Além do Cidadão Kane

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terça-feira, 20 de abril de 2010

Guantánamo

EUA sabiam da inocência dos detidos

Os mais altos dirigentes da administração Bush sabiam que a maioria dos presos de Guantánamo estavam inocentes, mas o governo norte-americano da época recusou-se a libertar os indivíduos por razões políticas. A revelação foi feita por um ex-assessor do então secretário de Estado, Colin Powell.

De acordo com Lawrence Wilkerson, citado pelo diário britânico The Times, o antigo vice-presidente, Dick Cheney, e o ex-secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, estavam conscientes de que a quase totalidade dos 742 supostos terroristas enviados, a partir de 2002, para o campo de concentração que os EUA mantêm em Cuba, haviam sido detidos sem qualquer evidência de relação com atos violentos.

«Falei ao secretário Powell dos detidos em Guantánamo. Fiquei sabendo que era da opinião que não só o vice-presidente Cheney e o secretário Rumsfeld, mas também o presidente Bush estava implicado em todo o processo de decisão relativo a Guantánamo», escreve Wilkerson numa declaração datada de 24 de Março deste ano.

No documento, anexo ao processo apresentado por Adel Hassan Hamad, um sudanês encarcerado em Guantánamo entre 2003 e 2007, que se queixa de tortura e maus-tratos perpetrados pelas autoridades norte-americanas, o assessor e ex-militar sublinha igualmente que «a maior parte [dos detidos em Guantánamo] não tinham sido presos pelas forças americanas», mas comprados pelos EUA a mercenários paquistaneses, afegãos e outros por valores entre os 3700 e os cinco mil dólares por cabeça.

«Os prisioneiros [alguns menores de idade e outros de idade já muito avançada] não eram acompanhados de nenhuma acusação» e «não havia meio de saber qual a razão da sua detenção inicial», acrescenta Wilkerson, que sustenta ainda que a Casa Branca não libertou os presos para que não fossem conhecidas as torturas, sevícias e humilhações praticadas, as quais sabiam que prejudicariam muito a administração republicana.

Para Wilkerson «[A Dick Cheney] não o preocupava que os detidos fossem inocentes» ou que «centenas de indivíduos inocentes tivessem de sofrer para se poder deter um punhado de destacados terroristas».

Original em Avante!
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domingo, 30 de agosto de 2009

Tortura sem punição

Obama criou nova unidade para interrogatórios
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Um documento desclassificado pelo Departamento de Justiça norte-americano revelou novos detalhes sobre os crimes cometidos pelos EUA contra detidos suspeitos de terrorismo. A ONU manifesta-se contra a impunidade.
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De acordo com o texto a que o The New York Times teve acesso, membros da CIA terão torturado os prisioneiros e ameaçado as suas famílias caso não confessassem o seu envolvimento com a al-Qaeda e a participação em atentados.
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No seguimento dos elementos que vêm confirmar o que há muito não era segredo (isto embora muito mais esteja por saber, a julgar pelas páginas inteiras do relatório rasuradas), o procurador Eric Holder – que até agora defendeu a não investigação das práticas da administração Bush junto com Barack Obama e com o diretor da CIA nomeado pelo presidente em exercício, Leon Panetta – foi obrigado pela pressão e contestação pública a nomear John Durham para conduzir as eventuais acusações contra os agentes.
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A União norte-americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla inglesa), cujas ações em tribunal contra a ocultação das provas da tortura foram decisivas para o atual desenrolar dos processos, considera a decisão um avanço, mas insuficiente, por isso exige que se procedam a investigações abrangendo não apenas os executantes das ordens mas também os responsáveis políticos.
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Reagindo às informações divulgadas segunda-feira, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay expressou repúdio por qualquer tipo de impunidade nos casos de tortura e pediu que fossem investigadas também as denuncias relativas aos ex-presos do campo de concentração norte-americano de Guantánamo, bem como as alegadas torturas praticadas noutras instalações semelhantes administradas pelos EUA.
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Blackwater e CIA
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A juntar à publicação do relatório da CIA, a semana passada o matutino nova-iorquino informou que, em 2004, a CIA contratou os serviços da Blackwater para ajudar a realizar o trabalho sujo.
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O New York Times baseia-se nos testemunhos de atuais e antigos operacionais da secreta para avançar que a empresa de segurança privada teve um papel importante na captura e aniquilação de alegados militantes da al-Qaeda no Afeganistão, não tendo no entanto sido possível apurar se a Blackwater se limitava a vigiar os alvos e a fornecer treino aos agentes. Certo é que a companhia recebeu da administração republicana, com os votos dos democratas nos orçamentos da guerra, naturalmente, milhões de dólares em serviços prestados.
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Obama aprova nova unidade
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Tudo isto ocorre em simultâneo com a criação por parte da Casa Branca de uma nova unidade dita de contra-terrorismo encarregue de interrogar os indivíduos suspeitos de pertencerem a «células terroristas».
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Segundo o The Washington Post, Obama terá subscrito o diploma que institui o Grupo de Interrogatório de Detidos de Alto Valor antes de partir de férias visando melhorar a imagem da sua administração, quer perante os que contestam o uso de tortura e exigem a investigação das iniciativas na era Bush, quer perante os que, como o ex-vice-presidente Dick Cheney, sustentam que as investigações têm motivações políticas e insistem que o uso de «técnicas avançadas de interrogatório» salvaram vidas.
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Original em Avante!

