Além do Cidadão Kane

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Robert Fisk: Por que nos odeiam tanto?!

Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinos: 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três em outra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.

Por Robert Fisk, no Independent

Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
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O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
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Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
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O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.
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Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraquianos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
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Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinenses, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinenses usam refugiados inocentes como escudos humanos.
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O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel.
Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbollah - guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira. Mas esses não foram crimes do Hizbollah; foram crimes de Israel.
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Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
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Doze anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbollah. Mentira.
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Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
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Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.
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O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinenses.
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Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinenses mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
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Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.
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Diário da Guerra Suja - 13º dia - 8 de janeiro

Sameh A. Habeeb*
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1-Tanques israelitas avançam para a área de Abu Sha'er, perto de Kosopheme centro de Gaza.
2-Ataque aéreo israelense em uma área aberta em Gaza.
3-Destruição da casa de Sameeh El Nady por ataque aéreo no centro.
4-Bombardeio da delegacia de Deir El Balah .
5-Um ataque aéreo tendo como alvo o município de El Moghrarby.
6-Bombardeamento da casa da família zakout (Brigadas Al-Aqsa) em Beit Lahia.
7-Destruição do prédio de cinco andares pertencente ao Mr.Merwan Akeel em Leit Lahia.
8-Raid aéreo sobre a estação central da polícia, que foi atingido no primeiro dia desta guerra.
9-Destruição de um prédio de cinco andares pertencente à família Hawari no bairro El Zaitoun. 10-Bombardeio por tanques na área de Abu Haduf em Qarara, a norte de Khan Younis.
11-Destruição da casa pertencente à família Bawadi em Jabalia.
12-Destruição da casa pertencente a Adnan Abu em El Sawarha na área central de Shmaisa.
13-Alvejada com seis foguetes a delegacia em Bani Sohaila, ao sul de Khan Younis.
14-Destruida a casa de Mohammad El Sinwar no bairro Al Amal em Khan Younis.
15-Lançamento de seis foguetes na zona fronteiriça.
16-Destruição de uma casa nas vizinhanças de Al Joneinah em Rafah.
17-Destruição parcial de El Sakhra, área comercial em Gaza.
18-Destruição da casa pertencente à família Jondia em Shojae'a- Gaza.
19-Destruição da casa pertencente à família Al Jabri em Shojae'a.
20-Bombardeio de uma casa pertencente à família Shamia em Jabalia-Campo de refugiados.
21-Bombardeada uma casa em Rafah, perto do cemitério Leste.
22-Um ataque aéreo sobre duas casas pertencentes a Joma e Fayez El Rahal no Bait Lahia (quatro vítimas)
23-Morte de duas mulheres por um míssil ao sul de Qarara.
24-Bombardeio aéreo sobre a casa pertencente a Abu Abeer, um líder-chave do Comitê de Resistência Popular na rua Al sahaba.
25-Bombardeamento da casa de Adnan Shaw - sete vítimas, uma criança morta instantaneamente.
26 -Bombardeado pela artilharia o sul de Jabalia.
27-Um ataque aéreo sobre uma casa em Jabalia.
28-Tiro em duas wans pertencentes à UNRWA - um ferido e um morto.
29-Destruição de um carro na rua Al-Nafak em Gaza.
30-Quatro mortos, ativistas da Jehad ao norte de Gaza.
31-Morto um soldado israelense e feridos outros 13, em confrontos com homens da resistência. 32-Cerco de uma casa pertencente à família Abu Ghanima em que vários membros da família ficaram feridos.
33-Um ataque aéreo sobre uma casa no bairro Gaza-Daraj.
34-Uma ambulância e paramédicos impedidos de recolher os cadáveres ao norte de Gaza.
35-Destruição de 97 casas em Rafah.Os habitantes fugiram para as escolas da UNRWA.
36-Bombardeamento da mesquita Al Nour Al Mohamad , um edifício de dois andares no bairro Al Sheikh Redwan.
37-Raides aéreos sobre hortas e fazendas pertencentes às famílias Al Wehaidi e Al Sorani.
38-Ambulância impedida de salvar os homens feridos em Al Zaitoun, quarteirão ao sudoeste da Cidade de Gaza.
39-Confrontos entre o exército israelita e os homens da resistência em torno de Kosopheme por mais de 14 horas.
40-Um veículo israelense foi destruído pelos combatentes palestinos e um soldado israelense morto.
41-Alvejado um grupo de cidadãos desarmados em Khan Younis.
42-Destruida a casa pertencente a Abu kwaik no bairro Al Zaitoun.
43-Um ataque aéreo próximo à rua Meraj em Raffah - muitos feridos são relatados.
44-Destruidas duas casas em Rafah pertencentes à família Keshta .
45-Morto o cidadão Jehad Kawareh em Khan Younis.
46-Morte de um médico, da esposa e filho em El Shuef zona sul de Gaza.
47-Bombardeio intenso da artilharia visando El Sha'ef zona leste da cidade de Gaza.
48-Bombardeio de casas de civis no bairro Al Zahra com bombas de fósforo.
49-Destruida a casa pertencente a Nour Baraka em Bani Sohaila Abassan.
50-UNRWA suspende os seus serviços após Israel matar um dos seus funcionários.
52-Bombardeados vários alvos a leste da Cidade de Gaza.
53-Paramédicos e ambulâncias palestinos sob fogo israelita.
54 - A água é praticamente inacessível a centenas de milhares em áreas do norte e na Cidade de Gaza.
55-Pão já não está disponível e apenas 5 padarias ainda funcionam. Outras 47 estão inoperantes.
56-Paramédicos palestinos encontram 50 cadáveres em várias casas destruídas e vias públicas. Assim, o número de vítimas até agora sobe a 770 mortos, 3.200 feridos, a maioria deles civis.
57-Combatentes palestinos lançam foguetes em cerca de 20 civis israelitas.
58-Gaza está mergulhada em profunda escuridão.
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*Sameh A. Habeeb é jornalista residente na Faixa de Gaza
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estudantes israelenses presos por rejeitar alistamento pedem ajuda

No dia 18 de dezembro de 2008 foi iniciada uma campanha mundial em apoio aos estudantes israelenses presos por rejeitarem o alistamento no exército, por objeção de consciência. Os Shministim defendem um futuro de paz entre israelenses e palestinos e criticam a ação de seu país nos territórios ocupados. Eles esperam receber centenas de milhares de mensagens de apoio que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.
Redação - Carta Maior

Os Shministim são jovens estudantes israelenses, todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau. Eles recusam o alistamento no exército de Israel por objeção de consciência. Estão presos por isso. Esses estudantes defendem um futuro de paz para israelenses e palestinos e negam-se a pegar em armas. Além da prisão, enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel.
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No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação desses jovens.Os Shministim pediram ao grupo "Jewish Voice for Peace" para buscar pessoas em todo o mundo para pressionar o governo de Israel. Eles esperam receber centenas de milhares de cartões que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel. Eles esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas de todo o mundo que querem a paz.
Para enviar uma carta apoiando os estudantes israelenses, entre no site dos Shministim.
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Israel viola Convenção de Genebra, diz relator da ONU

"Os ataques israelenses ferem a Convenção de Genebra primeiramente porque punem coletivamente os palestinos residentes em Gaza, não fazendo distinção entre alvos civis e combatentes", disse nesta quarta-feira, em São Paulo, Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel desde 1967. Segundo Falk, o bloqueio econômico mantido por Israel há 18 meses também está em desacordo com o direito internacional.
Maurício Reimberg e Tadeu Breda

