Além do Cidadão Kane

domingo, 23 de agosto de 2009

Há 70 anos, URSS assinava pacto estratégico


por Osvaldo Bertolino

Neste domingo (23), completam-se 70 anos do pacto entre a Alemanha nazista e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Difamado pela direita internacional, o acordo aconteceu depois das manobras das potências ocidentais — principalmente França e Inglaterra — para empurrar a máquina de guerra nazista para cima da URSS. O país socialista era alvo confesso de Adolf Hitler, que liderou o “Pacto de Aço” anti-Komintern — um tratado belicista e anticomunista entre Alemanha, Itália, Japão e outros países fascistas.

Em janeiro de 1933, quando se tornou chanceler alemão, Adolf Hitler já havia publicado sua plataforma política. Era o livro Mein Kampf (Minha Luta), um best-seller que naquele tempo contava com mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Nele, estavam claras as idéias do novo chanceler alemão: ódio aos comunistas, aos judeus, aos eslavos, aos proletários, etc.

Nova ordem nazista

Logo, a venda da obra nazista explodiria. “Com exceção da Bíblia, nenhum outro livro foi tão vendido durante o regime nazista”, escreveu William L. Shirer no livro Ascensão e Queda do 3° Reich, parcialmente traduzido para o português pelo histórico dirigente do Partido Comunista do Brasil, Pedro Pomar.

Na obra, Hitler expôs com clareza o modelo de governo que ele queria implantar na Alemanha. A “nova ordem” que o líder nazista pretendia impor ao mundo tinha no Estado de seu país — que um dia se tornaria “o soberano da terra” — o alicerce para uma ditadura absoluta.

A “nova ordem” nazista também teria uma “ideologia universal”. Para tanto, segundo Minha Luta, a Alemanha deveria ajustar contas com a França, “o inexorável e mortal inimigo do povo alemão”. Hitler considerava esse passo decisivo como meio para mais tarde “dar ao nosso povo a expansão que venha a ser possível alhures”.

Estratégia nazista

Ele estava dizendo que a Alemanha tinha como alvo final a União Soviética. “A Alemanha deve expandir-se para o Leste, em grande medida às custas da Rússia”, escreveu. No primeiro volume de Minha Luta, Hitler discorreu longamente sobre o problema do “espaço vital” — Lebensraum, em alemão. “Se na Europa de hoje falarmos em terras, haveremos de ter em mente apenas a Rússia e as nações vizinhas a ela subordinadas”, afirmou o líder nazista. Ele perseguiria esse objetivo até à morte. Para Hitler, o destino tinha sido generoso ao entregar a região à direção dos comunistas — o que, segundo sua teoria, era o mesmo que entregá-la aos judeus.

A estratégia nazista estava clara. Primeiro, era preciso aniquilar a França apenas como condição para o avanço de seus exércitos rumo ao Leste. No decorrer da guerra, essa promessa foi fielmente executada. Hitler tomou a Áustria, a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, e a parte ocidental da Polônia. Em setembro de 1938, os líderes da Alemanha, Inglaterra e França assinaram o “Pacto de Munique”, permitindo ao exército alemão iniciar sua marcha para a Tchecoslováquia. A ameaça à União Soviética estava mais perto do que nunca.

Segurança coletiva

Logo depois da ocupação nazista da Tchecoslováquia, a União Soviética propôs uma conferência das seis potências (Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética) para debater formas de evitar futuras agressões. Mas a proposta foi considerada “prematura”. Os movimentos no xadrez político ocidental deixavam claro a intenção de manter a União Soviética fora do concerto das potências européias. Moscou voltou a acenar, em vão, com um pacto de assistência mútua com a França e a Inglaterra. Esses movimento evoluíram para a aproximação entre União Soviética e Alemanha.

Discursando no 18° Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1939, Josef Stalin disse que Inglaterra e França haviam abandonado o princípio da segurança coletiva, com a finalidade de orientar os Estados agressores para “outras vítimas”. Stalin advertiu que os países ocidentais estavam empurrando os alemães ainda mais para Leste, prometendo-lhes uma presa fácil. Segundo o líder soviético, os princípios orientadores do país socialista eram o de seguir uma política de paz, de fortalecimento das relações econômicas em todos os países e não permitir que a União Soviética fosse arrastada para conflitos pelos provocadores de guerra.

A batalha de Stalingrado

O recado foi entendido em Berlim. A Alemanha tinha interesse em atacar a Polônia sem temer uma intervenção soviética. As conversações evoluíram para o pacto de não-agressão mútua. Quando Hitler invadiu a Polônia, a União Soviética movimentou suas tropas para os Estados Bálticos. A etapa principal do pacto estava vencida. A Alemanha nazista preparava-se para “uma campanha rápida” para “esmagar a União Soviética”. Em junho de 1941, um ano depois da queda da França, as tropas nazistas atacaram o país socialista. Um general alemão disse que a guerra estaria ganha em catorze dias.

A batalha de Stalingrado representou a chegada da reviravolta. Dali para diante, o poder de Hitler declinaria, minado pela crescente contra-ofensiva soviética. Um representante do “Ministério para os Territórios Ocupados do Leste”, criado pelo governo nazista, disse na ocasião que os soviéticos “estavam lutando com excepcional bravura e com espírito de renúncia, nada mais visando que o reconhecimento da dignidade humana”. O resultado seria o esmagamento da máquina de guerra criada por Hitler. Em junho de 1944, as forças anglo-americanas atacaram na frente ocidental. A muralha nazista foi rompida em poucas horas. À meia-noite de 8 para 9 de maio de 1945, os canhões silenciaram fogo na Europa pela primeira vez desde 1939.

Rendição japonesa

Em 2 de setembro de 1945, os japoneses renderam-se a bordo do encouraçado norte-americano Missouri, ancorado na baía de Tóquio. Era o fim de uma luta que se iniciara em meados de 1937, na China, expandindo-se mais tarde para praticamente todo o Pacífico. É impossível calcular o volume de perdas econômicas causadas pela guerra. Quanto à perda de vidas, há uma estimativa, embora longe de ser exata. Morreram cerca de 50 milhões de pessoas, fardadas ou não. Uma média de 8,3 milhões por ano de luta.

Tomada em seu conjunto, a Segunda Guerra Mundial é um fato sem paralelo na história. Nunca tantos países haviam se envolvido num conflito armado. Nunca se produziu tanto armamento. Raramente se aplicou tanta pesquisa e dinheiro no desenvolvimento de equipamentos militares. A guerra começou numa época em que os exércitos ainda usavam cavalos. Quando terminou, os caças a jato já voavam. No final da década de 30, as armas mais destrutivas ainda eram os canhões de grande calibre. Meia dúzia de anos mais tarde o planeta tomava contato com as armas nucleares e com os mísseis balísticos. O mundo não poderia ser o mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial.
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Meninas e meninos da Guatemala…Humilhados e esquecidos

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Tradução Rosalvo Maciel
Rebelión

Em um país onde quatro de cada cinco habitantes vive na miséria e onde existem mais de 4 milhões de crianças, constituem 25% da força de trabalho. Oscilam entre os 5 e os 15 anos, trabalham até 18 horas diárias e se originam, cerca de 70%, de áreas rurais ocupadas majoritariamente por indígenas maias. São 1,2 milhões de pequenos proprietários que colocaram a Guatemala no primeiro lugar em exportação de ervilha, o quinto de açúcar e o oitavo de café. Mas também no primeiro, em toda a América Central, por exploração infantil.