sábado, 23 de maio de 2009

Haiti

Bill Clinton é nomeado novo Enviado de Nações Unidas para 'estabilizar' o Haiti, um país que ele ajudou a desestabilizar


Jeremy Scahill

Traduzido por Beatriz Morales Bastos/Rosalvo Maciel

O Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon nomeou o ex-presidente Bill Clinton seu Enviado Especial das Nações Unidas ao Haiti (1). Segundo se informou, Clinton viajará ao país pelo menos quatro vezes por ano.

“É uma oportunidade de levar recursos para tratar a insegurança econômica que assola o Haiti”, afirma Brian Concannon (2), um advogado de direitos humanos que trabalha exaustivamente no Haiti. “Mas se a nomeação for algo mais do que um ardil publicitário, as Nações Unidas tem que lançar honestamente um raio de luz sobre o papel desempenhado pela comunidade internacional em criar a dita desestabilização, incluindo políticas comerciais e de dívidas injustas, e a destruição e derrubada do governo constitucional do Haiti”.

Lançar este raio de luz sobre os que criaram a desestabilização, como sugere Concannon, significaria examinar o papel que desempenhou o próprio Clinton como presidente de Estados Unidos durante um dos períodos mais horrivelmente obscuros do Haiti.

A agência de notícias Reuters (3) cita um diplomata que afirma que Clinton é “uma excelente escolha para ajudar a abrir as possibilidades do Haiti como um objetivo de investimento” e acrescentou que sua nomeação “poderia atrair o investimento na nação mais pobre do hemisfério ocidental e ajudar a estabilizar o país”.

Esta última afirmação de “estabilizar” o Haiti seria cômica pelo irônico se a realidade e a historia de Clinton no Haiti não fossem tão mortalmente sérias. O fato é que como presidente de Estados Unidos, as políticas de Clinton ajudaram sistematicamente a desestabilizar o Haiti.

Dan Coughlin, que nos anos noventa trabalhou vários anos como jornalista para Inter Press Service no Haiti, afirmou que não “podia crer” quando ouviu a noticia. “Dada a agressiva atividade da administração Clinton para prosseguir com as políticas que beneficiaram à muito reduzida elite do Haiti, ao FMI e às grandes corporações a expensas dos agricultores e trabalhadores urbanos do Haiti, a nomeação não augura nada bom para o tipo de mudança fundamental tão necessária em um país que tanto tem dado à humanidade”, afirmou Coughlin.

Em setembro de 1991 os Estados Unidos apoiou a violenta derrubada do governo haitiano, eleito democraticamente, do sacerdote de esquerda Jean Bertrand Aristide ao fim de menos de um ano no poder. Nas eleições presidenciais de 1990 Aristide havia derrotado ao candidato respaldado pelos Estados Unidos. Os chefes do golpe militar e seus bandos paramilitares de capangas assassinos apoiados pela CIA, incluindo as tristemente célebres unidades paramilitares FRAPH, eram conhecidos por esquartejar os seguidores de Aristide (e a outras pessoas), alem de uma série interminável de outros horríveis crimes.

Quando Clinton chegou ao poder tomou medidas em relação ao Haiti que permitiram ao regime golpista seguir arrasando o Haiti e desestabilizando ainda mais o país. E mais, em sua campanha para as eleições de 1992 Bill Clinton fez campanha com a promessa de revogar o que ele chamou de “cruel política do presidente George H.W. (Bush) de deter os refugiados haitianos em Guantánamo sem direitos legais nos tribunais estadunidenses”. No entanto, após sua eleição, mudou sua postura (4) e se posicionou ao lado da administração Bush ao negar seus direitos legais aos haitianos. Estes continuaram detidos em condições atrozes e o Centro para Direitos Constitucionais reclamou ao novo presidente democrata (lhe soa familiar?).