As recentes operações militares de Israel na Faixa de Gaza configuram crimes contra a humanidade. Essa é a avaliação do norte-americano Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel desde 1967 na Palestina. Em visita ao Brasil, ele concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (7) organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
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“Os ataques israelenses ferem a 4ª Convenção de Genebra primeiramente porque punem coletivamente os palestinos residentes em Gaza, não fazendo distinção entre alvos civis e combatentes”, diz Falk. Até o momento, estima-se que mais de 700 palestinos foram mortos e três mil feridos desde o início da invasão, no dia 27 de dezembro. Cerca de 25% das vítimas palestinas são civis. Os israelenses contabilizam dez mortes, entre as quais estão quatro civis atingidos por foguetes lançados pelo grupo islâmico Hamas e seis militares caídos em combate – quatro deles vítimas de “fogo amigo”.
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O relator da ONU diz que o bloqueio econômico mantido por Israel há 18 meses também está em desacordo com o direito internacional. “A Convenção de Genebra diz que o país ocupante deve prover à população da zona ocupada condições dignas de sobrevivência”, explica Falk. “No entanto, o bloqueio israelense vem impedindo a entrada de alimentos, combustíveis e medicamentos em quantidade suficiente para suprir as necessidades dos habitantes de Gaza.
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”Falk lembra que Israel bloqueou totalmente as fronteiras da Faixa de Gaza e não permite sequer que os civis palestinos se refugiem em outros países. “Em todo conflito há um enorme número de refugiados. A proibição de Israel não tem precedentes nas guerras urbanas mundiais”. O relator da ONU diz ainda que o exército israelense utiliza força desproporcional ao atacar uma sociedade “sem condições de se defender”.
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O relator acredita que a ONU deveria investir num cessar-fogo imediato entre as partes, na retirada de Israel e no fim do bloqueio contra Gaza, além de proibir o lançamento de foguetes Qassam contra o território israelense – justificativa oficial para a atual operação militar. “A partir dessas bases, as Nações Unidas podem buscar um caminho para definir a autodeterminação do povo palestino.
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”O Conselho de Segurança da ONU ainda não chegou a nenhuma medida concreta para encerrar os combates em Gaza. Já o Conselho de Direitos Humanos se reunirá de maneira extraordinária na sexta-feira para emitir um pronunciamento sobre a situação da Palestina.
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“A grande pergunta que se deve fazer agora é por que a comunidade internacional e a ONU têm feito tão pouco?”, pergunta Falk. E ele mesmo responde: “As Nações Unidas só atuam efetivamente por intervenção direta de seus cargos mais importantes, e os EUA têm se oposto à proteção dos palestinos e impedido a ONU de cumprir seus compromissos humanitários.“
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Anti-Israel
.”Considerado um dos maiores especialistas do mundo em direitos humanos, Richard Falk é professor emérito da Universidade de Princeton (EUA). Foi ele quem cunhou os termos “globalização de cima para baixo” e “globalização de baixo para cima”, referindo-se aos diversos movimentos sociais, ONGs e voluntários que tentam criar uma comunidade “além do Estado territorial” para enfrentar as injustiças produzidas pela nova ordem social.
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No último dia 14 de dezembro, Falk foi expulso do território israelense no que seria sua primeira missão como relator especial – uma reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Apesar de estar em visita oficial, ele foi detido por 15 horas antes de ser retirado do país. O governo alega que o diplomata é “anti-Israel”.
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“Minha expulsão é um claro aviso à ONU de que Israel não quer cooperar com relatores críticos à ocupação, e faz parte de uma política para excluir possíveis testemunhas oculares dos fatos que estão acontecendo em Gaza neste momento”, avalia, lembrando que jornalistas estrangeiros e observadores internacionais também foram impedidos de entrar nas zonas de conflito. “Pensei que minha objetividade como relator seria testada com base no relatório que produziria sobre o evento, e não julgada por antecipação.”
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Atores políticos
Falk avalia que o Hamas não é o maior dos obstáculos para o fim das hostilidades na Palestina. “O maior problema são os políticos israelenses que não querem estabelecer uma paz justa na região.” Para ele, classificar os palestinos como “terroristas” é uma fuga da diplomacia e da negociação pacífica, e justifica o uso da força. Ademais, trata-se de uma tática antiga que já foi utilizada para isolar e enfraquecer Yasser Arafat (1929-2004), ex-presidente da ANP.
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“Não é útil definir o Hamas como ‘grupo terrorista’, do mesmo jeito que não é útil dizer que Israel é um ‘Estado terrorista’, porque ambos são atores políticos. O terrorismo é uma desculpa para usar a força na tentativa de resolver um conflito que deve ser solucionado por ações políticas”, diz o relator da ONU.
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O governo israelense se utiliza de dois argumentos para justificar os ataques e rechaçar um cessar-fogo. Os pronunciamentos oficiais insistem em que não há crise humanitária em Gaza e sustentam a tese de que Israel está agindo defensivamente contra o lançamento de foguetes. Falk acrescenta que nenhum israelense foi morto por foguetes Qassam disparados pelo Hamas nos últimos 12 meses que antecederam os ataques de 27 de dezembro. Os únicos feridos foram contabilizados após o início das ofensivas.
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As eleições legislativas em Israel acontecem no dia 10 de fevereiro. Nelas será escolhido o próximo primeiro-ministro do país. Os principais concorrentes ao cargo hoje ocupado por Ehud Olmert são Ehud Barak – atual ministro da Defesa, filiado ao Partido Trabalhista – e Tzipi Livni, do Kadima, que desempenha o cargo de ministra das Relações Exteriores. Ambos negam que Gaza esteja passando por uma crise humanitária.
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Território
Cerca de 45% da população de Gaza é composta por crianças com até 14 anos. Desde o início da ofensiva, mais de 100 delas já morreram. Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, pesquisador associado do Núcleo de Estudos da Violência da USP, 1,5 milhão de pessoas vivem numa área de 360 km², o que configura a mais alta densidade demográfica do mundo: mais de quatro mil pessoas por km².
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Um dos episódios que causaram mais revolta internacional foi o bombardeio à escola Al Fakhora, administrada pelas Nações Unidas, no campo de refugiados de Jabaliya, ao norte de Gaza. Os ataques foram realizados nesta terça-feira (6) e deixaram pelo menos 30 mortos e 55 feridos. A instituição abrigava civis refugiados. No mesmo dia, Israel atentou contra outro colégio mantido pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos na cidade de Gaza. Três jovens morreram.
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Sob pressão, Israel concordou em estabelecer um “corredor humanitário” que dará acesso temporário limitado a alguns pontos da região. O intuito é permitir que sejam levados suprimentos vitais para a população palestina, cujo estado de carência foi intensificado depois do fim da trégua de seis meses com o Hamas, que expirou no último dia 19. No entanto, o acordo já havia sido rompido por Israel, que no dia 4 de novembro matou seis palestinos em Gaza. “À revelia do que se pensa sobre o Hamas, ele tem buscado uma trégua duradoura com os judeus desde que Israel retornasse às fronteiras anteriores a 1967, proposta que foi ignorada.”
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Diário da Guerra Suja - 12º dia - 7 de janeiro

A partir de hoje o Blog do Velho Comunista passará a descrever o dia-a-dia da invasão da Faixa de Gaza pelo exército israelita a partir do ponto de vista do jornalista Sameh A. Habeeb. Nosso trabalho é a tradução a partir do texto em inglês e pretende ser uma forma de colaborar com a causa do Povo Palestino. Transcrevo a seguir a nota introdutória das informações do Sameh na esperança que a chamada "grande imprensa" se interesse em divulgar o outro lado da história.
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" Prezados editores, jornalistas e amigos, Alguns de você devem saber como eu envio notícias em tais condições. Eu realmente sofro muito para lhes enviar essa atualização devido à falta de energia. Eu ando cerca de 4 quilômetros por dia nesta guerra cruel até onde eu carrego a bateria do meu laptop para poder enviar este trabalho! Isto é muito arriscado uma vez que a chuva de progéteis e os foguetes pairam sobre mim! Vou manter isso. Este é um novo relatório para o 12 º dia da Guerra em Gaza e os resultados da invasão israelense. Para mais informação, notícias, entrevistas e contas em Gaza, você poderá entrar em contato comigo pelos meios abaixo. Tente ambos os números abaixo, porque existe um grande problema na comunicação resultante dos cortes de energia pelos israelitas. Estou disponível 24 horas para a cobertura midiática na Gaza ocupada. Você poderá contactar-me todo o tempo na minha casa. Agradeço chamar-me neste número na noite: Landline: 0097282802825 POR FAVOR: AVANÇAR EM SIPPORT este e-mail do outro lado da história! Mob: 00972599306096 Landline: 0097282802825 E-mail: Sam_hab@hotmail.com Sameh.habeeb@gmail.com Skype: Gazatoday, Facebook: Sameh A. habeeb Web:www.gazatoday.blogspot.com Daily Photos:http://picasaweb.google.com/sameh. 12º dia da invasão israelita em Gaza: 710 mortos, 3.200 feridos, muitos deles civis.
By Sameh A. Habeeb, um fotojornalista, & Paz activista humanitária em Gaza."
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1-raid aéreo tem como alvo um grupo de militantes na rua Slaah El Din a leste da Cidade de Gaza. Não há relato de feridos
2-Air raid bombardeia um espaço aberto e uma área agrícola no Campo de Refugiados Al Nusairat
3-raid aéreo atinge uma casa na zona norte de Gaza.
4-Dois civis feridos quando um míssil atinge uma casa de família em Maqosui Al Bait.
5-navios de guerra israelitas alvejam várias áreas da cidade de Gaza, Khan Yonis e outras áreas. Cinco palestinos feridos nos bombardeios.
6-obus atingiu o Campo de Refugiados Al
Cerca de 50 túneis destruídos em Rafah City.
8-artilharia pesada bombardeia Al Zaytoun, leste da Cidade de Gaza.
9-muitos militantes atingidos pela força aérea israelita em Al
10-um palestino morto na cidade de Bait Lahia por israelita
11-o exército israelita ordena que a população de viver em Rafah perto da fronteira egípcia abandone as suas casas imediatamente. Espera-se que Israel irá bombardear as supostas áreas de túneis e isso iria destruir as casas.
12-um cessar-fogo entre israelitas e militantes palestinos de três horas para permitir a entrada de alguns veículos com ajuda humanitária
13 - Quatro pessoas de uma família mortos em Kahlout Bait Lahia. Os mortos estavam tentando obter algum pão, mas um foguete teleguiado os matou. Eles estavam em um carro dirigido por seu pai para obter pão.
14-Cerca de 80 caminhões e wans com assistência médica e alimentar chegam a áreas permitidas por Israel em Gaza. Os caminhões não chegam todas as necessidades de Gaza que precisaria de milhares de caminhões para suprir à crise humanitária. Para um dia Gaza necessitaria 6-7 centenas de todas as mercadorias!
15-Cerca de 450 mil litros de combustível entraram em Gaza apesar da necessidade sea de mais de um milhão de litros por dia!
16-raid aéreo sobre Al Nafaq rua da cidade de Gaza.
17-Mais raides israelitas e bombas teleguiadas na área de túneis na tarde de hoje durante horas. 18-Um paramédico, Hasan El Atal, morto no leste da cidade de Jabalia, ao norte da Faixa de Gaza Seu carro foi parcialmente o e seus amigos estão bem!
19-soldados da força aérea invadiram áreas no norte da Faixa de Gaza e não há notícias sobre os resultados!
20-a família Al Samouni, que perdeu 20 dos seus membros, devido a bombardeios israelitas encontraram mais membros mortos e vivos. Cerca de 25 foram encontrados, foram mortas 15 pessoas entre adultos e crianças.
21-bombardeio atingiiu Al Sheikh Zayed, Edifício 33, um morto e 4 feridos. A área é muito povoada, e inclui mais de 70 edifícios.
22-uma casa de 2 andares atingida em Khan yonis centro da cidade de Gaza.
23-Uma mulher é ferida pela artilharia no norte da Faixa de Gaza.
24-Milhares de civis evacuaram suas casas em Rafah City. Bombardeios começaram!
25-projéteis atingiram al Twam zona norte da Faixa de Gaza.
26-Funeral de 45 vítimas do massacre perpetrado por Israel em prédio das Nações Unidas durante o período de cessar-fogo e muitos feridos.
27-o setor médico está completamente paralisado.
29-Toda a Faixa de Gaza com 90% por cento em profunda escuridão agora.
30-Milhares de moradores de Gaza buscar água, agora e a maioria não encontra. Quando é encontrada não é própria para consumo.
31-Aumenta o problema de fornecimento de pão e mais pessoas não o encontram.
32-Cerca de 20 mil moradores de Gaza estão refugiados em escolas da UNRWA
33-militantes palestinos lançam 20 foguetes artesanais em direção a Israel.
34-choques ainda ocorrem entre militantes palestinos e forças invasoras israelitas da Faixa de Gaza.
Sameh A. Habeeb, BA