São evidencia do desinteresse. Sua vida é difícil, cíclica e desamparada. São produto da crise do minifúndio e da derrocada do café ocorrido em 2000 que obrigou a famílias inteiras a emigrar para as cidades e as foi deslocando, fragmentando, transfigurando… São o resultado de um sistema que não lhes tem construído escolas (nem sequer nos lugares devastados pela guerra) ocasionando um nível de escolaridade de 2,3 anos, e inclusive menor nas áreas indígenas: 1,3 anos. E são produto dessa imigração que antes era inimaginável acontecer sem os adultos, mas que hoje eles efetuam solitários e esperançosos.
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São meninas e meninos interligados por uma historia similar: originam-se em lares extremadamente pobres onde os pais necessitavam apoio adicional para o sustento coletivo. Antes de abandonar sua casa ajudaram na própria, trabalharam onde um familiar, um vizinho ou com o patrão da família. Depois, aqueles que não se mantiveram no campo, o deixaram com o desejo de obter dinheiro para saldar contas e necessidades.
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Os meninos são engraxates, pulverizam e cortam cana de açúcar, cuidam carros, casas e prédios, trabalham como jardineiros, em construção e restaurantes, derrubam árvores, recolhem lixo, são ajudantes de motoristas e até condutores de microônibus, mesmo que não passem dos 13 anos nem tenham licença para conduzir e seus ajudantes tenham a mesma idade… Conduzem por ruas de povoados onde não há nem sinalização, nem polícia… Trabalham o dobro, o medo espantam nos primeiros assaltos, se tem deixado explorar sem sabê-lo e em muitos casos têm sido engolidos pelas cidades onde a fome e as barreiras lhes convertem em delinqüentes.
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As meninas, que em 99% são indígenas, enfrentam o isolamento. Trabalham em vendas informais, mercados, feiras e lugares turísticos, ajudam em restaurantes comunitários, selecionam pepinos, fazem tortilhas, preparam comida para trabalhadores, empacotam flores e descascam ervilhas. Ou estão nas “maquiladoras” (conhecidas por seus abusos e violações aos diretos humanos) ou como domésticas, um trabalho cobiçado porque têm onde dormir, ainda que lhes implique jornadas até de 20 horas nas quais cozinham, servem a mesa, limpam a casa, atendem a “seus patrões”, costuram, fazem compras, lavam a roupa, passam e cuidam de crianças menores do que elas. Cerca de 98% do serviço domestico na Guatemala é realizado por meninas que começam estes ofícios antes de completar dez anos.
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Também, sem distinção de gênero, são vistas limpando terrenos, cultivando e colhendo verduras, especialmente hortaliças, e colaborando nos trabalhos de adubação. Saem muito cedo de suas casas ou pernoitam onde trabalham, seu refugio são os parques por ser uma réplica nostálgica que fazem de seu povoado de origem e porque neles ninguém os julga e ali se encontram com seus amigos e existe a opção de alguma nova oferta de trabalho. É fácil reconhecê-los: são menores, são pobres e vem do campo… São maias que percorrem, com suas tradicionais mochilas ou saias maias, centros comerciais, paradas de ônibus, igrejas e cemitérios. Elas e eles trabalham porque é sua obrigação, o fazem por seus pais e irmãos, por comida, por dinheiro, para pagar uma divida familiar... A maioría trabalha até 20 horas recebendo salarios míseráveis. Se tiverem menos de 14 anos não recebem mais do que 30 dólares por mês, e se têm mais de 15 o máximo que ganham são 47. O que menos ganha “ganha nada”, porque os pais já cobraram, ou porque o “patrão o convence” que ter um “trabalho já é suficiente”, e então são explorados com desfaçatez e, em alguns casos, maltratados ou transformados em vítimas de abuso sexual.
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No campo elas e eles pastoreiam ovelhas, cortam e recolhem lenha, fazem carvão, trabalham nas propriedades, semeiam café, açúcar, canela, flores e verduras.
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Na cidade as coisas se complicam: tendo entre quatro e 14 anos “ingressam” na indústria pirotécnica fabricando foguetes e fogos artificiais sem nenhum tipo de segurança, e são muitas vezes vítimas de explosões de pólvora ou intoxicação. São 3 mil e 700 meninos e meninas que em troca recebem tão somente alimentação, roupa e sapatos.
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Ou também (de acordo com a Organização Não Governamental ‘Casa Aliança’, a Coordenadora Nacional de Organizações Indígenas e o Conselho de Organizações Maias) exercem contra sua vontade a prostituição (mais de 15.000), são utilizados na indústria pornográfica (sobre todos os membros da etnia Kakchiquel) ou como escravos para descarregar caminhões que transportam materiais de construção.
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Os indígenas, presa fácil
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No caso das comunidades autóctones, as 21 etnias que constituem a população indígena, residem em doze dos 22 departamentos guatemaltecos, na costa e no ocidente. Na sua maioria não sabem ler nem escrever e dificilmente falam castelhano. Por isso, e pela miséria, a discriminação, a ausência de um serviço de crédito e pela perda de terras que sofrem, são vítimas importantes no fenômeno da exploração infantil.
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Para o ‘Programa Internacional para a Erradicação do Trabalho Infantil para América Central, Haiti, México e República Dominicana’ da OIT, o cultivo e corte de cana e colheita de café são as mais abjetas formas de exploração do trabalho que suportam os adolescentes indígenas. Estes devem abandonar seus estudos e pôr em risco a saúde, já que as famílias se deslocam até as grandes propriedades nos tempos de colheita, que são bastante exigentes: o café tem um ciclo de 8 meses e os canaviais estão prontos para o corte em novembro. Não há então oportunidade para os estudos, pois o ano escolar vai de janeiro a outubro. Sua vida - a que pretendiam transformar radicalmente - transcorre no confinamento e em jornadas que começam quase à meia noite com a preparação de alimentos e tortilhas para os trabalhadores, e terminam no dia seguinte. Não lhes sobra tempo para brincar nem estudar, e o descanso acontece onde lhes oferecem como único espaço habitacional: a cozinha, da qual não saem e a qual muitas vezes devem compartilhar com outros meninos e vários adultos.
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Segundo a OIT, quase 500 mil meninas, meninos e adolescentes maias vivem essa vida que em ocasiones muda de cenários, não menos escravagistas, como o do comercio e das fábricas. Ou o pior, em razão de que os salários são menores, pois a colheita lhes dá só 47 dólares por mês, ajudam a cortar e recolher papoula e maconha. Por arbusto recebem 2,6 dólares. Não há outra saída desde que caiu a produção dos produtos agrícolas.
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Os menores - indígenas ou não - têm muita procura porque não conhecem seus direitos, não sabem protestar, ignoram o valor de salários e o que vale seus ofícios. Alem disso, os escolhem porque são melhores trabalhadores, suas mãos são pequenas e não estragam as verduras, porque são mais rápidos, mais baratos, mais dispostos a trabalhar de noite e até 24 horas seguidas… E porque o lúdico neles é uma vantagem para explorá-los. Sabe-se, por exemplo, que no campo contratam crianças entre os 7 e os 12 anos para que descasquem vegetais e ainda que esta tarefa cause lesões nas mãos, olhos e vias respiratórias, as crianças ficam felizes brincando imaginando outros cenários e esquecem ou não reconhecem a dor.
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O certo é que as extensas e árduas jornadas de trabalho lhes conduzem ao abandono definitivo da escola: 400 mil crianças trabalhadoras estão fora do sistema educativo.
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Seus pais não podem nem querem evitá-lo. Sua atitude permissiva, e em ocasiões de imposição, é uma estratégia de sobrevivência, e certos elementos culturais sustentam esta situação, por exemplo, que as meninas maias só servem para domésticas e que, em geral, ser indígena “não tem valor”. Daí a submissão, a perda de auto-estima por sua estatura, o permitir que se lhes discriminem por seu idioma e suas vestimentas e se lhes condene, às mulheres, a permanecer na cozinha e a limpar, e aos homens, a não aspirar a nada diferente do que a servidão.
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Os perigos que enfrentam são muitos. Os riscos físicos e psicológicos inevitáveis. Alem disso, carecem de vínculos com os fatores protetores, com a família e com a escola. O governo reage de maneira passiva porque não há um plano nacional, condena aos delinqüentes, mas não atua para evitar que os menores cheguem a sê-lo. Não lhe preocupa que não tenham os serviços de saúde, de recreação e educação. Parece-lhe abominável ver crianças na rua, mas não faz nada para evitá-lo. E o mais condenável, havendo já firmado e ratificado o Convenio 182 da OIT (que define as piores formas de trabalho infantil e sua imediata eliminação, entre as quais se inclui a utilização de crianças em trabalhos que prejudicam sua saúde, segurança e moralidade), segue indiferente… imóvel.
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Ofélia
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Ofélia Chiroy Sebaquijay é um espelho que multiplica a realidade na Guatemala, ainda que hoje a leva só em suas lembranças. Tinha nove anos e cursava o terceiro grau quando perdeu seu pai. Um dia chegou da escola e o encontrou agonizante. Estava bêbado e havia ingerido inseticida porque, angustiado pela falta de dinheiro, quis tirar a própria vida. Ofélia o recorda assim, tanto como recorda quanto o queria, a dor que lhe causou essa perda e o que implicou em sua vida. Uma semana depois avisou a sua mãe que ia trabalhar, pois sabia que o que ganhava no campo e na casa era insuficiente.
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E assim Ofélia, que havia nascido maia em Santa Maria de Cauque, um município de Sacatepequez onde se semeavam verduras, se somou à cadeia de crianças trabalhadoras. Seus dois irmãos estavam casados e não contribuíram com a casa, e de suas três irmãs só uma, a maior, se uniu a ela para assumir a economia do lar.
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Sua mãe não queria que abandonassem o estudo, mas Ofélia insistiu. Seu primeiro trabalho foi no povoado servindo como empregada de uns familiares da esposa de um de seus irmãos. Alí esteve um ano. Trabalhava das 6 da manhã às 8 da noite e lhe pagavam 200 quetzales por mês. Não tinha descanso. Primeiro lhe disseram que se encarregaria da limpeza, mas logo lhe encarregaram da cozinha e tudo o que fosse necessário. A remuneração não aumentou e embora nunca a tenham batido, a fizeram alvo de repetidas ofensas verbais. Dormia ali e aos domingos ia visitar sua mãe.
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Ofélia não voltou a brincar, nem a estudar. Sentia saudade da escola e de suas amigas de aula e de brincadeiras, e desviava seu olhar porque se sentia terrivelmente mal sendo uma criada aos nove anos.
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Farta dos maus tratos de seus patrões, aceitou sem pensar a oferta que lhe fizeram em uma cooperativa de acondicionamento de ervilhas. Tinha que tirar-lhes a casca perfeitamente e empacotá-las. Trabalhava todos os dias das 7 da manhã até quando fosse necessário, pois os pedidos se davam em horas diversas, meia noite ou três da madrugada. Trabalhava até o amanhecer, saía para o café e para preparar o almoço de sua casa, para logo voltar sem haver dormido. Era esgotante, suas mãos doíam e varias vezes seus olhos se infectaram. Com ela trabalhavam cinqüenta crianças, mas não falavam muito entre si porque perderiam tempo e a possibilidade de ganhar mais dinheiro. Pagavam-lhes, “se fossem rápidos”, até 300 quetzales por mês. Ofélia, ainda que explorada, era feliz por receber dinheiro e porque “ao menos” seu patrão fora amável. Ofélia guardava para ela 200 e o resto entregava a sua mãe, a quem ajudava em casa nos domingos quando regressava à vila. Também ia à igreja.
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Não queria pensar no que produzira dor, já que acreditava que sua situação jamais mudaria.
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Um dia, uma amiga que participava nas atividades de um projeto social, lhe perguntou se queria estudar. Ofélia se encheu de alegria e assentiu. Comentou com sua mãe e esta aprovou imediatamente. Queria estudar e enquanto providenciavam sua vaga, participou nas atividades culturais, oficinas e bailes da associação.
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Passou o tempo e seu espírito se foi fortalecendo. Deixou de trabalhar aos 13 anos e lhe convidaram para ser promotora, lhe pediram para que contasse sua experiência, suas dificuldades e sua esperança, a outros meninos e meninas. Aceitou, lhe financiaram o estudo e depois lhe propuseram trabalhar nos fins de semana re-educando a outros menores, em troca de 2.500 quetzales por mês.
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Hoje, vive feliz, faz o que gosta. É orientadora, dá aulas a crianças que não sabem ler nem escrever. Tudo aprendeu escutando e observando a seus tutores, ao ponto de apaixonar-se e planejar ter como profissão ser educadora.
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Ninguém a repreende nem a insulta nem a explora, cursa o terceiro básico e é boa aluna. Contribui economicamente em sua casa, divide com seus amigos seu riso fácil e sua habilidade no futebol. Também lê contos, escuta música, dança os ritmos de sua região e gosta do som das marimbas e dos trajes típicos maia. Alem disso viaja a outros países contando a realidade do seu próprio e suas próprias vivências.
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Não tem namorado. Sua prioridade é entrar na universidade. Não quer nem pode esquecer as condições de sua pátria e considera que nenhum menino ou menina menor de 16 anos deveria trabalhar. Confessa que vê-los trabalhando lhe produz tristeza porque em sua vila há muitas meninas que trabalham desde as 5 da manhã até as 10 da noite, e se põe a pensar que elas cuidam crianças, quando elas mesmas deveriam ser cuidadas. E lhe causa tristeza ver sua irmã que segue trabalhando e que já não estudará porque é maior e sente vergonha e prefere seguir nas “maquiladoras”.
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*Mónica del Pilar Uribe Marín: Jornalista free-lance internacional, especializada em Direitos Humanos, Política e Meio Ambiente. uribemonic@hotmail.com.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Gigantesca marcha em demanda de estado de direito em Honduras