Enquanto Clinton e seus conselheiros expressavam em público sua consternação pelo golpe ao mesmo tempo se negavam a aprovar a rápida recondução do dirigente do país eleito democraticamente e, de fato, não permitiram a volta de Aristide até que Washington recebeu garantias de que, em primeiro lugar, Aristide não faria uma demanda judicial pelos anos de sua presidência perdidos em um exílio forçado e, segundo, os planos econômicos neoliberais estadunidenses se consolidassem por lei no Haiti.

“À administração Clinton se atribui o haver trabalhado para que Jean Bertrand Aristide voltasse ao poder depois de haver sido derrubado por um golpe militar”, afirma William Blum. “Mas, de fato, Clinton havia estado dificultando a volta em tudo o que pudesse e fez todo o possível para que os conservadores contrários a Aristide voltassem a desempenar um papel fundamental em um governo misto já que Aristide era demasiado de esquerda para o gosto de Washington”. O livro de Blum Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II [Matar a esperança:intervenções do exército estadunidense e da CIA desde a Segunda Guerra Mundial] inclui um capítulo sobre a historia do papel dos Estados Unidos no Haiti.

O fato de que se permitira que durante três anos completos continuara incólume o golpe contra ol presidente democraticamente eleito do Haiti a Clinton lhe parecia menos ofensivo que a visão progressista que Aristide tinha de Haiti. Como Blum observava em seu livro (5), “[Clinton] realmente não rechaçava a (líder do golpe Raoul) Cèdras e companhia já que estes não supunham uma barreira ideológica para que os Estados Unidos seguissem exercendo o controle econômico e estratégico do Haiti mantido durante mais de um século, à diferença de Jean-Bertrand Aristide, um homem que apenas há um ano antes havia declarado: “Sigo pensando que o capitalismo é um pecado mortal”.
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Blum acrescenta: “Ao ter que encarar afinal a volta ao poder de Aristide, Clinton exigiu e conseguiu (e então se assegurou de anunciar-lo publicamente) a garantia do presidente do Haiti de que não ia tratar de permanecer no cargo para compensar o tempo perdido no exílio. Clinton, evidentemente, chamou a isto “democracia” , ainda que representara uma legitimação parcial do golpe. De fato, os especialistas em Haiti afirmam que Clinton deveria haver devolvido a Aristide o poder antes de o que o fez em base a um acordo quase idêntico”.

Como assinala Blum, quando Aristide voltou finalmente ao Haiti, “a recepção de Jean-Bertrand Aristide foi uma celebração gozosa cheia de otimismo. No entanto, sem que soubessem seus seguidores, no momento em que estavam recuperando a Aristide poderiam ter perdido o aristidismo”.

Como informou então o Los Angeles Times, “em uma serie de reuniões privadas, altos cargos da administração (estadunidense) recomendaram a Aristide que deixasse sua retórica do bem-estar social (...) e tratasse em vez disso de reconciliar os ricos e pobres do Haiti. A administração também o obrigou a restringir-se estritamente à economia de livre mercado e a acatar a constituição da nação caribenha (que dá um substancial poder político ao parlamento ao mesmo tempo em que impõe estreitos limites à presidência). (...) Os altos cargos da administração obrigaram Aristide a contar com alguns de seus antigos oponentes para estabelecer seu novo governo, (...) ao estabelecer um regime de coalizão de ampla base (...). A administração deixou claro a Aristide que se não conseguisse alcançar o consenso com o parlamento, os Estados Unidos não apoiará seu regime. Quase cada um dos aspectos dos planos de Aristide para voltar a assumir o poder, desde tributar aos ricos até desarmar o exército, foram examinado por altos funcionários estadunidenses com os quais o presidente do Haiti se reúne diariamente e por altos funcionários do Banco Mundial, do FMI e outras organizações de ajuda. O pacote final reflete claramente as prioridades destes últimos. (...) Aristide, obviamente, baixou o tom da retórica da teologia da libertação e da luta de classes que eram sua marca antes de exilar-se em Washington”.