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Gaza e a hipocrisia dos líderes mundiais

''É uma vergonha a comunidade internacional ficar em silêncio sobre esses assassinatos em massa''. A frase do médico palestino Ahmed Khalaf, diretor do hospital Al-Shifa, o maior da Faixa de Gaza, reflete a perplexidade com que os povos assistem, desde o dia 27 de dezembro, ao violento e massacrante uso da força militar de Israel contra a população palestina, sob o pretexto de liquidar capacidade de resistência do Hamas, o grupo que dirige o governo local desde a eleição de 2006.

O pretexto atual da agressão militar de Israel é o rompimento da trégua que durou seis meses e, não tendo sido renovada, terminou em dezembro. Israel acusa o Hamas de lançar foguetes contra seu território, mas esquece suas próprias, e muito mais graves, violações daquele acordo: manteve o bloqueio da Faixa de Gaza, embora o acordo previsse a abertura das passagens entre os territórios palestino e israelense, impediu a entrega da ajuda humanitária internacional para a população e manteve sua política de assassinato de lideranças palestinas, matando seis líderes do Hamas em novembro.

Os povos assistem perplexos também à hipocrisia das lideranças da ''comunidade internacional'', que dizem discordar da agressão militar mas não agem para transformar suas palavras em ações efetivas pela paz, pelo respeito aos direitos do povo palestino e pela contenção da insânia bélica do governo de Tel Aviv.

George Bush, o ''pato manco'' que, até 20 de janeiro, vai ocupar o governo dos EUA, já manifestou sua previsível opinião pró-Israel. Ele reconhece, na agressão militar israelense, a mesma insânia com que os EUA, nos últimos oito anos, agrediram os povos dizendo ''combater'' o terrorismo. Coerente com o extremismo de seu atual dirigente, a diplomacia de Washington vetou, no dia 3, uma moderada declaração do Conselho de Segurança da ONU que, longe de condenar Israel, pedia apenas um cessar fogo e manifestava preocupação ante a violência. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que tenta ocupar o vácuo político das lideranças mundiais, saiu-se com uma no cravo, outra na ferradura: rejeitou a violência de Israel, mas acusou o Hamas de agir de forma ''irresponsável e imperdoável''.

Enquanto isso, as bombas e os tanques de Israel matam palestinos em Gaza. A crise humanitária, que a propaganda israelense esconde, é grave e profunda. Há falta de remédios, comida, água, gás, energia elétrica, comunicações. O atendimento médico aos feridos é precário, e muitos não conseguem chegar aos hospitais e centros de atendimento por que os tiroteios não permitem. Uma criança que saiu para o quintal de casa para um prosaico banho de sol foi morta por tiros israelenses. As crianças são de novo as grandes vítimas: são mais de 100 entre os mais de 540 mortos palestinos; há ainda 2.000 feridos, e pode-se adivinhar que muitos são meninos e meninas.

O genocídio praticado por Israel tem a mesma natureza e extensão das agressões dos nazistas de Adolf Hitler contra os povos dos países ocupados. O pretexto de desarmar o Hamas é um biombo frágil para esconder os interesses políticos, militares e econômicos da máquina de guerra de Israel e dos negócios que giram em torno da ''segurança''. E não consegue disfarçar a intenção de criar para o novo presidente dos EUA, Barack Obama, que assume o cargo dia 20 um fato consumado que dê uma sobrevida à política que Israel mantêm na região e que Bush apoiou com ênfase. Obama será forçado, na calamitosa situação atual, negociar um cessar fogo e o atendimento humanitário às vítimas de Israel, deixando para depois a negociação da paz e da construção do Estado Palestino.

Ao colocar no mesmo plano os ataques do Hamas e de Israel, a hipocrisia dos líderes mundiais parece ''esquecer'' os verdadeiros objetivos da agressão israelense. E cobre-se, ao fazê-lo, com a vergonha denunciada pelo médico Ahmed Khalaf.
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Original em Vermelho

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Terrorismo ou Resistência?

A cidade de Gaza está destruida. Cercada pelo exército israelita, não dispõe de estoques mínimos de alimentos, água potável e medicamentos. Segundo a mídia controlada pelos invasores, mais de 700 mortos, entre eles mulheres e crianças, muitas crianças, e milhares de feridos que aguardam atendimento médico em hospitais semi destruidos pelos bombardeios que martelam, o que ainda resta em pé, dia e noite. Os governos do "civilizado" mundo ocidental fazem-se de surdos e cegos com receio, talvez, de ofender o maldito governo Bush caso tomem uma posição contrária à posição dos opressores. E a matança de palestinos continua.

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Há 60 anos, exatamente em 16 de outobro de 1940, o Governador Militar da Polônia ocupada pelo exército nazista alemão, Hans Frank, criou o que ficou conhecido como "Gueto de Varsóvia". Nele, 310.000 judeus foram mortos ou pela fome, por doenças, por fuzilamento sumário, ou foram dali enviados para morrer em Treblinka. Em janeiro de 1943, quando já mais de 300.000 judeus tinham sido exterminados, dois grupos de terroristas, a Zydowska Organizacja Bojowa e a Zydowski Zwiqzek Walki, se levantaram em armas contra o governo.

Em 10 de maio de 1940 a poderosa máquina de guerra alemã iniciou a invasão da França. Utilizando uma capacidade de fogo infinitamente maior do que a francesa e a tática da guerra relâmpago, o exército nazista pouca resistência encontrou e, após ataques aéreos executados por cerca de 500 bombardeiros, a infantaria, precedida pelas Panzerdivisionen, ocupou e território frances. Em 14 de junho, Paris estava em poder dos alemães. Em junho de 1940, simultaneamente ao estabelecimento do artmistício, um grupo de terroristas, conhecidos como partisans iniciou intensa atividade de sabotagem ao governo estabelecido.
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Itália, 1922. Em oposição ao governo de Benito Mussolini, um grupo terrorista chamado de partigiani começa a se organizar e, a partir de 1943 passa a cometer atentados contra membros do governo e do exército alemã0.
Sob o comando de Josip Broz "Tito", comandante do grupo terrorista yugoslavo Partizans, o exército nazi-fascista combinado da Alemanha e da Itália foi derrotado e expulso do território da antiga Yugoslávia em 1944.

Como se vê, o conceito de "terrorista" é muito vago: se não simpatizo com uma causa, então são "terroristas", se simpatizo são "grupos de resistência". O certo é que os palestinos lutam contra o invasor de um território onde, desde 1948, quando foi criado o Estado de Israel, deveriam estar, como estão seus vizinhos judeus, organizados em um Estado de direito e de fato.

Rosalvo Maciel

A mídia em Israel toca as trombetas da guerra

Historiador do futuro que algum dia examine os arquivos dos jornais de Israel verá com clareza absoluta: para Israel, 200, 300 e, depois, 400 palestinos assassinados 'não é' manchete. A mídia em Israel é "poupada" de ter de exibir imagens "fortes". Israel abraça e sempre abraçará qualquer guerra, qualquer barbárie. Israel crê-se tão poderosa que se brutalizou, que já não sente. Em Israel a barbárie é regente. A análise é do jornalista israelense Gideon Levy.

