algum respeito e consideração por aqueles conceitos e resoluções.
Ao relembramos os 61 anos da Nakba (catástrofe/desgraça), lembramos 61 anos do sofrimento que vivemos, os massacres, a tortura e a miséria nos campos dos refugiados nos países vizinhos. 61 anos da Nakba, é altura de mais uma vez exigirmos de todos o governos europeus que assumam a sua obrigação de fazer cumprir as resoluções das Nações Unidas assim com as obrigações estabelecidas pelo Tribunal Internacional de Justiça sobre a ilegalidade do muro de separação racista. A criação pela União Européia de uma comissão e tribunal especial que investigue as violações cometidas por Israel em relação aos Convênios, ao Direito Internacional e especificamente sobre o regime de “apartheid” que têm vindo a desenvolver assim como as suas violações à IV Convenção de Genebra e crimes contra a humanidade na sua campanha de isolamento e genocídio contra um milhão e meio de cidadãos que vivem na Faixa de Gaza.
Israel conta com a idéia de que os mais velhos irão morrer e os mais novos irão esquecer-se. Morrerão os mais velhos, mais os mais novos, geração após geração, continuam a ter na mão as chaves das casas dos pais e as escrituras das suas terras para um dia regressarem… As novas gerações mostram-se lutadoras e ligadas às aspirações da sua identidade e de uma pátria própria não desistindo do direito ao regresso, à independência e ao estabelecimento do Estado Palestino independente com Jerusalém como capital.

*Delegada Geral da Palestina em Portugal
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Original em Tribunal Iraque

quarta-feira, 18 de março de 2009

Tribunal da ONU condena mentor do genocídio em Ruanda

Ex-general Theoneste Bagosora é culpado pela morte de 800 mil pessoas no conflito no país africano em 1994

O Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para Ruanda (TPIR) condenou à prisão perpétua nesta quinta-feira, 18, Theoneste Bagosora, ex-coronel do Exército e mentor do genocídio que deixou mais de 800 mil mortos no país africano. O ex-militar foi considerado culpado de crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Ruanda enfrentou em cerca de 100 dias o massacre de mais de 800 mil pessoas, na maioria integrantes da minoria tutsi e hutus moderados, assassinados por milícias hutus depois que o avião do presidente do país misteriosamente foi derrubado em Kigali ao retornar de uma negociação de paz com rebeldes. A matança figura, ao lado do holocausto dos judeus, como uma das piores atrocidades do século 20.

No indiciamento, a TCIR disse que, antes do assassinatos, Bagosora abandonou as negociações de paz na Tanzânia, dizendo que voltaria a Ruanda para "preparar o apocalipse". Os promotores disseram que Bagosora, então chefe de gabinete do Ministério da Defesa, assumiu o controle dos assuntos militares e políticos de Ruanda quando o avião do presidente Juvenal Habyariamana foi derrubado. Depois do genocídio, Bagosora partiu para o exílio em Camarões. Ele foi preso lá em 1996. Seu julgamento começou em 2002 e prosseguiu até meados de 2007. Bagosora sofreu 11 acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Também na quinta-feira, a corte da ONU sentenciou os ex-oficiais Anatole Nsengiyumva e Aloys Ntabakuze à prisão perpétua. O cunhado do ex-presidente Habyarimana Protais Zigiranyirazo, conhecido como "Monsieur Z", foi condenado a 20 anos de prisão também pelos crimes de genocídio, extermínio e crime contra a humanidades. Zigiranyirazo foi acusado de ser membro da Akazu, pequena mas poderosa elite formada por familiares Hutus que planejavam exterminar tutsis.

Ruanda sempre teve sua população dividida entre membros da etnia hutu, que constituem 85% da população, e tutsi, que tradicionalmente são a elite do país. Em 1994, o governo formado por hutus estava tentando desesperadamente conter o avanço de rebeldes de etnia tutsi. Em abril, um avião que levava o presidente, um hutu, foi derrubado. Em questão de horas, alguns membros do governo, incluindo o próprio primeiro-ministro, organizaram milícias para percorrer o país e, sistematicamente, assassinar tutsis.

Segundo a BBC, bloqueios foram criados nas estradas e qualquer pessoa que parasse neles e mostrasse um documento que o identificasse como tutsi era morto - às vezes, a tiros, mas mais freqüentemente com golpes de facão. Vizinhos mataram seus vizinhos e até hutus moderados que se recusaram a participar do massacre foram assassinados. Mesmo freiras e sacerdotes foram considerados culpados de participar do genocídio. O mundo fez pouco para impedir o massacre, mas depois as Nações Unidas criaram um tribunal internacional na cidade de Arusha, na Tanzânia, para julgar os líderes das milícias.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Prestam homenagem na ONU a Fidel Castro e Julius Nyerere

O presidente da Assembleia Geral da ONU, o nicaraguense Miguel D’Escoto, prestou homenagem ao desaparecido primeiro presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, e ao líder da Revolução cubana, Fidel Castro.
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No Dia Mundial da Justiça Social, D’Escoto considerou que o grande herói da justiça social é Julius Nyrere, de quem disse ajudou toda a África a se libertar do colonialismo e a estabelecer um sistema social e econômico com o ser humano como centro de toda empresa econômica.
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O também sacerdote nicaraguense disse a respeito de Fidel Castro que, mais que um herói, é o mais parecido a um santo que temos em nosso atribulado mundo, de acordo com uma notícia da agência Prensa Latina.
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Ressaltou no ato organizado pela Comissão de Desenvolvimento Social do Conselho Econômico e Social da ONU, que continua em dívida e acredita que toda a humanidade também o está com Fidel Castro, que dedicou sua vida a praticar e promover incansavelmente a solidariedade com os povos oprimidos de todo o mundo.
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O ex-ministro das Relações Exteriores da Nicarágua, neste primeiro mandato dos sandinistas, referiu-se também ao surgimento de novos líderes, como o presidente Evo Morales, da Bolívia.
“Ultrapassando todo tipo de dificuldades, está guiando nossos povos indígenas na Bolívia e em todo o mundo, até o lugar que lhes cabe em nossas sociedades por direito”, sublinhou.
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D’Escoto sustentou que é impossível atingir o desenvolvimento, a integração e a justiça sociais sem paz e segurança e respeito por todos os direitos humanos.
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Original em Granma

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