Além do Cidadão Kane

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A crise financeira e a classe trabalhadora

Nos últimos 30 anos, os ideólogos do neoliberalismo venderam a crença de que bastavam as leis do mercado — este completamente liberado de todas e quaisquer amarras do Estado — para organizar a economia dos países. Essa concepção política, na era da globalização, se impôs ao planeta todo. foram três décadas de endeusamento do livre mercado! Valores da liberdade e democracia, apreendido pelo neoliberalismo, serviram para justificar o incentivo desenfreado ao individualismo, consumismo e a busca incessante a lucros obtidos a qualquer custo. A defesa dos interesses nacionais e investimentos nas áreas sociais passaram a ser sinônimo de atraso e de empecilho ao desenvolvimento econômico de um país.
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No mesmo período, se promoveu uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo para o financeiro e, principalmente, para o capital especulativo. Livre das regulamentações criadas pelo Estado da era industrial, o capital fluiu maciçamente para o campo da especulação financeira, em busca de maiores lucros, obtidos em menor espaço de tempo. Essa política alimentou um verdadeiro cassino financeiro planetário, que proporcionou ganhos gigantescos aos especuladores. Controlando os mercados — que chamam de livre mercado — esses especuladores financeiros criaram uma engrenagem mundial para ganhar rios de dinheiro, sem qualquer relação com a atividade produtiva. Criaram, assim, uma bolha financeira no mercado mundial. Sob a hegemonia do capital financeiro impuseram aos Estados o compromisso, prioritário, de garantir um superávit primário cada vez maior para pagar os compromissos com o capital internacional e alimentar aindamais esse cassino financeiro mundial. Governante eficiente passou a ser aquele conseguiu zerar o déficit público, conseguido às custas da redução de recursos financeiros para as áreas da educação, saúde, saneamento e moradias populares. Os governos foram transformados em meroscaixas dos interesses do capital. Pior, por serem eficientes aos olhos do capital, se sentem orgulhosos do papel a que foram relegados. Além disso, grupos empresariais de comunicaçãose encarregaram de formar uma opinião pública favorável a esse discurso dentro dos países.
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Agora, a gravidade da crise que afeta a economia capitalista, em nível planetário, destrói todos os mitos do pensamento único do livre mercado. A crise transformou em pó os papéis que alimentavam especulação financeira. Mas, também transformou em pó os discursos da não intervenção do Estado e da auto-regulamentação do mercado. Caiu o mito de que o mercado resolve tudo. Os que defendiam que o Estado não deveria se intrometer na economia, hoje estão diante dos governos implorando ajuda financeira dos cofres públicos. Imensos volumes de impostosestão sendo canalizados para socorrer empresas falidas ou em dificuldades financeiras. Dinheiro público usado, mais uma vez, para salvar capitalistas falidos.
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Os governos dos países do berço da crise — Inglaterra e Estados Unidos — não sabem o que o que dizer, nem o que fazer. Como não sabem diagnosticar a crise, não sabem qual o tratamento mais eficaz para enfrentá-la. No entanto, tornam-se evidentes as iniciativas de socializar as perdas. Cabe à classe trabalhadora reagir frente a essa crise. É preciso recuperar nossa capacidade de unidade e mobilização das massas populares, construir um movimento amplo e bem organizado, e nos desafiar a fazer lutas que acumulem para o projeto político da classe trabalhadora.
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O neoliberalismo está totalmente desmoralizado. A burguesia, portadora desse projeto, se sente perdida e não sabe que alternativas apresentar. Assim é preciso lutar, primeiramente, para que a crise afete o menos possível a classe trabalhadora. Mas, é necessário também, fazer a disputade projetos políticos para o nosso país. A crise evidencia, ainda mais, a necessidade da classe trabalhadora apresentar à sociedade a alternativa socialista para nosso país.
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Original em Revista Sem Terra

Um comentário:

O Editor disse...

Mas hoje o G20 encontrou uma solução inovadora para a crise: emprestar 1 trilhão via FMI para os países que precisam.
Bem, acho que se vão emprestar é por alguém vai ter que pagar, e com juros... parece que já vi isso antes, FMI, empréstimo, juros, crise, FMI, empréstimo, juros, crise... e o Lula entrou com orgulho nessa, afinal ele é o cara!

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