Gideon Levy


Eis como estão as coisas em Israel: opor-se à paz é sempre atitude legítima e patriótica; opor-se à guerra é traição, atitude antipatriótica e atitude que deve ser combatida. Essa semana, falando do seu programa "London & Kirschenbaum", Yaron London, apresentador, deu sinais de que a coisa está ficando difícil: "Tivemos problemas com o programa. Sabemos do amplo consenso a favor da guerra – acabar com eles, bater até que se calem. Mas também há outras vozes, não só dos israelenses-árabes, também de muitos judeus. Encontramos alguns poucos judeus que defendem o fim dos ataques, ou que jamais deveriam ter começado, e que é preciso iniciar negociações. Não é minha opinião. Minha linha é outra, e já a expus em muitos artigos. Mas é preciso ouvir as outras vozes. Falar sozinho leva sempre ao desastre. O problema é que todos têm medo. As vozes da paz estão em silêncio, porque estão aterrorizadas." Depois, London disse ao seu entrevistado, Amir Peretz, que planejara entrevistar também moradores de Gaza, para ouvir "o outro lado", mas que, desgraçadamente, aquelas poucas vozes foram silenciados "pelo terror". Com terror ou sem terror, sei de muitos judeus, não de 'alguns poucos', que defenderiam "o outro" lado e que não vacilariam, nem por um segundo, para declará-lo na televisão. Por exemplo, as centenas que tomaram a Praça da Cinemateca, em Telavive, no sábado à noite, para protestar contra a operação de guerra do exército israelense. Mas a equipe da produção do programa "London & Kirschenbaum" não os procurou. Problemas de produção, claro. Seja como for, ninguém quis saber da opinião deles, no mais ouvido programa de entrevistas da televisão – porque há expressa proibição de que sejam ouvidos. Pouco antes de sermão de autojustificativa de London, alguém que defende a posição "do outro lado", Ahmed Tibi, foi convidado para uma entrevista nos estúdios do programa "Erev Hadash" ['outra noite']. O que dali se ouviu está fadado a tornar-se um clássico do telecine de terror: horror e horror, berros, gritaria e insultos. Veias a ponto de explodir e gargantas roucas de tanto berrar. Margalit [apresentador do programa]: "Você está inventando bobagens... Você não respondeu minha pergunta." Tibi: "Respondo o que eu queira responder." Margalit: "Baixe a voz. Fale como ser humano civilizado!" Tibi: "Estou falando como ser humano civilizado." Margalit: "Me respeite!" Até que Margalit deu-se por satisfeito e ordenou ao co-entrevistador, Ronen Bergman: "OK. Deixe-o falar." Tibi, então, tentou dizer que a única diferença entre o Hamas e o governo de Israel é a questão dos pontos de controle, "que têm de ser liberados". Margalit, então, gargalhou em cena. Pense: quando, algum dia, você ouviu Margalit ou qualquer outro entrevistador de televisão, dizer ao entrevistado "Você está inventando bobagens"? Será que falam assim a Benjamin Netanyahu? Ehud Barak? Tzipi Livni? E esses? Não "inventam bobagens" vez ou outra? E quando, algum dia, alguém assistiu a um entrevistador dizer, na televisão "Baixe a voz. Fale como ser humano civilizado!" Gargalhar em cena?! Os nervos estão mesmo em frangalhos e os árabes (além de vários judeus heréticos) andam criando dificuldades. Porque é assim que estão as coisas em Israel. Opor-se à paz é sempre atitude legítima e patriótica; opor-se à guerra é traição, atitude antipatriótica e deve ser combatida. Podem debater o custo da paz eternamente; ninguém ouvirá uma palavra sobre o custo da guerra. Movimentos pacifistas são censurados. Movimentos pró-violência são ensinados. Pelo menos, até certo ponto.A crítica da guerra, mais uma vez, terá de esperar. [...] Esse é o teste de coragem e credibilidade da mídia, sempre igual, guerra após guerra. E sempre, guerra após guerra, a mídia fracassa. Nos estúdios de televisão, só entram generais e analistas militares, as mesmas caras, nos mesmos estúdios, já desde a guerra passada, na de antes, na de antes daquela, porque só neles concentra-se a sabedoria e o talento que há na sociedade de Israel, na opinião da mídia de Israel. Porque é assim que estão as coisas em Israel: os primeiros dias de guerra, de qualquer guerra, são sempre os mais sombrios. Mas nada de "Silêncio, não perturbem, estamos matando gente!" Ah, não! Silêncio nenhum. O que se ouve é sempre o mesmo coro estridente de entrevistas e noticiários de televisão, gritaria, vinhetas espalhafatosas, clamores urgentes de "mais ataques, mais ataques", "matem mais", que Israel mate muito, que não pare de matar, entusiasmo crescente a cada nova chacina, guerra sem parar, cada vez mais. Só depois, quando baixa a poeira, quando já todos sabem que mais uma vez a vitória converteu-se em derrota, e as conquistas foram ilusão (quando não apenas mentiras), então, sim, começam a falar outras vozes. Até que, algumas vezes, algum senso, depois, aos poucos, implanta-se também na opinião pública. Sempre tarde demais. Sempre desgraçadamente tarde demais. "Silêncio, não perturbem, estamos matando gente!"? Dia 6 de junho de 1982, há 25 anos, quando Israel embarcou na primeira Guerra do Líbano, talvez a mais ensandecida das guerras em que Israel embarcou, meu falecido colega Amiram Nir publicou, naquele seu artigo que fez história: "Silêncio, não perturbem, estamos matando gente!": "Hoje não há oposição, nem Likud nem Ma'arakh, nem religiosos nem seculares, nem ricos nem pobres. Somos um só povo em armas. Estamos matando gente. Portanto, façam silêncio." Nir de fato não queria qualquer silêncio. Israel não quer silêncio. Quer sempre muito barulho, mas que só falem as vozes da beligerância, da violência, do nacionalismo fanático, da propaganda, da opinião 'geral'. Exceto essas vozes, sim, o silêncio. Silêncio total. Silêncio de morte. No primeiro dia dessa nova guerra, a televisão mostrou imagens horripilantes. Praticamente nada se escondeu. Telas divididas mostravam de um lado o medo em Ashkelon, de outro, o sofrimento em Gaza. (...) Todos os canais de televisão em Israel exibiram pedaços de cadáveres de palestinos carregados, com escavadeiras, para caminhões de carga. O pior de tudo: nem aquelas imagens despertaram qualquer protesto. Dessa vez, já não pareceu necessária qualquer tipo de consideração. Israel tornou-se tão indiferente à morte, o coração dos israelenses endureceu, petrificou-se de tal modo, que Israel vê o que viu essa semana... e nada! Apatia? Não, não é só isso.A verdade é que, vez ou outra, muitos tiveram uma mesma idéia: Será que a "campanha de Relações Públicas do governo de Livni" não nos fere mais do fere 'o outro lado'? (...) A mídia foi cuidadosamente preparada para essa guerra. Nenhuma comissão de inquérito, nem Winograd nem Doner, poderá jamais dizer que a mídia não tenha sido preparada para essa guerra. Durante meses, todos recebemos apavorantes 'informes' sobre o crescente poderio do Hamás, sobre como o Hamás se armava. Túneis, bunkers, casamatas, mísseis de longo alcance, exército cada dia maior. Nenhum jornalista investigou. Ninguém sequer suspeitou.Assim a mídia em Israel inventou o Hamas. Apagou a realidade de uma organização em frangalhos, em luta desesperada para não se deixar assassinar e que lança rojões de salão contra o mais poderoso exército do mundo. Assim, também, a mídia de Israel encobriu o fato de que Israel, não o Hamas, foi quem quebrou o pacto de cessar-fogo, imediatamente, no mesmo dia em que firmou o pacto: um dos túneis foi bombardeado no mesmo dia em que o cessar-fogo foi assinado. A mídia israelense também ocultou os efeitos do boicote. Durante dois anos e meio nenhum veículo da mídia de Israel pôde entrar em Gaza. A opinião pública em Israel não soube de nada. Tampouco se ouviu qualquer protesto dos jornalistas em Israel. O sofrimento pelo qual passa a população sitiada em Gaza não apareceu na agenda jornalística em Israel. Alguns ainda tentaram acalmar a própria consciência (nunca, de fato, muito torturada), com notícias de que não havia bloqueio; alguns "pressentiram"; alguns inventaram cenas piores do que a realidade. Mas os efeitos do sítio e do bloqueio de Gaza não foram noticiados em Israel. Depois da fase de preparação, a fase de avaliação: isso não pode continuar, disseram todos os analistas, introduzindo a idéia de que a resposta teria de ser militar, exclusivamente militar. Os assustados moradores de Sderot passaram a ser as únicas vítimas conhecidas. Não as crianças de Gaza, que não têm nem caderno para escrever, não os adultos que não tem nem cimento para vedar os túmulos de seus mortos, não os motoristas que dirigiam carros movidos com óleo de cozinha que aprenderam a reciclar, não os médicos que operavam sem eletricidade, não os feridos operados sem anestésicos, não as famílias mortas de frio. Essas não são personagens da cena do "isso não pode continuar". E então começou a fase mais ativa da campanha pela mídia: à guerra, à guerra! Acabem com eles! Operação militar! Ação, reação, o que for, desde que 'eles' sejam detidos. O último a aderir foi Nahum Barnea, colunista nacional, que entrou numa barbearia para cortar o cabelo, semana passada, em Sderot, e, é claro, não perdeu a oportunidade de partilhar a experiência com seus leitores e imediatamente, já de cabelo cortado, desafiou o ministro da Defesa, Ehud Barak, exatamente na véspera de Barak despachar seus aviões, para suas missões de morte. "Onde está o ministro da Defesa? Quem defenderá Israel?" bradava aquela manchete inesquecível. Mas essa ainda não foi a manchete da semana do jornalismo nacional em Israel. Esfuziante, imediatamente depois do início de mais uma guerra, um dia depois do Sábado Negro, quando mais de 200 palestinos foram mortos e havia mais de 1.000 feridos em Gaza, um terço dos quais, pelo menos, civis (70 eram guardas de trânsito, reunidos na cerimônia de formatura, jovens em busca desesperado de algum meio para ganhar a vida, que pensaram tê-la ganho na polícia, no instante em que a perderam sob bombardeio israelense), nesse mesmo dia e hora, com a tipagem que se reserva para guerras novinhas em folha, a principal manchete do dia declarava, em letras enormes: "Meio milhão de israelenses sob fogo". Isso. Apenas isso. Coisa simples, modesta, com a muito clara certeza e o profissionalismo típico de jornal e jornalistas que sabem a importância que têm para seus leitores. Quem quisesse saber o que ocorrera em Gaza naquele festim sangrento, e não só em Sderot e Netivot ("Netivot da Morte" dizia outra manchete), teria de andar até a página 13, para lá encontrar um relato muito sucinto do que, àquela hora, todos os telespectadores do mundo já sabiam: que o horror desabara dos céus sobre Gaza. Historiador do futuro que algum dia examine os arquivos dos jornais de Israel verá com clareza absoluta: para Israel, 200, 300 e, depois, 400 palestinos assassinados 'não é' manchete. Que a mídia em Israel é "poupada" de ter de exibir imagens "fortes", que o que Israel e seus militares fizeram contra Gaza é assunto para especialistas em "Relações Públicas", que a Livni tudo é permitido, que os palestinos fizeram por merecer, e que Israel abraça e sempre abraçará qualquer guerra, qualquer barbárie. Que Israel crê-se tão poderosa que se brutalizou, que já não sente, que em Israel a barbárie é regente.