por Nestor Marin Bandomo
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Uma igantesca marcha que durou mais de quatro horas percorreu a capital de Honduras para exigir a restituição do estado de direito e do presidente constitucional, Manuel Zelaya. O 54° dia de resistência tem sido um sucesso. Tem sabor a triunfo, afirmou esta tarde o coordenador geral da Frente Nacional contra o golpe de Estado, Juan Barahona, em um ato ao final da longa caminada.
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Barahona ressaltou que milhares e milhares de pessoas desfilaram contra o golpe militar de 28 de junho, ao referir à multidão que saiu nesta quinta-feira às ruas.
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Acerca-se o triunfo do povo, porque a resistência não é só na capital, senão nos 18 departamentos do país, disse no mitin, celebrado a uns 300 metros do quartel geral das forças armadas.
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Na demonstração tomaram parte as associações de prfessores e agrupamentos estudiantis, depois da decisão da Federação de Organizações Magisteriales de retornar às ações de rua nas quintas, sextas, sábados e domingos, e dar as aulas no resto da semana.
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Os membros do Frente começaram a concentrar-se a partir de 08:00 horas frente a Universidade Pedagógica Nacional e às 10:00 iniciaram um longo percurso por bairros populares.
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Durante o trajeto, fizeram várias paradas para confraternizar com a população que saiu para aplaudir a manifestação.
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No bulevar do Sur a Comissão de Disciplina detectou dois jovens dentro da marcha, carregados de pedras, quase ao passar em frente a um Distrito Policial, reforçado com tropas do exército.
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As duas pessoas foram retiradas da marcha por suspeitas de ser provocadores contratados pelo prefeito da capital, Ricardo Álvarez, do conservador Partido Nacional, que respalda ao governo de fato.
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Uns 200 metros mais abaixo, seis jovens subiram por uma coluna de 10 metros de altura em uma colina, para abrir um enorme cartaz com elogios ao presidente de facto, Roberto Micheletti.
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A queda do gigantesco cartaz provocou múltiplas expressões de alegria da multidão, que gritava 'Fora Micheletti'.
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Barahona anunciou que amanhã continuará a resistência popular contra o golpe militar, pelo regresso de Zelaya e a convocação a uma assembléia nacional constituinte que refunda a Honduras.
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Original em Prensa Latina

Sem Terra é assassinado em despejo na fazenda Southall

O trabalhador rural Elton Brum da Silva foi morto na manhã desta sexta-feira (21/8) em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O trabalhador, que levou um tiro no peito, foi levado por policiais da Brigada Militar que faziam o despejo da Fazenda Southall à Santa Casa do município. No entanto, os funcionários do hospital se negam a dar informações e dizem que devem ser obtidas com a polícia, que também está omitindo o fato.