“Enquanto Bill Clinton supervisionava a volta do presidente Aristide em 1994, também punha uns estreitos limites ao que Aristide poderia fazer uma vez recuperado o poder”, afirma Bill Fletcher, Jr, diretor executivo da BlackCommentator.com e o último presidente do Foro Trans-África. “Clinton promoveu uma agenda neoliberal para o Haiti, com o que minou os esforços de uma administração populista progressista (a de Aristide). Não há razões para pensar que (como Enviado das Nações Unidas) o ex-presidente Clinton vá introduzir ou apoiar esforços para que de maneira radical o Haiti deixe de estar sob domínio estadunidense e para acabar com a pobreza que tem sido uma importante conseqüência desta triste dominação”.
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(1) http://www.miamiherald.com/news/americas/haiti/story/1054866.html

Guerras maiores e mais sangrentas igual a paz e justiça

James Petras

"Os Deltas são loucos... É preciso ser um psicopata certificado para aderir à Delta Force...", disse-me certa vez na década de 1980 um coronel do Exército dos EUA em Fort Bragg. Agora o presidente Obama promoveu o mais infame dos psicopatas, o general Stanley McChrystal, a chefe do comando militar dos EUA e da NATO no Afeganistão. A elevação de McChrystal à liderança é assinalada pelo seu papel central na direção de equipes de operações especiais empenhadas em assassínios extrajudiciais, tortura sistemática, bombardeamento de comunidades civis e missões de busca e destruição. Ele é a própria corporificação da brutalidade e do sangue que acompanha a construção do império conduzida por meios militares. Entre Setembro de 2003 e Agosto de 2008, McChrystal dirigiu a Joint Special Operations (JSO) do Pentágono, comando que opera equipes especializadas em assassínios no estrangeiro.

A questão das equipes de Operações Especiais (Special Operations teams, SOT) é que elas não distinguem entre oposições civis e militares, entre ativistas e seus simpatizantes e a resistência armada. As SOT especializam-se em estabelecer esquadrões da morte, recrutar e treinar forças paramilitares para aterrorizar comunidades, vizinhanças e movimentos sociais de oposição a regimes clientes dos EUA. O "contra-terrorismo" das SOT é terrorismo em reverso, concentrando-se sobre grupos sócio-políticos entre os servidores estadunidenses e a resistência armada. O SOT de McChrystal alvejou líderes insurgentes locais e nacionais no Iraque, Afeganistão e Paquistão por meio de raids de comando e ataques aéreos. Durante os últimos cinco anos do período Bush-Cheney-Rumsfeld as SOT foram profundamente implicadas na tortura de prisioneiros políticos e de suspeitos. McChrystal foi um favorito especial de Rumsfeld e Cheney porque estavam a seu cargo as forças de "ação direta" das Special Missions Units. Os operativos da "Ação Direta" são os esquadrões da morte e torturadores, e o seu único envolvimento com a população local é aterrorizar e não fazer propaganda. Eles empenham-se na "propaganda da morte", assassinando líderes locais para "ensinar" os locais a obedecerem e submeterem-se à ocupação. A nomeação por Obama de McChrystal como chefe reflete um agravamento da nova escalada militar da sua guerra do Afeganistão em face do avanço da resistência por todo o país.

A posição deteriorada dos EUA é manifesta no endurecimento do círculo em torno de todas as estradas que levam à capital do Afeganistão, Cabul, bem como na expansão do controle e influência Talibã por toda a fronteira Paquistão-Afeganistão. A incapacidade de Obama para recrutar novos reforços da NATO significa que a única oportunidade da Casa Branca avançar o seu impulso para a construção militar do império é aumentar o número de tropas estadunidenses e aumentar quantidade de mortes entre todos e quaisquer civis suspeitos em territórios controlados pela resistência armada afegã.

A Casa Branca e o Pentágono afirmam que a nomeação de McChrystal deveu-se às "complexidades" da situação no terreno e a necessidade de uma "mudança de estratégia". "Complexidade" é um eufemismo para o reforço da oposição em massa aos EUA, complicando as tradicionais operações de "bombardeamento e limpeza". A nova estratégia praticada por McChrystal envolve "operações especiais" em grande escala e a longo prazo para devastar e matar as redes sociais locais e líderes comunitários, os quais proporcionam apoio à resistência armada.

A decisão de Obama de impedir a divulgação de montes de fotografias que documentavam a tortura de prisioneiros pelas tropas de "interrogadores" dos EUA (especialmente sob o comando das "Forças Especiais") está diretamente relacionada com a sua nomeação de McChrystal, cujas forças "SOT" estiveram altamente implicadas em tortura generalizada no Iraque. Igualmente importante, sob o comando de McChrystal a DELTA, SEAL e Equipes de Operações Especiais terão um papel mais destacado na nova "estratégia de contra-insurreição". A afirmação de Obama de que a publicação destas fotografias afetará adversamente as "tropas" tem um significado particular. A exposição gráfica do modus operandi de McChrystal durante os últimos cinco anos sob o presidente Bush minará a sua efetividade na execução das mesmas operações sob Obama.