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(*) Gideon Levy é jornalista, colunista do jornal Haaretz.

Tradução: Caia Fitipaldi

Gaza: perguntas e respostas

1) A questão de fundo dos conflitos na Palestina é o veto dos EUA e a oposição militar de Israel contra a resolução da ONU do direito de existência de um Estado de Israel e de um Estado Palestino. O Estado israelense existe, porém os EUA – com seu veto no Conselho de Segurança – e Israel, com a ocupação dos territórios palestinos, impedem que a resolução da ONU seja posta em prática – única solução justa e com possibilidade de promover uma paz duradoura na região.
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2) Nas eleições mais democráticas de toda a região - conforme atestado da própria Fundação Carter – o Hamas foi eleito. As potências ocidentais promoveram o boicote, junto com Israel, desconhecendo a vontade expressa dos palestinos. Essa é a raiz mais imediata dos conflitos atuais.
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3) Se o Hamas é considerado uma organização terrorista e nunca invadiu territórios israelenses, como deve ser considerado o Exército de ocupação israelense?
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4) A teoria das “guerras humanitárias” da Otan, formulada por Tony Blair, promoveu o bombardeio e a intervenção na Iugoslávia, acusada de promover uma limpeza étnica. Não se aplica a mesmíssima teoria a Israel?
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5) O que se deve fazer para que Israel pare a “carnificina” – a expressão é do Lula – em Gaza?
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6) A ruptura da trégua não foi feita pelo Hamas, mas por Israel, que em novembro matou a 6 dirigentes da organização.
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7) O presidente da União Européia, presidente da República Checa, disse que “a ação de Israel é defensiva” (sic). Argumento similar utiliza a corrente revisionista da história alemã, que alega que os campos de concentração do nazismo foram uma ação preventiva (sic) em relação à repressão bolchevique na URSS.
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8) A tese central do sionismo é a de que Israel é um povo escolhido, segundo sua interpretação dos textos religiosos. Ela vem de muito antes do nazismo. Daí que o holocausto sofrido na Alemanha não poderia ser comparado com nada. Isto é, o sofrimento alheio, inclusive o perpetrado por eles, nunca é igual ao deles. Têm em comum com os EUA a tese de que seria um poço predestinado para resgatar a humanidade da barbárie, impondo-lhe seu sistema político, fundado supostamente na liberdade.
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9) Israel justifica o bombardeio indiscriminado de todos os lugares de Gaza, porque em qualquer lugar, segundo eles, - nas mesquitas, nas escolas, nos hospitais, etc. – poderiam estar escondidas bombas e militantes do Hamas. A Universidade atacada seria antro de professores e estudantes do Hamas. Atacam tudo com a mesma visão norte-americana no Vietnã: haveria que tirar a água (o povo) do peixe (os militantes). Assim buscaram destruir o Vietnã inteiro, com bombas napalm e bombas terrestres, que até hoje os vietnamitas ainda estão retirando.
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10) Corre por ai um argumento envergonhado de defender a carnificina israelense, perguntando o que faria o Brasil se um país fronteiriço – alguns se atrevem a mencionar o Uruguai – ameaçasse a existência do Brasil, sugerindo que deveríamos fazer com nosso vizinho do sul o que Israel faz com os palestinos em Gaze: uma guerra de extermínio. Em primeiro lugar, o Brasil não ocupa nenhum outro país e se algum governo aventureiro tentasse fazê-lo, não teria nenhuma possibilidade de conseguir o consenso interno que Israel obtêm para fazer a guerra contra os palestinos, há forças democráticas internas que impediriam. Foi preciso uma feroz ditadura militar para poder mandar tropas para a República Dominicana, junto com as dos EUA, para afogar um movimento democrático naquele país. Em segundo lugar, o Uruguai, país de muito longa tradição democrática, nunca significaria riscos de extinção para o Brasil, nem nenhum outro vizinho. É um sofisma esse argumento, da mesma forma que o do Obama visitando Israel na campanha eleitoral, quando disse que se ameaçassem suas filhas dormindo na sua casa, se permitiria qualquer ato de agressão para defendê-las. Seu silêncio atual demonstra como as filhas de israelenses são privilegiadas em relação às dos palestinos, que ocupam diariamente a imprensa, feridas, aterrorizadas ou nas morgues, esperando lugar para serem enterradas. Quem hoje não se indigna diante do massacre israelense e se refugia no silencia ou em sofismas, perdeu a humanidade há muito tempo.
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11) Pode-se fazer tudo com os mísseis, menos sentar em cima deles (para adaptar a fórmula clássica à época dos mísseis, antes eram baionetas). Isto é, uma vitória militar pode ser perdida politicamente por Israel. No Vietnã também a proporção era de uma vítima norte-americana por 10 ou 100 vietnamitas (lá também se matava indiscriminadamente e se dizia que eram guerrilheiros; todo morto virava guerrilheiro). Em algum momento se terá que estabelecer um novo acordo político e que acordo Israel acredita possível com o ódio que gera a carnificina que está produzindo e com o repúdio da opinião pública internacional?
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12) Nenhum povo do mundo que oprime um outro, poderá viver em paz. Israel nunca terá paz, antes dos palestinos terem o mesmo direito deles – possuir um Estado soberano.
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13) Mais do que nunca os judeus de esquerda, progressistas ou simplesmente pacificas, os que não estão de acordo com o massacre de Israel contra o povo de Gaza, tem que se manifestar, para que não se generalize a justa condenação de Israel e do sionismo, com a totalidade dos judeus.
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14) Eu não tenho raízes islâmicas, apesar do meu nome. Sou filho de libaneses maronitas/católicos. Minha identificação com os palestinos hoje é a mesma que tive – como tantos – com os vietnamitas. Hoje, SOMOS TODOS PALESTINOS.
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Emir Sader
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Original em Carta Maior

"Sangue em nossas mãos"