O MST lamenta com pesar o ocorrido e responsabiliza os governos e a Justiça. Afinal, é de conhecimento público a truculência usada pela Brigada Militar nas ações de despejo. Mesmo assim, os poderes públicos optam por tratar as questões sociais, como a Reforma Agrária, como caso de polícia.

Assista ao VÍDEO em que os Sem Terra fazem um retrato da área onde ocorreu o despejo e da violência da Brigada Militar.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

São 872 as bases militares yankees no planeta

Tradução: Rosalvo Maciel
As sete bases militares que operariam os Estados Unidos no solo colombiano elevariam a 872 as instalações norte-americanas deste tipo em mais de 40 países do mundo, indicador que revela o reforço das pretensões hegemônicas globais da superpotência.

Tais dados foram comentados pelo especialista Chalmers Johnson, professor da Universidade de San Diego em um artigo publicado neste mês na revista Ásia Times.

Na opinião de Johnson, tal prática é desnecessária para a legitima defensa dos EE.UU., além de provocar atritos com outros países e representar o desperdício de 250 bilhões de dólares por ano, segundo cálculos registrados na publicação Foreign Policy in Focus, citada pelo especialista.

Considerou Johnson que o presidente Barack Obama não se deu conta de que os EE.UU. não têm mais a capacidade de exercer sua hegemonia global, enquanto exibe um lastimável poder econômico capenga, e a nação vive uma decadência sem precedentes.

Em tal sentido expôs três razões básicas para liquidar o império militar estadunidense: o país carece dos meios para assegurar um expansionismo exitoso, está perdendo a guerra no Afeganistão, o qual aumentará mais sua bancarrota, e a opinião pública acabará por repudiar aos políticos quando transparecer a verdade sobre o vergonhoso segredo do esbanjamento dos gastos nas bases militares. (SE)
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Original em Tribuna Popular

O triste caso de Tristan Anderson

Tristan Anderson, de nacionalidade norte-americana, foi gravemente atingido na cabeça por uma granada de gás disparada por militares israelitas, no seguimento duma manifestação pacífica contra a construção ilegal por Israel do muro do apartheid, na localidade palestina de Nilin, a 13 de Março de 2009. Continua em estado crítico, no hospital de Tel Hashomer, próximo de Tel Aviv. A 18 de Agosto, o ministro da defesa de Israel notificou o advogado de defesa da família Anderson de que se tratou dum ato de guerra, e sendo assim, pela lei israelita, o estado não tem que dar nenhuma indenização à família pelo sucedido. Note-se que as únicas pessoas armadas eram os polícias e os militares israelitas.

Várias testemunhas afirmam que Tristan Anderson foi atingido quando se encontrava a cerca de 60 metros do local onde decorrera a manifestação e estava a conversar num grupo que integrava ativistas internacionais e palestinos, horas depois da manifestação ter dispersado do local da construção do muro.

Israel foi intimada em 2004, pelo Tribunal Internacional de Justiça, a demolir o muro que continua a construir. Neste local o muro está francamente dentro de território considerado internacionalmente como palestino, roubando vários hectares de terreno agrícola. Israel é considerada como a quarta potência militar do mundo, ilegalmente nuclear, covardemente em guerra com uma população desarmada!
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Original em Tribunal Iraque

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os deputados britânicos entregam um relatório demolidor sobre o Afeganistão

“Ao fim de oito anos de presença neste país, as forças internacionais, dirigidas pela NATO desde 2003, estão longe de ter atingido os resultados pretendidos, principalmente por causa da «falta de uma estratégia coerente baseada nas realidades da história, da cultura e da política do Afeganistão», de acordo com esse relato tornado público no domingo, dia 2 de Agosto”.

Le Monde - 17.08.09

Os deputados britânicos acabam de fazer um relatório esmagador sobre a missão militar internacional no Afeganistão. Ao fim de oito anos de presença neste país, as forças internacionais, dirigidas pela NATO desde 2003, estão longe de ter atingido os resultados pretendidos, principalmente por causa da «falta de uma estratégia coerente baseada nas realidades da história, da cultura e da política do Afeganistão», de acordo com esse relato tornado público no domingo, dia 2 de Agosto.
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A comissão dos assuntos externos da câmara dos Comuns põe em causa «a importante falta de sensibilidade cultural» de alguns militares da coligação, cujos danos «serão difíceis de reparar». É de opinião que «os erros evitáveis, assim como as reações impensadas, a dispersão ou os atropelos nas tomadas de decisões tornam atualmente” a tarefa muito mais difícil. Os deputados estão preocupados sobretudo com os problemas suscitados pelo uso da força aérea pelo exército americano, sublinhando que os tiros de mísseis dos aviões telecomandados americanos sobre objetivos situados no Paquistão “comprometeram a reputação dos Estados Unidos”.
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"PLANIFICAÇÃO IRREALISTA"
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O relato lamenta também que o esforço de guerra não esteja mais bem repartido entre os vários países. A reputação da NATO enquanto aliança militar poderá ser “fortemente abalada” se não houver uma repartição mais justa do esforço, acham os seus autores, “A incapacidade de alguns dos países para contribuir para que o fardo seja repartido exerce uma tensão inaceitável sobre uma meia dúzia de países”, insistem.
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Quanto ao posicionamento britânico na província de Helmand, é prejudicado por uma “planificação irrealista ao mais alto nível” e por uma “falta de coordenação entre os serviços de Whitehall (o governo)”. Os soldados britânicos foram enviados para o Iraque para combater o terrorismo internacional, ou dedicam-se presentemente a objetivos como a luta contra o tráfico de drogas e a insurreição, sublinha o relatório que lamenta a ausência de “orientações claras” (ler também o artigo do Guardian sobre este tema).
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Este relatório foi publicado num período difícil para o governo de Gordon Brown, cuja ação no Afeganistão é fortemente criticada por causa da explosão de baixas nas fileiras britânicas. O mês mais mortífero, desde o início do conflito, para o exército britânico foi o mês de Julho, com 22 soldados mortos e numerosos feridos, recorda o site do Times.
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RECEIOS DE VIOLÊNCIAS PÓS-ELEITORAIS
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O Afeganistão assiste a um reacender da violência numa altura em que se perfilam as eleições presidenciais e provinciais a 20 de Agosto. Neste fim-de-semana foram mortos em ataques dos insurrectos, cinco soldados da NATO, dos quais três americanos e um francês. Só no sábado, foram mortos no sul e no norte do país dezenove afegãos, dos quais doze insurrectos, três polícias e quatro soldados.
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E o governo afegão receia presentemente tumultos pós-eleitorais semelhantes aos que ocorreram no Irão. “O ministério do interior reagirá com firmeza contra todos os que tentarem impor a sua vontade pelas armas (…) ao povo do Afeganistão”, foi o anunciado num comunicado difundido no domingo.
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Este texto foi publicado no diário francês Le Monde
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Tradução de Margarida Ferreira
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Publicado em odiário.info

Golpistas hondurenhos arremetem contra estudantes da ELAM

AS forças golpistas em Honduras vapularam estudantes da Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) que estão de visita nesse país e ofereciam atendimento médico a vários manifestantes feridos.