A decisão de Obama de recomeçar os "tribunais militares" secretos de prisioneiros políticos estrangeiros, mantidos no campo prisional de Guantánamo, não é meramente uma reencenação das políticas de Bush-Cheney, as quais Obama condenou e prometeu eliminar durante a sua campanha presidencial, e sim parte de uma política mais vasta de militarização e coincide com a sua aprovação das maiores operações de vigilância policiais secretas efetuadas contra cidadãos dos EUA.

Colocar McChrystal como encarregado das operações militares expandidas no Afeganistão-Paquistão significa colocar um notório praticante do terrorismo militar — a tortura e assassinato de oponentes da política dos EUA — no centro da política externa do país. A expansão quantitativa e qualitativa de Obama da guerra estadunidense no Sul da Ásia significa números maciços de refugiados a fugirem da destruição das terras, lares e aldeias; dezenas de milhares de mortes civis e a erradicação de comunidades inteiras. Tudo isto será cometido pela administração Obama com o objetivo de "esvaziar o lago" (deslocar populações inteiras) para apanhar o peixe (insurgentes armados e ativistas).

A restauração de Obama das mais infames políticas da Era Bush e a designação do mais brutal comandante de Bush baseia-se na sua adesão total à ideologia da construção do império conduzida por meios militares. Uma vez que alguém acredite (como Obama) que o poder e a expansão dos EUA baseiam-se em conquistas militares e contra-insurgência, todas as demais considerações ideológicas, diplomáticas, morais e políticas serão subordinadas ao militarismo. Ao centrar todos os recursos no êxito da conquista militar, escassa atenção é prestada aos custos suportados pelo povo alvo da conquista ou ao Tesouro dos EUA e à economia americana. Isto tem sido claro desde o princípio. Em meio à maior recessão/depressão com milhões de americanos a perderem o seu emprego e os seus lares, o presidente Obama aumentou o orçamento militar em 4% — levando para além dos 800 bilhões de dólares.

A adesão de Obama ao militarismo é óbvia a partir da sua decisão de expandir a guerra afegã apesar da recusa de NATO em comprometer quaisquer tropas combatentes adicionais. Ela é obvia na sua nomeação do mais infame e endurecido general das Forças Especiais da era Bush-Cheney para encabeçar o comando militar destinado a subjugar o Afeganistão e as áreas fronteiriças do Paquistão.

É exatamente como George Orwell descreveu em Animal Farm: Os Porcos Democráticos estão agora a prosseguir as mesmas políticas militares brutais dos seus antecessores, os Porcos Republicanos, só que agora em nome do povo e da paz. Orwell pode parafrasear a política do presidente Barack Obama, como o "Guerras maiores e mais sangrentas igual a paz e justiça".

Original em Global Research

Publicado em Resistir

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domingo, 17 de maio de 2009

As imagens de torturas no Iraque que Obama quer proibir

Uma televisão australiana divulgou as imagens que supostamente comprou em 2006 no início do escândalo de Abu Ghraib

Efe

Vários meios de comunicação publicaram hoje quinze fotografias que mostram torturas nos cárceres do Iraque e Afeganistão, que supostamente formam parte das 2.000 imagens que o presidente de Estados Unidos, Barak Obama, quer evitar que venham à luz.

A difusão das fotografias partiu da televisão australiana SBS, que supostamente as comprou em 2006 no início do escândalo de Abu Ghraib e decidiu torná-las públicas agora.

As fotografias mostram prisioneiros desnudos e ensangüentados, um homem com uma mensagem gravada nas nádegas que diz "Sou um violador" em inglês, um prisioneiro algemado, outro com o corpo cheio de excrementos e outro pendurado com a cabeça para baixo e sem roupa, entre outras aberrantes imagens.

A Administração Obama anunciou na quarta-feira passada que recorrerá da decisão de um tribunal de permitir a desclassificação das 2.000 fotos, tal como havia solicitado a Associação Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, por sua sigla em inglês).

A Casa Branca alega que a publicação das fotos poderiam desencadear uma nova onda de anti-americanismo no mundo muçulmano que poria em perigo a vida dos soldados estadunidenses ali destacados.

O novo escândalo chega em mau momento para o presidente Obama, depois de que ontem anunciara o restabelecimento das comissões militares criadas por seu predecessor, George W. Bush, para julgar a presos suspeitos de terrorismo detidos na prisão de Guantánamo, em Cuba.
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Traduzido do espanhol por Rosalvo Maciel
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Original em Rebelión

sábado, 16 de maio de 2009

Obama: Primeiras promessas não cumpridas

Roberto Montoya

Depois dos primeiros maratonianos 100 dias nos quais o novo presidente dos EEUU parecia decidido a dar uma volta de 180º a numerosas políticas que marcaram o perfil da Administração Bush, Obama começou a recuar em alguns de seus chamativos anúncios.