Shulamit Aloni*
Os homens do Hamas e seus líderes pertencem ao lado do mal, e seu ódio por nós faz com que eles afastem para longe as inibições racionais de uma liderança consternada com o bem-estar de seus cidadãos. De fato, a conduta do Hamas desde o seu surgimento e de sua eleição vitoriosa subsequente não merece qualquer elogio. Contudo, os residentes da Faixa de Gaza cativos da liderança do Hamas – mulheres, idosos, crianças, estudantes, professores, hospitais, médicos e pacientes – não têm de ser punidos com destruição, morte e privações por causa dos atos desprezíveis de seus líderes. É questionável se o método de punição adotado pelo Estado de Israel já há alguns anos, alvejando áreas populosas, jogando bombas de uma tonelada em bairros civis, e usando bombas de fragmentação tem algum efeito ou sabedoria. O Ministro da Defesa declarou que o tempo de guerra chegou, com vistas a pôr um fim no tormento dos foguetes assassinos lançados por Gaza em nossas comunidades. Bem, o exército israelense embarcou na guerra com muito mais força, conhecimento e planejamento para disseminar medo e horror nos líderes e civis de Gaza. E para ele isso deu certo! Com isso o ministro da defesa já ganhou cinco assentos no Knesset, nas pesquisas eleitorais. O ministro da Defesa está feliz e o povo – orgulhoso de seu glorioso exército – já está recorrendo à paixão exagerada e declarando apoio à eleição do herói e de seu partido. Já abandonaram Gilad Shalit (soldado israelense em poder do Hamas desde 2006)? Por que não aguardam sua libertação antes de embarcarem nessa operação militar? O Hamas exigiu a libertação de prisioneiros, e nós argumentamos que muitos deles têm sangue em suas mãos; nós somos muito mais capazes do que eles, mesmo que essa capacidade chegue a matar e leve a assassinatos. Nas primeiras 24 horas da operação matamos mais de 300 pessoas, inclusive duas meninas inocentes, para não mencionar as vítimas que matamos entre essa operação e outras anteriores. Por que nosso tão bem organizado exército, com sua excelente capacidade de inteligência, recusou a libertação de prisioneiros palestinos, quando poderíamos mandá-los de volta para casa e mais tarde assassiná-los no calor da batalha? Afinal de contas, já estamos sendo usados para assassinatos por ar, mar, em abrigos ou em bairros populosos. Assassinato – isto é, matar e assassinar. Além do mais, as pessoas que jogam nossas bombas não ficam manchadas com sangue. Nosso sistema é simples: não há necessidade de evidência para um julgamento. Uma vez decidamos que alguém é alvo, jogamos uma bomba e ele se foi. Recentemente, o exército adquiriu permissão para matar civis que estejam próximos de alguém escolhido com alvo; isso foi publicado na imprensa há umas duas semanas, próximo à foto de uma sorridente comandante do exército. Não há dúvida de que se o ministro da Defesa tivesse antes assegurado a libertação de nosso soldado cativo ele teria ganhado mais do que cinco assentos no Knesset. Talvez ele viesse a ser coroado como o rei de Israel. A capacidade do povo de ser levado por uma onda de zelo patriótico por causa da operação do exército isralense é espantosa. Eu lembro como, tendo embarcado na segunda guerra do Líbano em 2006, muitos dos meus sãos e esclarecidos amigos gritaram com alegria: “Finalmente, uma guerra justa”. Eu creio que todos nós lembramos como isso terminou. Então, por que nós, durante o período de calmaria, não nos engajamos num diálogo direto ou indireto, a fim de estender a trégua ou de assegurar um acordo melhor?
*Shulamit Aloni é uma militante da esquerda isralense, fundadora do Ratz (Movimento pelos Direitos dos Cidadãos), foi líder do partido Meretz e ministra da Educação do Governo Itzhak Rabin, entre 1992-1993. Defensora da separação entre estado e religião, foi forçada a renunciar ao cargo, mas readmitida como Ministra das Comunicações e da Ciência e Cultura onde serviu até 1996, quando se retirou das atividades político-partidárias.
Publicado originalmente em Israel News, em 5 de janeiro de 2009
Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Os intelectuais pacifistas de Israel

Por meio de uma ampla pesquisa nos arquivos do Estado, eles desmontam os mitos da política oficial e procuram abrir caminho para uma nova relação com os árabes. Graças aos estudos, sabe-se, por exemplo, que a ocupação da Palestina sempre esteve nos planos da direita sionista

A intelligentsia israelense conheceu, nos anos 1980, o começo de uma mutação notável, que marca a ascensão de uma nova geração de homens e de mulheres que não conheceram a shoah [1] nem a criação do Estado de Israel. Essa evolução é também testemunho do amadurecimento progressivo das elites, capazes, a partir de então, de julgar sem complexo o passado e de se livrar dos mitos e tabus propalados pelos dirigentes israelenses.
O anticonformismo desses intelectuais — historiadores, sociólogos, filósofos, jornalistas, escritores, cineastas, artistas — manifestou-se depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967: a ocupação, a resistência palestina, a ascensão ao poder da direita nacionalista e religiosa em 1977, a influência crescente dos colonos e dos rabinos expansionistas, a exacerbação das tensões entre religiosos e leigos não deixou de alimentar a contestação. “Quando eles falam de Tel-Aviv, os religiosos usam com freqüência a expressão ‘Sodoma e Gomorra’, ao passo que, para os laicos, Jerusalém é como a Teerã do tempo dos aiatolás”, comenta Michel Warschawski, um dos dirigentes da ala radical do movimento pacifista.
A paz com o Egito, em 1979, suscitou a esperança de uma solução global, que a invasão do Líbano, em 1982, transformou em desilusão. Vista pela opinião pública como a primeira guerra ofensiva de Israel, esta última foi provocada por razões que se revelaram falsas. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que a dupla Menahem Begin - Ariel Sharon buscava aniquilar, não promoveu nenhuma provocação, ao contrário do que o governo israelense afirmava. Ela deu, até mesmo, sinais da vontade de se engajar na via do compromisso. Não colocava em perigo a existência do Estado judeu. À época, muitos israelenses ficaram escandalizados com a extrema brutalidade de suas forças armadas, e com o número exorbitante de vítimas entre os civis palestinos e libaneses, que culminou no terrível massacre de Sabra e Chatila.
Acontecimentos sem precedentes se sucederam então: cerca de quatrocentos mil manifestantes protestaram no centro de Tel Aviv; quinhentos oficiais e soldados desertaram; o movimento dos refuseniks [2] tomou forma com aqueles que se recusavam a servir o exército, inicialmente no Líbano, em seguida nos territórios ocupados. A “pureza das armas”, de que o Estado judeu se gabava desde o seu nascimento, ficou seriamente prejudicada.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Israel e a impunidade penal

Se fosse necessária mais uma prova do desprezo de Israel para com a comunidade internacional, esta nos foi dada pela detenção e posterior expulsão de Richard Falk, Relator Especial sobre os direitos humanos das Nações Unidas nos territórios palestinos ocupados. Falk ia visitar a Faixa de Gaza a convite da Autoridade Palestiniana. Após a chegada ao aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv foi detido imediatamente por funcionários do departamento de imigração, separado dos outros dois membros do pessoal das Nações Unidas e detido por 20 horas antes de ser colocado em outro vôo para Los Angeles. Não se trata absolutamente de nenhum erro por parte das autoridades israelitas. Richard Falk não estava estre os aprovados pelo governo por uma boa razão: pouco antes da sua partida para o Oriente Médio pediu, a propósito da situação em Gaza, uma ação urgente da Organização das Nações Unidas para proteger a população civil " submetida a um castigo coletivo equivalente a um crime contra a humanidade ". Ele também considerou que o Tribunal Penal Internacional deveria investigar esta situação para determinar se os líderes civis e militares responsáveis pelo cerco israelense de Gaza deveriam ser acusados e julgados por violações do direito penal internacional. Esperamos agora que as reações dos defensores dos direitos humanos, tão rápidos para punir os palestinos como silenciosos quando se trata da ocupação israelita. Israel não pode ignorar o direito internacional para sempre. Esta complacência, esta covardia e cumplicidade criminosa mata palestinos a cada dia. Não podemos dizer que não sabíamos.

Bolívia torna-se território livre do analfabetismo

“Missão cumprida. O fim do analfabetismo foi um dos compromissos de minha campanha. Agora vamos passar para a fase de ampliar o ensino básico, depois o secundário, até chegar no terceiro grau”, afirmou o presidente Morales ao comemorar a conquista
A Bolívia, segundo país mais pobre da América, atrás só do Haiti, foi declarada território livre do analfabetismo, no sábado passado, dia 20.
Depois de três anos de grande mobilização popular, particularmente dos maiores interessados, os indígenas, somada à decisão política do presidente Evo Morales, a Bolívia transformou-se no terceiro país que conseguiu vencer essa praga no continente, após Cuba, que o fez em 1961, e a Venezuela, em 2005. Os dois países colaboraram com a sua experiência, com professores, métodos e recursos para encarar o difícil desafio.
“Missão cumprida. O fim do analfabetismo que tanto mal faz aos povos foi um dos meus compromissos de campanha. Agora vamos passar para a fase de acabar o ensino básico, depois o secundário, até chegar no terceiro grau”, afirmou Morales no ato que foi uma verdadeira festa com milhares de pessoas na cidade de Cochabamba, .
Os números divulgados pelo Ministério de Educação e Cultura são: 819 mil 417 pessoas alfabetizadas de um universo de 824 mil 101 iletrados detectados (99,5%); 28 mil 424 pontos de alfabetização criados nos nove departamentos da Bolívia; 130 assessores cubanos e 47 venezuelanos que deram aulas de capacitação a 46 mil 457 professores e 4 mil 810 super-visores bolivianos na aplicação do método audiovisual cubano Eu sim posso.
O governo boliviano revelou que o analfabetismo no país tinha “cara de mulher”, já que mais de 85% dos alfabetizados eram do gênero feminino.
O ministro de Educação, Roberto Aguilar, assinalou que este era “o acontecimento educativo mais importante de nossa história republicana”, e “se constitui no esforço que potencializa a conquista de nossa soberania, de retomar nossas riquezas e decidir nosso destino, para que a Bolívia comece a deixar um passado marcado de discriminação, injustiça e intolerância”.
Evo ressaltou a energia, a solidariedade, a vontade de aprender, o esforço continuado, as caminhadas de horas e mais horas para chegar a uma comunidade para receber aulas depois de uma árdua jornada no campo, um dia trabalho numa empresa na cidade, num mercado ou na rua. “Este processo deixou claro a força, a determinação de avançar de nosso povo”, concluiu.
A grande maioria das pessoas preferiu se alfabetizar em espanhol, embora tivessem se preparado professores e material para fazê-lo em quéchua e aymara, relatou o diretor nacional de Alfabetização, Benito Ayma.
Anunciaram que uma segunda etapa, a de pós-alfabetização, se iniciará em fevereiro de 2009 com o programa Eu sim posso continuar, para a conclusão do ciclo básico em dois ou três anos, com conteúdos de espanhol, matemáticas, geografia, história e ciências.