Em entrevista telefônica do México, a deputada do Partido Unificação Democrática (UD), Silvia Ayala, afirmou que os jovens foram golpeados e transladados a uma estação quando atendiam a vítimas da repressão policial em San Pedro Sula.

Alguns apresentavam várias feridas e golpes, detalhou a funcionária que chefia a resistência pacífica na segunda cidade de importância da nação centro-americana.

Os acontecimentos ocorreram quando da piora da situação ali, onde o regime de fato declarou emergência pelos fortes protestos que já completam 47 dias a favor do retorno do Estado de Direito.

Entretanto, a tensão social continua incrementando-se em Honduras após a repressão militar e a prolongação da crise desatada pelo golpe de Estado, sem solução negociada à vista, destaca a Prensa Latina.

As forças armadas e a polícia puseram em prática no dia 13 uma vasta operação para dispersar e deter os opositores que participam de marchas para exigir o retorno da ordem constitucional e do presidente, Manuel Zelaya.

A Frente Nacional contra o Golpe de Estado em vários comunicados denunciou a brutalidade das ações dos militares e policiais, entre elas maus-tratos, torturas e surras contra os detentos.
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Original em Granma

domingo, 16 de agosto de 2009

Tortura tolerada: Deputados britânicos exigem inquérito

A Comissão dos Direitos do Homem do Parlamento britânico exigiu, no dia 4, a abertura de um inquérito independente sobre a implicação do Estado nos casos de tortura.
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Os deputados britânicos sublinham que existe «um número preocupante de alegações credíveis», segundo as quais agentes de contra-espionagem do MI5 sabiam de concidadãos detidos no estrangeiro que estavam sendo sujeitos a torturas no quadro da chamada guerra contra o terrorismo.
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Denunciando «um muro de silêncio» erigido pelas autoridades, os deputados exigem a abertura de um inquérito independente e lamentam que o governo trabalhista se tenha recusado a prestar declarações sobre o assunto.
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Entre muitos casos examinados pela comissão destaca-se o de Binyam Mohammed, residente britânico desde 1994, de origem etíope, foi preso no Paquistão em 2002 e entregue pelas autoridades do país aos americanos, que o transportaram para Marrocos, depois para a base de Bagram, no Afeganistão, e finalmente para Guantánamo. Após quatro anos de detenção sem julgamento, Mohammed foi libertado e transferido para a Grã-Bretanha em 23 de Fevereiro último.
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Segundo relatou o ex-prisioneiro, as perguntas do interrogatório, a que foi submetido debaixo de tortura num local secreto de Marrocos, foram fornecidas por um agente do MI5. Estas afirmações são confirmadas por documentos oficiais revelados no dia 31 de Julho no Tribunal Supremo de Londres, onde se prova que o agente em questão, designado como «Testemunha B», viajou efetivamente três vezes para Marrocos entre 2002 e 2003 para participar nos interrogatórios do suspeito.
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Malabarismo político
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Reagindo às declarações dos deputados, o secretário de Estado do Interior, David Hanson, voltou a garantir que o seu país «não pratica, não aprova e não é cúmplice com a tortura».
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Sob pretexto de não pôr em risco a cooperação com os Estados Unidos, o governo trabalhista recusou-se sempre a abrir inquéritos, quer sobre a tortura quer sobre a utilização de aeroportos nacionais para o transporte de prisioneiros.
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Nesta linha, o Ministério do Interior defende o arquivamento do processo contra o agente do MI5. Todavia, a polícia de Londres anunciou que abriu uma investigação, considerando que o «Testemunha B» pode ser julgado por «atividades criminosas».
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Entretanto, o Sunday Telegraph, na edição de dia 9, publicou um artigo conjunto dos ministros dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, e do Interior, Alan Johnson, no qual negam energicamente as acusações de cumplicidade dos serviços secretos em maus tratos de prisioneiros, assegurando que tais práticas não têm lugar em território britânico.
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Por outro lado, os dois governantes admitem implicitamente os fatos, ressalvando que «não se pode ter o mesmo grau de segurança quando se trata de detidos por governos estrangeiros, cujas obrigações podem diferir das nossas».
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No mesmo dia, o relatório anual do Comitê dos Negócios Estrangeiros (FAC) advertiu o governo britânico que «o uso freqüente de informação obtida mediante tortura pode ser considerado legalmente como cumplicidade na violação de direitos humanos».
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Original em Avante!

Os latifúndios da informação

Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel

Na América Latina, alguns grupos e famílias poderosas controlam a mídia, fechando e bloqueando o espaço político e democrático. Uma hegemonia que os governos progressistas eleitos democraticamente querem atacar em profundidade.

No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.

A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de Estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza freqüentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura, ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando na Argentina Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria à herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?

A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga, Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo, o mesmo ocorre na Colômbia onde opera a família Santos da qual dois de seus membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010). Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.

Na Venezuela, durante o último referendum que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo contra 22% favorável ao “sim”, "não", que finalmente ganhará. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe de Estado contra o presidente Chávez em 2002. Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia à oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno aos candidatos da direita antes de apoiar ao socialdemocrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava a Evo Morales ou a Rafael Correa. Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual que pertence 85% aos grupos privados foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar as taxas de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo Mercurio no Chile em 1973, incitando e apoiando o golpe de Estado do general Pinochet.

Em resposta, Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.

Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendum popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo freqüentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.

Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição á vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em L'Humanité

sábado, 15 de agosto de 2009

OEA condena o Brasil por práticas ilegais contra MST

Adital
Traduzido por Rosalvo Maciel
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Na quinta-feira dia 6, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por escutas telefônicas ilegais ocorridas em 1999, no Paraná, contra associações de trabalhadores ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com esta sentença, as autoridades brasileiras estão obrigadas a realizar uma investigação completa e imparcial do caso, além de reparar a todas as vítimas.
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Na ocasião, a Corte Interamericana considerou que o Estado brasileiro violou o direito à vida privada, à honra e a reputação das vítimas de escutas telefônicas, assim como o direito à liberdade de associação. Além disso, afirmou que o Brasil violou as garantias judiciais e a proteção judicial ao não investigar, de maneira imparcial, os responsáveis pela divulgação das ligações telefônicas.
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A decisão foi celebrada pelas organizações e movimentos que denunciaram o caso. Para Andresa Caldas, diretora executiva de Justiça Global, a condenação se interpreta como uma "sentença emblemática", pois é a primeira vez que se trata sobre criminalização dos movimentos sociais. "A expectativa é de que, além de reparar às vítimas, (a sentença) seja um pontapé inicial para o debate da criminalização dos movimentos sociais", afirma.
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De acordo com a petição enviada à Corte Interamericana pelo MST, Justiça Global, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Terra de Diretos e Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), o caso da interceptação e monitoramentos ilegais de chamadas telefônicas "se encaixa em uma estratégia de perseguição sistemática aos sem terra, através da criminalização do movimento, da casa de dirigentes e do uso do terror nos desalojamentos.
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"Desta maneira, a OEA determinou, entre outras medidas, que o Estado deverá: indenizar as vítimas, investigar os fatos que geraram as violações, publicar a sentença no Diário Oficial e em meios de comunicação, pagar as custas processuais, e apresentar um informe do cumprimento da sentença.
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Agora, os próximos passos serão: divulgar a decisão da OEA e convocar as autoridades para uma reunião na qual se discutirá o cumprimento da decisão. Segúndo a diretora, as organizaçoes vão solicitar audiencias públicas com: Conselho Nacional de Justiça, Ministerio de Justiça e de Relaçoes Exteriores, Secretaría Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Câmara de Deputados, Governo do Paraná, e Tribunal de Justiça do Paraná para "saber como (as organizações) vão monitorar a execução da sentença".
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O episodio
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O caso "Esther e outros Versus Brasil" começou em maio de 1999, quando Waldir Copetti Neves, oficial da Polícia Militar do Paraná, pediu à juíza Elisabeth Khater autorização para interceptar chamadas telefônicas de associações ligadas ao MST. De acordo com informações de Justiça Global, a juíza autorizou o procedimento sem aplicar nenhum fundamento legal que justificasse o mesmo.
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Além das escutas ilegais, que duraram 49 dias, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná divulgou trechos descontextualizados das gravações. O material, editado de forma tal para criminalizar o Movimento, foi difundido nos meios de imprensa local e nacional. Segundo a diretora de Justiça Global, os envolvidos no processo de violação dos diretos dos trabalhadores rurais permanecem impunes.
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Publicado em Rebelión