Entre suas primeiras medidas de Governo, Obama anunciou a proibição total da tortura, deixando aberta a possibilidade de processar judicialmente aos responsáveis por autorizá-la e praticá-la desde o 11 de setembro; o fechamento das prisões utilizadas pela CIA no exterior; o fechamento da prisão de Guantánamo e a suspensão por três meses dos julgamentos militares, para estudar uma alternativa a eles.

Seu Departamento de Defesa, no entanto, lutaria pouco depois nos tribunais para impedir que a Associação Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) conseguisse a desclassificação de dezenas de fotografias sobre abusos e torturas a prisioneiros no Afeganistão e Iraque por parte de militares e agentes estadunidenses... e perdeu.

Boicote a uma investigação independente

Em abril passado o próprio Pentágono anunciava ter aceitado o fato e que em 28 de maio faria públicas as fotografias. O mal-estar cresceu — não só nas fileiras republicanas como também no seio das Forças Armadas—, e as diferenças se refletiram no próprio Gabinete. Finalmente, o flamante presidente deu marcha a ré e nesta quarta-feira se anunciava que havia dado instruções para recorrer da decisão judicial e tentar evitar a revelação dessas imagens, por temor de que afetaria a segurança de seus soldados nesses dois países.

O Governo boicota também as intenções da esquerda democrática e organizações defensoras dos direitos civis para que se abra uma investigação independente e se persiga aos responsáveis pelas torturas.

A recente nomeação do tenente-general Stanley McChrystal como comandante-em-chefe das tropas dos EEUU e da OTAN para Afeganistão tampouco parece que possa melhorar a imagem de seu país na zona. Durante sua chefia no Comando Conjunto das Forças Especiais (JSOC), estas protagonizaram os maiores escândalos de torturas no Iraque e Afeganistão, merecendo os elogios de Rumsfeld, Bush y Cheney.

Os afegãos tampouco podem ver as virtudes da "nova estratégia" nesse país, após sofrer nos últimos meses os letais efeitos de novos "danos colaterais" entre a população civil provocados pelos massivos bombardeios. Em relação à Guantánamo tampouco fez grandes avanços a Administração Obama.

Volta dos 'julgamentos' militares

As análises dos últimos dias sugerem que na próxima semana o presidente poderia anunciar o reinicio dos agora congelados julgamentos militares ('military commissions') dos prisioneiros, com pequenas variações sobre o sistema utilizado desde 2002. e quanto ao fechamento da prisão em um ano, o tema se complica ante a resistência tenaz do Partido Republicano - o senador Kit Bond, de Missouri, disse que "os estadunidenses não querem esses terroristas em nossos bairros"- e a resistência da maioria dos estados a que sejam trasladados a prisões dos EEUU.

Obama tenta solucionar o problema fora de suas fronteiras. Tem conseguido entregar alguns dos prisioneiros a seus países de origem, mas em muitos outros casos não o pode fazer pela falta de garantia total sobre suas vidas. Alguns países europeus têm aceitado a contragosto acolher um número muito limitado desses presos, mas prevalece a negativa a ter que solucionar um tema criado pelos próprios EEUU.

Obama já tem um problema, e serio. Depois de deslumbrar o mundo — ou a una parte dele, ao menos — com sua nova disposição e suas audazes medidas, começa a dar marcha a ré precisamente em mudanças importantes anunciadas com grande espalhafato sobre alguns dos aspectos mais sinistros da Administração Bush: sua concepção da "guerra contra o terror", sua violação sistemática dos direitos civis e dos direitos humanos.

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Publicado em El Mundo/Rebelión

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Tradução: Rosalvo Maciel

sábado, 31 de janeiro de 2009

REFLEXÕES DE FIDEL

Decifrando o pensamento do novo presidente dos Estados Unidos
(Extraído do CubaDebate)