Original em Hora do Povo

sábado, 3 de janeiro de 2009

Protesto no Brasil pede ação da ONU pela pela paz em Gaza

A tarde desta sexta-feira (2), no vão livre do Masp da capital paulista, contou com um forte protesto de descendentes de povos árabes e simpatizantes da causa palestina contra a violência de Israel e pela paz na Faixa de Gaza. “Não nos conformamos com o silêncio do Tribunal Internacional. Cadê a ONU? Cadê as entidades de direitos humanos que não fazem nada diante do que está acontecendo na Palestina”, indagou o presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas, Abdul Nasser El Rafei.
“Essa manifestação aqui em São Paulo é o máximo que nós podemos fazer estando no Brasil”, afirmou Abdul Nasser. Mais de 300 pessoas participaram do protesto e comemoraram a adesão tanto de libaneses, marroquinos, sírios, paquistaneses e seus descendentes, quanto a de entidades brasileiras não-religiosas, como os partidos políticos.

Além da União Nacional das Entidades Islâmicas, outras diversas entidades e comunidades árabes e de solidariedade a Palestina participaram do protesto. Entre os partidos brasileiros, estiveram o PT e o PcdoB. A presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, e outras diversas lideranças, também compareceram ao protesto.

“Tem muita gente que não sabe nada da causa palestina”, disse o descendente de libaneses Tahsine Ahmad Hammoud, que busca divulgar a situação do país também vendendo lenços palestinos, um dos acessórios da moda de ocidentais descolados.

Mesmo sabendo que a manifestação só começaria às 15 horas, a estudante Asmahan Mazloum, de 22 anos, já a esperava desde o meio-dia. “Estou aqui porque tenho parentes na Palestina que estão sofrendo muito. Vim pela paz na região e pelo direito de viver, que todos nós temos”, disse a jovem, que foi sozinha, mas logo conheceu a estudante Kátia da Costa, de 17 anos.

Para que a paz chegue mais cedo

A adolescente, que não é descendente de árabes nem é muçulmana, foi até a Avenida Paulista por se identificar com a causa. Ela ficou sabendo da manifestação em uma comunidade do Orkut. “Me comovi com as notícias da violência que eles estão sofrendo. É a primeira vez que me envolvo em uma manifestação assim.”

O analista de sistemas Ali Rajab, de 27 anos, foi com um grupo de amigos. “A gente espera que os comandantes abram os olhos para o que está acontecendo na Faixa de Gaza. Viemos mostrar apoio ao povo palestino”.

A manifestação foi encerrada minutos antes das 17 horas, quando pontualmente, ali mesmo no chão do vão livre do Masp, os muçulmanos se ajoelharam e rezaram também pelos mártires da violência na Faixa de Gaza. Na próxima segunda-feira (5), está prevista uma reunião para definir as próximas ações no Brasil contra a violência na Faixa de Gaza.

Protestos no mundo

Não foi apenas o Brasil que foi para as rua pedir a paz na Faixa de Gaza. Outras milhares de pessoas protestaram no mundo todo contra os ataques israelenses em Gaza, que entraram no sétimo dia consecutivo nesta sexta. Foram registradas manifestações no Oriente Médio, na Ásia, na África e alguns países da Europa.

Protestos foram realizados por todos os países da região desde que Israel lançou a campanha de ataques aéreos, porém os atos desta sexta foram bem maiores em relação aos outros dias - também por conta das tradicionais orações de sexta. As manifestações começaram pouco depois das orações de sexta-feira em Teerã, Cairo, Amã e Damasco. Protestos similares têm sido realizados quase diariamente desde sábado, o início da ofensiva.

Houve protestos de palestinos nas principais cidades da Cisjordânia. Em Ramallah, correligionários do Hamas enfrentaram-se com a facção Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, chamando-os de "colaboradores". Em outras regiões, manifestantes atacaram pontos de controle com pedras e alguns ficaram feridos por balas de borracha.

Na capital da Jordânia, Amã, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e entrou em confronto com os manifestantes que tentavam chegar à embaixada israelense. Várias pessoas foram detidas. O governo do Egito, por sua vez, adotou rígidas medidas de segurança para evitar os protestos. Centenas de policiais rodearam a mesquita de Al-Azhar, no Cairo, onde haveria uma marcha. Na cidade de el-Arish, no Norte da Península do Sinai, mais de 3 mil pessoas se manifestaram. Na fronteira com Gaza, dezenas de beduínos dispararam suas armas para o ar na aldeia de Rafah.

Morte aos EUA

O Irã advertiu nesta sexta-feira que Israel não inicie uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza. Em várias capitais do mundo islâmico, se espalharam manifestações contra a ofensiva do estado judeu, iniciada há sete dias.

Em Teerã, cerca de 6 mil pessoas marcharam da Universidade de Teerã até a Praça de Palestina, aos gritos de "morra Israel" e "morra Estados Unidos", além de queimar bandeiras israelenses. Os manifestantes carregavam cartazes com os dizeres "Não matem as crianças" e "Um verdadeiro holocausto acontece em Gaza", enquanto outros prometiam "lutar e defender Gaza".


O aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani afirmou no sermão das sextas-feiras a milhares de pessoas que a derrota militar israelense em Gaza seria um "escândalo" para o governo de Israel e que, mesmo que o governo do Hamas na Faixa de Gaza caia, a "resistência" palestina aumentará.

Queima da bandeira de Israel

Em Damasco, na Síria, cerca de 2 mil pessoas se manifestaram no acampamento de refugiados palestinos de Yarmouk, empunhando bandeiras palestinas aos gritos de "a jihad nos unirá" e queimando uma bandeira israelense.

Também houve protestos em Moscou, onde dezenas de pessoas se concentraram em frente à embaixada de Israel para exigir o fim dos ataques. Mas o protesto não recebeu autorização municipal, segundo o porta-voz da polícia local, Vladimir Paklin, e 37 pessoas foram detidas.

Na capital da Indonésia, Jacarta, mais de 10 mil muçulmanos protestaram diante da embaixada dos Estados Unidos, acompanhados de falsos foguetes com os dizeres "Alvo: Tel Aviv, Israel". Em Cabul, no Afeganistão, milhares de pessoas realizaram um protesto parecido, no qual queimaram bandeiras de Israel e gritaram contra os Estados Unidos.

5 mil na Turquia

Em Istambul, maior cidade da Turquia, cerca de cinco mil pessoas protestaram contra os bombardeios israelenses perto de uma mesquita histórica da cidade. Foram queimadas bandeiras de Israel e dos Estados Unidos. A Turquia é o aliado mais próximo de Israel no Oriente Médio.

Também houve protestos em Moscou, onde dezenas de pessoas se concentraram em frente à Embaixada de Israel para exigir o fim dos ataques. Mas o protesto não recebeu autorização municipal, segundo o porta-voz da polícia local, Vladimir Paklin, e 37 pessoas foram detidas. Em Berna, capital da Suíça, centenas de pessoas fizeram uma passeata condenando os bombardeios israelenses. Demonstrações menores ocorreram em Londres e Paris.
Original em Vermelho

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Massacre na Palestina


O governo israelita desencadeia desde sábado a mais violenta operação militar dos últimos 40 anos contra o povo Palestino


Os bombardeamentos provocaram centenas de vítimas em Gaza e merecem o repúdio de milhares em todo o mundo.Segundo informações confirmadas pelas Nações Unidas, os ataques ininterruptos do exército israelita já fizeram mais de 300 mortos e cerca de 1400 feridos.

Telavive argumenta que a maioria das vítimas são militantes do Hamas, procurando, desta forma, tirar o caráter genocida da campanha. Os relatos indicam que entre os mortos está um número indeterminado de civis palestinianos.

A operação desencadeada sábado não dá sinais de abrandar e Israel promete, através do chefe-adjunto do Estado-Maior, general Dan Harel, citado segunda-feira pela imprensa israelita, que «nenhum edifício do Hamas ficará de pé.

Às palavras de Harel juntam-se as proferidas dias antes pelo ministro da Defesa do país, Ehud Barak, para quem esta é «uma guerra sem tréguas». «Israel irá expandir e aprofundar as suas operações na medida do necessário», investida que, advertiu ainda, «não será de curta duração e não será fácil».

As declarações do titular da Defesa indicam que aos bombardeamentos pode juntar-se uma invasão terrestre. Tal cenário não foi ainda desmentido, tanto mais que Israel decretou parte da zona de fronteira com a Faixa de Gaza «zona militar encerrada», concentrou um grande número de tanques na região e mobilizou 6500 reservistas.

Estado de calamidade

Se o bloqueio imposto à Faixa de Gaza por Israel desde Junho de 2007 deixou os cerca de 1 milhão e 500 mil habitantes do território em situação de carência extrema, o ataque dos últimos dias provocou o estado de calamidade.

Neste contexto, o Comité Internacional da Cruz Vermelha apelou a Telavive para que permitida a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sobretudo equipes e material médico para ajudar as centenas de feridos causados pela ofensiva militar. A resposta tarda.

Os hospitais, que já antes da agressão enfrentavam graves restrições e uma ruptura permanente nos estoques, encontram-se sobrelotados e não têm qualquer capacidade de resposta, diz a Cruz Vermelha.

Sábado, o Egipto abriu o posto fronteiriço de Rafah com o objectivo de receber os feridos resultantes da ofensiva israelita. Horas depois, o terminal foi encerrado depois de um polícia ter sido morto, alegadamente por disparos provenientes do lado palestino.