Sobre a SIDA não tem quem escreva

Lynette Lee Corporal

A pequena presença dos principais meios de comunicação no Nono Congresso Internacional sobre SIDA na Ásia e no Pacífico e a mentalidade moralista dos jornalistas refletem as dificuldades que apresenta a cobertura midiática da pandemia, segundo analistas na reunião.

A ausência dos principais meios de comunicação à maior conferencia da Ásia sobre a pandemia expressa o fracasso estrondoso do quarto poder em seu desempenho como uma boa fonte de informação, assinala Trevor Cullen, diretor de jornalismo da Universidade Edith Cowan, da Austrália.

“O problema é que há muito poucos jornalistas dos principais meios presentes no congresso. Oitenta por cento da população não recebe as noticias das revistas especializadas nem dos informativos de investigação, às obtém dos meios”, assegurou Cowan em uma sessão sobre a cobertura que fazem os meios sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da enfermidade que causa, a SIDA.

O Congresso, que começou no domingo dia 9, realizou mais de 100 sessões até quinta-feira 13, mas só uma sobre os meios. Isso “não é nada bom”, sustentou Cowan.

“É lamentável que só se tenha realizado uma pequena sessão neste congresso internacional de mais de 3.000 pessoas”, declarou Cullen frente à trinta presentes na sala, um número que logo caiu a menos de 20.

Cullen, que investiga a cobertura jornalística sobre a SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida) há 12 anos, criticou a “falta de imaginação e iniciativa” dos principais meios. “Na Austrália, por exemplo, não se vêm noticias sobre HIV/SIDA a menos que sejam absolutamente sensacionais”, completou.

Em meados dos anos 90, ou mais de uma década depois de que se registraram os primeiros casos de HIV, o HIV/SIDA já se havia convertido “em uma noticias a mais entre as de saúde”, garantiu.

Michael Tan, colunista do diário filipino em inglês Philippine Daily Inquirer e presidente do departamento de antropologia da Universidade das Filipinas, também se referiu à interpretação que fazem os meios de comunicação sobre a pandemia.

“O problema já não é o uso de um vocabulário adequado. Os jornalistas sabem como ser politicamente corretos nestes dias, mas seguem utilizando a mesma mentalidade moralista” assegurou, em referencia específica ao caso das Filipinas.

“Fará falta mais do que palavras para reformular suas mentalidades sobre gênero e sexualidade”, disse Tan em uma conferencia de imprensa na terça-feira. Rosalia Sciortino, professora adjunta da Universidade de Mahidol na Tailândia, lamentou o pequeno número de jornalistas na conferencia imprensa, em uma sessão plenária sobre as desigualdades sociais que fomentam a expansão do HIV.

As autoridades do congresso organizaram mais discussões em torno de temas associados aos aspectos biomédicos para criar consciência pública sobre os contextos sociais que negam aos grupos mais vulneráveis a assistência que necessitam.

“Também queríamos concentrar-nos na dinâmica do poder” em torno do HIV/SIDA, disse Sciortino. Os meios de comunicação cobrem com demasiada freqüência o HIV como um tema de saúde, quando é muito mais do que um fato médico, científico ou sanitário, acrescentou.

Cullen manifestou que os meios de comunicação “omitiram os por que e os como” em sua cobertura do HIV/SIDA.

Se os meios de comunicação não interatuam de maneira significativa com a temática, a situação seguirá perpetuando-se, sustentou Imelda Salajan, consultora de meios de comunicação da organização não governamental (ONG) On Track Media, com sede em Jacarta.

“A divulgação do tema deveria ser prioritária. Mas na verdade, os doadores dispensam muito pouco orçamento para a divulgação. Isto não deve ser algo puntual. Os meios de comunicação devem pensar em uma estratégia de longo prazo, e existem formas criativas de fazê-lo”, afirmou.

Syed Qamar Abbas, administrador do programa de controle da SIDA da província de Sindh, Paquistão, sugere o uso de ferramentas criativas para chegar ao público. “Os métodos inovadores, como os filmes para televisão, são eficazes para mudar as atitudes e os estilos de vida”, assegurou.

“Em nossa investigação, descobrimos que este tipo de filmes tem um impacto 30 por cento maior que a forma tradicional de apresentar as noticias ou os temas”, acrescentou.

Por outra parte, representantes de rádios comunitárias e por cabo apresentaram resultados positivos nos esforços para criar consciência sobre HIV/SIDA.

Nalamdana (”Estás bem?” em tâmil) é uma ONG que realiza um popular programa de radio por cabo em um hospital público de Tâmil Nadu, estado do sul da Índia. O programa pretende criar consciência e reduzir o estigma das mulheres submetidas ao tratamento anti-retroviral no hospital.

“Percebemos uma resposta positiva das mulheres no hospital”, assinalou o diretor do projeto Nalamdana, R Jeevanandham.

“Empregamos o radio por cabo para tratar a depressão das mulheres e permitir-lhes o acesso ao assessoramento especial. Também enviamos mensagens através de canções e obras dramáticas que abordam temas de HIV/SIDA”, disse, e acrescentou que há conselheiros disponíveis para discutir a enfermidade no ar.

Mas tratar o HIV/SIDA nos meios de comunicação alternativos como a radio comunitária nem sempre é fácil, devido aos mesmos fatores culturais e religiosos que limitam a discussão pública sobre a pandemia.

“Ainda há muita gente, sobre tudo no meio rural, com escasso ou nulo conhecimento sobre o HIV/SIDA. As comunidades estão presas pela moralidade e pela religião. Por isso nunca segue adiante a discussão. Persistem as duvidas e os temores de romper com as tradições culturais e discutir temas que são tabus”, disse Dina Listiorini, da Universidade Atma Jaya, de Yogyakarta, Indonésia.
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Original em Ipsnoticias.net

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Globo se alia aos EUA por bases americanas e contra pré-sal

Por Mário Augusto Jakobskind

A TV Globo mais uma vez deu o ar de sua graça subserviente quando da passagem pelo Brasil do general James Jones, assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama. O âncora de um dos jornais da emissora, Wiliam Wack, fez uma entrevista do gênero convescote para o militar mostrar que os Estados Unidos estão muito a fim das riquezas petrolíferas do pré-sal e com “toda generosidade” (na visão da Globo, claro) oferecer “armas de última geração” para as desequipadas Forças Armadas brasileiras.