NÃO é muito difícil. Depois da tomada de posse, Barack Obama declarou que para a devolução da base naval de Guantánamo a seu dono legítimo devia sopesar, em primeiro lugar, se prejudicava ou não, no mínimo, a capacidade defensiva dos Estados Unidos.
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Logo acrescentou que, quanto à devolução do território ocupado a Cuba, devia considerar, sob quais concessões a parte cubana aceitaria essa solução, o que significa a exigência de uma mudança em seu sistema político, preço contra o qual, Cuba lutou durante meio século.
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Manter uma base militar em Cuba contra a vontade do nosso povo, é uma violação dos mais elementares princípios do Direito Internacional. O presidente dos Estados Unidos tem faculdade para acatar essa norma sem condição alguma. O fato de não respeitá-la constitui uma ação de soberba e abuso de seu imenso poder contra um país pequeno.
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Para compreender melhor o abuso do poder do império, deve se levar em conta as declarações publicadas pelo governo dos Estados Unidos, em 22 de janeiro de 2009, no site oficial da internet, depois da posse de Barack Obama. Biden e Obama resolveram apoiar decididamente a relação entre os Estados Unidos e Israel, e consideram que o indiscutível compromisso no Oriente Médio deve ser a segurança de Israel, o principal aliado dos Estados Unidos na região.
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Os Estados Unidos nunca vão se afastar de Israel, e seu presidente e vice-presidente "acreditam firmemente no direito de Israel de proteger seus cidadãos", assegura a declaração de princípios, que retoma nesses pontos a política do governo do antecessor de Obama, George W. Bush.
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É esse o modo de compartilhar o genocídio contra os palestinos em que caiu o nosso amigo Obama. Adoçantes similares oferece à Rússia, China, Europa, América Latina e ao resto do mundo, depois que os Estados Unidos converteram Israel numa importante potência nuclear que abosorve a cada ano uma porção considerável das exportações da próspera indústria militar do império, com que ameaça, com violência extrema, a população de todos os países de crença muculmana.
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Abundam exemplos similares. Não faz falta ser adivinho. Podem ler, para mais informação, as declarações do novo chefe do Pentágono, experto em assuntos bélicos.



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29 de janeiro de 2009
18h17

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Guantánamo, uma indecência de 110 anos

Em cumprimento a promessas de campanha, Obama decidiu pela proibição da tortura e pelo fechamento da prisão - como também das demais prisões secretas da CIA (Agência Central de Espionagem) espalhadas pelo mundo, nas quais se terceirizava a prática da tortura. Mas Guantánamo é ainda uma indecência jurídica e uma relíquia colonial do império sonhado pelos EUA no século 19.
.Argemiro Ferreira


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Por enquanto, só o que o governo do presidente Barack Obama ousou dizer sobre a baía de Guantánamo, extensa área do território cubano sob controle indecente dos EUA há 110 anos, foi a referência à mudança do status que lhe dera o antecessor George W. Bush, ao transformá-la em prisão infame e centro de tortura, chamada há três anos pela Anistia Internacional de "Gulag do nosso tempo".

Em cumprimento a promessas de campanha, Obama decidiu pela proibição da tortura e pelo fechamento da prisão - como também das demais prisões secretas da CIA (Agência Central de Espionagem) espalhadas pelo mundo, nas quais se terceirizava a prática da tortura. Mas Guantánamo é ainda uma indecência jurídica e uma relíquia colonial do império sonhado pelos EUA no século 19.

Ocupada pela força das armas, Guantánamo já então era intolerável. Ainda o é hoje. Os próprios americanos, por uma questão de dignidade e bom senso, há muito deviam tê-la devolvido como excrescência ofensiva não só ao povo cubano, cuja liberdade os EUA alegam defender, mas a toda a América Latina - já que impingida a partir de lei americana doméstica e abusiva, que tratava de destinação de verbas do Exército.

De olho em Cuba, desde 1824 A ocupação de Guantánamo data de 1898. Resultou de pacote intervencionista em meio à luta dos cubanos pela independência da Espanha, então potência colonial. Concebida em 1823, a Doutrina Monroe ("a América para os Americanos") pareceu a alguns oferecer uma face "virtuosa" dos EUA, por advertir nações de fora do hemisfério de que não deviam se imiscuir nas questões do continente.

Os latino-americanos logo perceberiam que se buscava apenas atender às próprias ambições dos EUA, cuja atenção voltava-se para Cuba e Porto Rico já em 1824. O então secretário de Estado John Quincy Adams, depois presidente (1825-1829), avisou Simón Bolívar de que a doutrina não autorizava "os fracos a serem insolentes com os fortes", motivo pelo qual devia ficar longe de Cuba e Porto Rico.

Ao preparar a I Conferência Pan-Americana, boicotada por Washington, Bolívar já não tinha ilusões: "Os EUA parecem destinados pela Providência a espalhar a miséria em nome da liberdade", disse em 1829. De fato, a truculência britânica nas Malvinas, Honduras, Guatemala fora ignorada, enquanto os EUA tomavam o Texas e a Califórnia do México, depois invadido, e separavam o Panamá da Colômbia, além de outras intervenções.