O Egipto mantém a passagem encerrada e advertiu que só casos excepcionais serão acolhidos. O executivo liderado por Hosni Mubarak acusa o Hamas de impedir a assistência aos palestinos, mas o movimento pede que o posto de Rafah seja aberto permitindo à população escapar aos impiedosos bombardeamentos.

Desde sábado já entraram no Egipto ilegalmente cerca de meio milhar de palestinos que fogem ao assalto israelita refugiando-se no deserto do Sinai. Centenas juntam-se desesperados na fronteira, e nem os tiros da polícia egípcia demovem os populares encurralados entre os raides de Israel e as portas fechadas pelo governo do Cairo.

Declarações sem efeito

Entretanto, o Hamas, através do seu líder no exílio, Khaled Mechaal, reagiu ao massacre na Faixa de Gaza apelando aos palestinos para que desencadeiem uma nova Intifada contra Israel.

Já o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu ao movimento que governa Gaza que «evite o derramamento de sangue», considerando que cabe ao Hamas «retirar todos os pretextos usados por Israel» nesta campanha. Antes, Abbas havia apelado à «comunidade internacional» para que pressione Israel e ponha cobro ao massacre, mas a «comunidade» parece ignorar o pedido.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou-se profundamente preocupado com a escalada de violência em Gaza», qualificando a ação de «inaceitável». Equiparando a débil resposta palestina com a moderna máquina de guerra israelita, Ki-moon exortou as partes a interromperem a violência e a declararem um cessar-fogo. Posição semelhante assumiram potências como o Japão ou a UE. Hoje, reúnem em Paris os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

A Alemanha, por sua vez, juntou-se aos EUA culpabilizando o Hamas pelos acontecimentos. A administração norte-americana disse mesmo compreender a iniciativa israelita classificando-a de «ação defensiva».

Repúdio global

Contra o genocídio que Israel promove na Faixa de Gaza, centenas de milhares de pessoas manifestam-se em todo o mundo exigindo o fim imediato dos bombardeamentos e solidarizando-se com o povo palestino.

Protestos ocorrem desde sábado em Caracas, Beirute, Paris, Copenhaga, Estocolmo, Londres, Helsínquia, Madrid, em Istambul e outras cidades da Turquia, na Jordânia, Síria, Líbia, Paquistão, Bangladesh, Teerã, no Dubai, em Bagdad, Mossul e várias cidades iraquianas, no Cairo, ou em Santiago do Chile. Nos EUA, um protesto junto à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, exigiu o fim do massacre.

Em Portugal, a CGTP-IN e o CPPC emitiram comunicados condenando o massacre na Faixa de Gaza. A central sindical sublinha que nada pode justificar este crime de guerra e apela ao reforço da solidariedade para com o heróico povo palestino.

No mesmo tom, o CPPC considera os ataques «um exemplo particularmente cruel da política de terrorismo de Estado que Israel pratica há várias décadas contra o povo da palestina e o seu direito a constituir-se em Estado soberano», e «alerta para as consequências que estes ataques poderão ter na já muito tensa situação no Médio Oriente».

Original em Avante

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

FALTANDO UMAS SEMANAS PARA ABANDONAR A PRESIDÊNCIA

Bush orienta o uso de forças paramilitares e de tropas mercenárias



Jean-Guy Allard


ENQUANTO centenas de milhares de norte-americanos são demitidos de seus empregos por causa da crise econômica que abala o país, a administração Bush, já no fim de seu mandato, ordena o Pentágono de criar forças militares "irregulares" ou paramilitares — inclusive clandestinas ou de exércitos estrangeiros — como tropas regulares.
Segundo informações reveladas pelo The Washington Post, o secretário adjunto da Defesa, Gordon England, assinou uma importante norma dirigida ao Pentágono, com a qual legitima e orienta a criação acelerada de forças chamadas irregulares e emite disposições para reforçar e estender os planos já encaminhados pelo exército.
Segundo o jornal, a ordem executiva afirma textualmente que o Pentágono deve aumentar a capacidade combativa com métodos não-convencionais, tais como, "forças de segurança estrangeiras, suplentes ou de movimentos de resistência indígena para apoiar estados fracos, estender o alcance das tropas norte-americanas em zonas denegadas ou combater regimes hostis".
Num estilo típico da atual administração, o documento sustenta-se na necessidade de combater o "terrorismo" para justificar intervenções ilegais em nações soberanas.
"Os inimigos sempre dizem que é melhor enfrentarmo-nos de maneira assimétrica", declarou o subsecretário da Defesa para as operações especiais de baixa intensidade, Michael G. Vickers.
Esta política, atualmente oficial, foi concebida a partir das lições "a miúdo, dolorosas", sofridas pelos militares norte-americanos no Iraque e no Afeganistão e para prevenir erros cometidos depois da guerra do Vietnã, "quando as capacidades de luta da contra-insurgência se debilitaram".
O texto, de 12 páginas, expressa que a guerra irregular é "estrategicamente tão importante quanto a tradicional", definindo-a como uma "luta violenta entre atores estatais e não-estatais para a legitimidade e influência numa determinada população", que tem como propósito "minar o poder, a influência e a vontade do inimigo".
Segundo o jornal, um dos propósitos dos líderes é que as tropas norte-americanas participem menos dos combates, e desenvolver a capacidade das forças militares e de "segurança" estrangeiras.
Instando o Pentágono a ampliar suas muitas operações de espionagem e de penetração dos aparelhos governamentais e das forças armadas de outros países, Vickers sublinhou que o exército norte-americano deve tornar-se "uma rede global, com militares norte-americanos e estrangeiros, e com pessoal governamental, em numerosos países, com os quais os EUA não estão em guerra".
O objetivo, explicou abertamente o funcionário, é "criar uma presença constante e onipresente contra os nossos inimigos... isto é, tentar curvá-los no decurso do tempo".
Parte da estratégia é desenvolver habilidades para os idiomas estrangeiros entre os militares, e treinar as tropas estrangeiras.
Os contribuintes norte-americanos, asfixiados pelos gastos do Estado, souberam que se investirá mais dinheiro na ampliação das chamadas Forças Especiais, as famosas ‘Boinas Verdes’, conhecidas pelas suas operações ilegais na América Latina. Também aumentará o orçamento dos serviços militares de inteligência e vigilância, bem como os serviços de aviação para a aquisição de aviões especiais concebidos para a guerra irregular.
A aplicação das novas normas bushistas é responsabilidade do Comando de Operações Especiais, radicado em Tampa, Flórida."

A Foto não consta no original
Original em Granma


Vergonha agressores!

Declaração do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa



Israel cometeu outro crime grave. Como resultado da continuação de vários dias de bombardeios na Faixa de Gaza, onde já se conta mais de 300 mortos e milhares de feridos palestinos - homens, mulheres e crianças. Este é um ato de puro terrorismo de Estado.

Os líderes de Israel dizem que o bombardeio de uma pacífica cidade com milhares de habitantes têm como objetivo ”destruir a infra-estrutura do Hamas». O fato é que os hospitais estão superlotadas de feridos que não puderam obter ajuda de emergência. Em Gaza, há uma aguda escassez de medicamentos, alimentos e água potável.
A julgar pela reação da liderança dos Estados Unidos, esta sangrenta agressão israelita contra a Palestina, tem o apoio de Washington. Isto é de se esperar, porque os Estados Unidos são a principal fonte e um patrocinador do terrorismo de Estado. Os Estados Unidos, na falta de uma agressão contra o Irã, decidiram, nos últimos dias do presidente Bush, ordenar aos dirigentes israelitas um golpe esmagador contra a Faixa de Gaza e a transformação da Palestina em um gueto.
A União Europeia, condenando com palavras as ações de Tel Aviv, aparentemente não tem a intenção de tomar quaisquer medidas concretas para travar a Israel, que, cinicamente, despreza todas as normas do direito internacional. A União Europeia, têm medo de sequer pensar em sanções econômicas contra o agressor ou a implantação na zona tampão entre Israel e Palestina, com as forças de manutenção de paz. Em vez disso, a UE está a tornar-se cada vez mais atolada em um lamaçal de guerras coloniais. Alem do Afeganistão, já está sonhando em enviar suas tropas para o Cáucaso.
Líderes do Hamas chamam de vingança. Isto significa que a espiral de violência no «Grande» Oriente Médio acelera-se novamente. A invasão terrestre, com que Tel Aviv, uma vez mais, ameaça os palestinianos, nada mudará. Esta é parte de uma grave crise no Médio Oriente, originada devido à ocupação traiçoeira de terras árabes, literalmente, nos primeiros dias após a formação de Israel. A crise foi agravada pela ocupação dos territórios palestinos, na Síria e no Líbano, por Israel nas subseqüentes guerras contra estados vizinhos e pela expulsão de milhões de árabes das suas casas.
O Partido Comunista da Federação Russa condena veementemente o ato de agressão bárbara por parte de Israel contra a Palestina. Nós exigimos um fim à violência e ao aumento dos esforços da comunidade mundial para a retirada das tropas de ocupação do território dos árabes, o regresso dos refugiados e a criação de um Estado palestino com capital em Jerusalém Oriental.
Apenas nestas condições pode ser uma paz duradoura no Médio Oriente.

GA Zyuganov
Presidente do Comité Central do Partido Comunista da Federação Russa
Original russo em kprf.

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