De quebra, o entrevistador levantou a bola para o general justificar as bases militares estadunidenses que estão sendo instaladas na Colômbia, embora Obama um dia depois tenha dito que não assinou autorização nesse sentido. Waack ainda por cima aproveitou a oportunidade para reforçar a cruzada anti-Hugo Chávez que a mídia hegemônica desencadeia diariamente.

Com base em informações totalmente manipuladas, os meios de comunicação conservadores e o governo colombiano tentam de todas as formas vincular armas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com a República Bolivariana da Venezuela. Armas compradas da Suécia há 20 anos, ou seja, dez anos antes da ascensão de Chávez e que foram parar no arraial do grupo insurgente colombiano depois de terem sido roubadas em um posto fronteiriço da Venezuela com a Colômbia em 1995, segundo informou o governo venezuelano.

O esquema lavagem cerebral faz lembrar os meses que antecederam a invasão e ocupação do Iraque, em 2003, quando o governo do então presidente George W. Bush pregava uma mentira deslavada sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que serviram de justificativa para a ação militar desencadeada pelo Pentágono. Agora até Israel entrou na história para mentir sobre a presença do Hezbollah na Venezuela.

Imaginava-se inicialmente que o governo do presidente Barack Obama adotaria na América Latina uma política diferenciada em relação ao famigerado W. Bush, mas com o passar do tempo parece que não há nada de novo no front, a não ser uma retórica mais light.

O governo brasileiro, que sem dúvida deve estar sendo pressionado pelos abutres de sempre, nacionais e estrangeiros, tem tido uma posição de destaque na área externa, inclusive demonstrando preocupação com a intensificação da presença militar estadunidense na Colômbia através de sete bases que estão sendo criadas.

Já o governo Barack Obama justifica, na palavra do general James Jones, que as bases militares na Colômbia servirão apenas para intensificar o combate ao narcotráfico, quando se sabe que a movimentação existe porque há consumo, em maior grau nos Estados Unidos. Aliás, a demanda por lá cresce e ainda por cima quando o governo anuncia maior combate ao narcotráfico.

O general ajudado pela TV Globo para dar o recado garantiu que as bases militares estadunidenses na Colômbia não afetarão a soberania de ninguém. Quem garante? Historicamente, garantias como a do general sempre foram letras mortas. Talvez só mesmo os editores da Globo e de outras mídias conservadoras acreditam.

No mesmo diapasão, ou seja, desta feita no sentido de desconstruir o que vem sendo pouco a pouco construído em matéria de TV pública, os jornalões de sempre investem furiosamente contra a TV Brasil. A Folha de S.Paulo, por exemplo, foi mais audaz de todos ao pedir pura e simplesmente o fechamento da emissora pública sob o falso argumento de que a mesma tem baixa audiência.

Não é por causa disso que os editores dos jornalões condenam a existência da TV Brasil, que por pior audiência que tenha, e isso é discutível, está próxima de muitos órgãos de imprensa. Para se ter uma ideia, segundo os critérios do Ibope, só no Rio de Janeiro em dia ruim a audiência do noticiário jornalístico das 21 horas atinge 200 mil telespectadores.

A contagem abrange apenas os que estão sintonizados na TV aberta — e não os que assinam sistemas de cabo e assim sucessivamente. E isso, vale lembrar, em um ano e meio de funcionamento da emissora.

Quanto aos jornalões, alguns deles centenários, como O Estado de S. Paulo, a venda alcança 215 mil exemplares diários, a Folha de S. Paulo, nas mãos dos Frias desde 1962, chega a 296 mil diários. A Folha de S. Paulo, jornal que se diz “a serviço do Brasil” (resta saber que Brasil), no início do ano 2000 vendia um milhão de exemplares diários. O maior jornal carioca, o octogenário O Globo, segundo aferições confiáveis, vende diariamente 260 mil exemplares.

Não é que a TV Brasil possa ser considerada um canal ideal, mas, mesmo com todas as suas limitações, já oferece alternativas para um público cansado das emissoras tradicionais que repetem em seu jornalismo o mais do mesmo, como tem acontecido, sobretudo em relação às informações relativas aos países da América Latina.

É isso aí, os setores conservadores midiáticos estão preocupados e se sentem incomodados com a TV Brasil. Daí investirem, agora furiosamente, contra uma emissora pública que tem uma proposta diferenciada.
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Original em Pátria Latina

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cidades de tendas nos EUA

A economia em fase terminal
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por Paul Craig Roberts [*]
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Cidades de tendas brotando por todos os EUA estão enchendo-se com os desempregados e sem-abrigo resultantes da pior crise econômica desde os anos 30. Enquanto os norte-americanos vivem em tendas, o governo Obama embarca num programa de construção de uma mega-embaixada de um bilhão de dólares em Islamabad, no Paquistão, para rivalizar com aquela construída pelo governo Bush em Bagdá.
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Momentos difíceis afligem os estadunidenses desde há tanto tempo que até a extensão dos benefícios de desemprego de 6 para 18 meses em 24 estados com elevado nível de desemprego, e de 46 para 72 semanas em outros estados, começa a acabar. Na altura do Natal 1,5 milhões de americanos terão esgotado os seus subsídios de desemprego, enquanto este continua a aumentar.
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No meio desta crise econômica em agravamento, a Casa dos Representantes acaba de aprovar um orçamento de "defesa" de 636 bilhões de dólares.
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De quem se defendendo os Estados Unidos? Os norte-americanos não têm inimigos exceto aqueles que o seu governo se esforça ininterruptamente por criar, através de bombardeamentos e invasões de países que não constituem qualquer ameaça aos EUA ou cercando outros – como a Rússia – com bases militares ameaçadoras.
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As guerras dos EUA são forçadas para atender à máquina de lavagem de dinheiro: dos contribuintes e de credores estrangeiros para a indústria de armamento e para as contribuições para campanhas políticas que assegurem a aprovação de orçamentos de "defesa" de 636 bilhões de dólares.
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O presidente George W. Bush arranjou guerras no Iraque e no Afeganistão baseadas inteiramente em mentiras e desinformações. Mas Obama suplantou Bush, começando uma guerra no Paquistão sem qualquer explicação.
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Se a indústria de armamento e os SS neoconservadores levarem a sua avante, os Estados Unidos estarão em breve também em guerra com o Irão, Rússia, Sudão e Coréia do Norte.
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No entanto, os EUA continuam a ser avassalados, como ocorre há décadas, não por inimigos armados estrangeiros e sim por imigrantes ilegais que atravessam as suas fronteiras.
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É prova dos tempos Orwellianos em que vivemos que 636 bilhões de dólares usados para guerras de agressão sejam chamados de "orçamento de defesa".
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Quem pagará tudo isto? Quando os países estrangeiros tiverem gasto os seus excedentes comerciais e não tiverem mais dólares para reciclar na compra de títulos do Tesouro, quando os bancos estadunidenses tiverem gasto todo o dinheiro do seu salvamento ("bailout") na compra de títulos do Tesouro, e quando a Reserva Federal não puder imprimir mais dinheiro para manter o governo funcionando sem aumentar a inflação e as taxas de juros, o contribuinte será tudo o que resta. Os dois principais conselheiros econômicos de Obama, Timothy Geithner, secretário do Tesouro e Larry Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional, já acenam com a perspectiva de um aumento de impostos para a classe média. Será Obama manobrado para longe das suas promessas como ocorreu com Bush sênior?
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EMPREGOS EM TOPLESS
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Verão os norte-americanos a desconexão entre os seus interesses e os interesses do "seu" governo? Na pequena cidade de Vassalboro, no Maine, uma oferta de trabalho como empregada de mesa em topless num café atraiu mais 150 candidatas. As mulheres nesta pequena cidade estão tão desesperadas por empregos que foram reduzidas a despir-se para entretenimento dos seus vizinhos.
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No entanto, o governo Obama vai arrumar o Afeganistão e o Paquistão e construir palácios de mármore para espantar os habitantes locais do outro lado do mundo.
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O governo dos EUA continua a repetir "recuperação" da mesma maneira que Bush repetia "ameaça terrorista" e "armas de destruição em massa". A recuperação não é mais real que o eram as ameaças. De fato, é possível que o colapso econômico mal tenha começado. Vejamos o que se pode esperar aqui nos EUA enquanto o seu governo busca a hegemonia no exterior.
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A crise do imobiliário não acabou. Mais execuções de hipotecas são de esperar enquanto o desemprego aumenta e a proteção dos desempregos se esgotam. A crise comercial do imobiliário ainda não chegou. Vêm a caminho mais salvamentos, que terão de ser financiados por mais dívida ou criação de moeda. Se não houver compradores suficientes para os títulos do Tesouro, o Federal Reserve terá de comprá-los criando contas à ordem para o Tesouro, isto é, pela monetarização de dívida ou impressão de dinheiro.
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Mais dívida e criação de moeda colocará mais pressão sobre o valor de troca do dólar americano. A partir de certa altura os preços das importações, que incluem bens e serviços em offshores de empresas estadunidenses, aumentarão, contribuindo para aumentar a inflação já alimentada pela criação interna de moeda. O Federal Reserve será incapaz de manter as taxas de juro baixas pela compra de títulos.
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Parte alguma da política econômica dos EUA aborda a crise sistêmica nos rendimentos estadunidenses. Para a maioria dos cidadãos os rendimentos reais cessaram de crescer há anos. Os estadunidenses substituíram esta falta de aumento nos rendimentos por segundos empregos e acumulação de dívida devido à falta de crescimento dos salários reais. Com a maioria das famílias esmagada por dívidas e com empregos desaparecendo, estes substitutos para um crescimento real dos rendimentos simplesmente já não existem.
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A política econômica Bush-Obama na verdade piora a crise sistêmica que o dólar americano enfrenta enquanto divisa de reserva. O fato de não haver alternativa ao dólar como divisa de reserva não garante que este se mantenha nesse papel. É possível que os países comecem a achar menos arriscado realizar transações comerciais com as suas próprias divisas.
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Como é que uma economia fortemente baseada em gastos dos consumidores recupera quando tantos empregos de valor acrescentado, o PIB e as receitas fiscais associadas sobre as folhas de pagamentos, foram levados para o exterior e quando os consumidores não têm mais bens com que alavancar um aumento dos seus gastos?
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Como é que os EUA pagarão as suas importações se o dólar não for mais usado como divisa de reserva? Estas são as questões não respondidas.
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[*] Ex-assistente do secretário do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions .
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O original encontra-se em counter punch. Tradução de JC.
Este artigo encontra-se em resistir.info.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Como se dar um tiro no pé