Cobiçada desde 1824, quase comprada por US$100 milhões em 1848, Cuba entrava ainda no contexto dos 10 anos de oposição dos EUA à federação centro-americana. Ante a iminente vitória de Cuba sobre a Espanha (e a esperada conquista da independência), as cadeias de jornais Hearst e Pulitzer inventaram a "esplêndida guerrinha" de Ted Roosevelt e seus Rough Riders, retratados como heróis.

A fala macia e o porrete de TedPorto Rico foi anexada como o Texas. Cuba resistiu. Acabou sob controle, com a alegação dos EUA de que tinham ajudado a guerra da independência. De 1898 em diante o Caribe virou mar territorial americano. Nascia o império colonial, que tinha ainda Filipinas e Guam, do outro lado do mundo. Festejado como herói, Ted Roosevelt elegeu-se vice do presidente William McKinley no ano seguinte, 1900.

A Emenda Teller, de 1898, negava expressamente qualquer intenção dos EUA de anexar Cuba. E em 1901 o senador Orville H. Platt, a pretexto de prevenir desejos imperiais da Alemanha sobre a ilha, redigiu a emenda à lei de verbas do Exército: proibia Cuba de assinar tratado dando poderes a outro país sobre seus negócios internos, endividar-se ou impedir ali um programa sanitário americano. E mais.

Na Emenda Platt os EUA arrogavam-se o direito de intervir nos assuntos internos de Cuba, a pretexto de "manter a ordem e a independência", podendo comprar ou arrendar áreas para instalar estações navais ou carboníferas. A principal delas era a baía de Guantánamo. No mesmo ano, Cuba foi forçada a incluir a emenda na sua Constituição e a assinar tratado assegurando o poder dos EUA sobre a área.

Obviamente os EUA - já sob Roosevelt, presidente a partir de 1901 devido ao assassinato de McKinley - deitaram e rolaram. Já em 1906 mandaram-se tropas, "a convite", para sufocar revolta e "restaurar a ordem". Enviavam navios de guerra, negavam reconhecimento de regimes, etc. Só em 1934 revogou-se afinal a Emenda Platt, graças à política da Boa Vizinhança. Mas não o arrendamento de Guantánamo.

Caloteiro e péssimo inquilino
A manutenção de Guantánamo, antes de virar prisão, já se elevava, por ano, a US$ 36 milhões. Servia para provocar Cuba, que repudia a transação ilegítima e imoral. O aluguel é o sonho de todo inquilino: fixado pelo próprio, em 90 anos (de 1903 a 1993) subiu apenas de US$ 2 mil para US$ 4.085. Nessa proporção, deve estar hoje nuns US$ 4.200, o que mal paga apartamento de dois quartos em Manhattan.

Arrogante e prepotente, o inquilino sempre impôs sua vontade como valentão de rua. Caloteiro, já que só paga o que quer, ainda controla a área e hostiliza o dono légitimo da propriedade. Cuba, ao contrário, comporta-se como o senhorio ideal: desde que Fidel Castro chegou ao poder, sequer desconta os cheques do aluguel. Teme que isso possa legitimar a indecência histórica imposta pelos EUA. Há 16 anos, quando Bill Clinton chegou à Casa Branca, o escritor Tom Miller, autor do livro Trading With the Enemy: A Yankee Travels through Castro's Cuba, recordou no New York Times a história vergonhosa de Guantánamo - rebatizada no Pentágono, amante de sopa de letras, como Gitmo. Não se imaginava que ainda viria vergonha maior - a prisão-centro de torturas, obra de Bush II em 2001.

Antes de Fidel, a área pode ter sido a base ideal para o lazer de militares amantes de prostíbulos, cassinos e consumo de drogas - cortesia de gangsters como Meyer Lansky, à sombra dos ditadores apadrinhados em Washington. Talvez haja em Miami quem sonhe com a volta aos velhos tempos. Mas Obama, mesmo vencedor da Flórida, pode fazer a coisa certa: acabar com essa indecência de 110 anos.

Original em Carta Maior


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pelo menos 42 presos de Guantánamo estão em greve de fome

Afp

Pelo menos 42 prisioneiros estão em greve fome na base naval de Guantánam, Cuba, a cinco dias da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que prometeu fechar esse centro de detenção.
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“Há 42 prisioneiros em greve de fome, dos quais 31 estão sendo alimentados com líquido proteico por via nasal, explicou a capitã de fragata Pauline Storum, diretora de relações públicas do centro de detenção.
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As autoridades dizem que o jejum se deve ao fato de que no próximo domingo é o sétimo aniversário da chegada dos primeiros prisioneiros e a que se aproxima a posse de Obama.
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Original em Rebelión
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A imagem não faz parte do notícia original
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