por Max Lesnik
Traduzido por
Rosalvo Maciel

O Golpe de Estado em Honduras contra o Presidente constitucional Manuel Zelaya tem implicações que vão além da destituição arbitraria de um mandatário eleito democraticamente pelo povo de seu cargo para converter-se em um ato que afeta a todas as nações do continente americano e que põe em perigo de morte à OEA, um instrumento diplomático que desde sua fundação em 1948 muito tem servido aos interesses da política externa norte-americana.

De maneira que se o Presidente Zelaya não for reconduzido à presidência de seu país, tal como o vem exigindo a OEA o futuro dessa organização interamericana terá seus dias contados. Para ninguém é segredo que a chamada «Mediação» do Presidente da Costa Rica Oscar Arias é uma manobra orquestrada no Departamento de Estado norte-americano com o intencional propósito de tirar a liderança do Secretario Geral da OEA Miguel Insulza, ao assumir que a posição deste no tema de Honduras, de triunfar sua proposta devolveria o poder ao Presidente Zelaya incondicionalmente, algo que certamente não era o desejo de Washington.

Em outras palavras: para a Secretária de Estado Hillary Clinton, um retorno de Zelaya ao poder sem condições, seria uma vitoria para o Presidente Chávez, o Grupo da Alba e a esquerda latino-americana.

Isso deveria se evitar a todo o custo, ainda que com o risco de que se fracassasse o plano de Arias e Zelaya não retornasse ao governo com seus poderes limitados, a OEA, por incompetente também fosse acabar no lixo da historia.

A consolidação dos golpistas em Honduras será não só um revés para a democracia na América como também um tiro de misericórdia na OEA e como tal uma franca derrota da diplomacia norte-americana.

Em outras palavras: será o primeiro fracasso diplomático do Presidente Barack Obama.

Original em Voltairenet.org

domingo, 9 de agosto de 2009

Exploração indigna: Itália escraviza imigrantes

Milhares de imigrantes vivem em condições próximas da escravatura, segundo um estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM), divulgado no dia 28.

O documento apresentado pelo organismo intergovernamental com sede em Genebra descreve as condições desumanas em que vivem cerca de 1200 pessoas no centro de reagrupamento, situado perto de San Nicola Varco, no Sul de Nápoles.

Neste acampamento de barracas miseráveis, sem água corrente ou eletricidade e rodeadas de lixo, a maioria dos residentes são jovens de origem marroquina. Todos foram para Itália ao abrigo de um programa do Governo como trabalhadores sazonais.

Muitos destes imigrantes pagaram até oito mil euros aos intermediários no seu país de origem em troca de uma promessa de emprego sazonal. Todavia, uma vez chegados, aperceberam-se de que os supostos empregadores tinham desaparecido ou que afinal não desejavam contratá-los, impossibilitando-os de obter a preciosa autorização de trabalho.

Forçados a uma situação de ilegalidade, tornaram-se vítimas da mais vil exploração, recebendo entre 15 a 25 euros por 12 horas de trabalho diário, sem contrato, nas estufas e explorações agrícolas da região. Além disso, ainda lhes são descontados três euros pela água que precisam para suportar os trabalhos mais penosos sob a abrasadora canícula.

Emergência Humanitária

Nas palavras do representante da OIM em Itália, Flavio Di Giacomo, trata-se de uma «emergência humanitária uma vez que estas pessoas vivem, em condições insuportáveis. Recebem salários muito abaixo do mínimo legal, é uma forma de escravatura».

O campo de San Nicola Varco não é o único do gênero. Há muitos outros, tanto no Mezzogiorno (Sul) como no próspero Norte de Itália, afirmou Giacomo, garantindo que «esta situação afeta milhares e milhares de imigrantes».

Todos os anos, a Itália fixa uma quota de trabalhadores imigrantes autorizados a entrar no país para trabalhos sazonais na agricultura. Contudo, apesar desta cobertura legal que os devia proteger, a grande maioria vê-se obrigada a trabalhar sem contrato. Segundo as estatísticas oficiais, o trabalho não declarado na agricultura representa entre 15,9 e 17,6 por cento do Produto Interno Bruto.
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Original em Avante!

Golpistas saqueiam Honduras: Já desapareceram US$250 milhões do banco central

por Alejandro Casco
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Os golpistas, nos 40 dias em que se apropriaram do poder a ponta de baionetas, já saquearam as reservas do Estado em cerca de 250 milhões de dólares.
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O fato foi confirmado pelo ex-presidente do Banco Central, Edwin Araque, que na quarta-feira 5 de Agosto concedeu uma entrevista ao jornalista David Romero Ellner, da Rádio Globo. A mesma estação informou que os ministros fiéis ao presidente constitucional da República, Manuel Zelaya Rosales, reuniram-se clandestinamente.
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Edwin Araque precisou que antes de se verificar o golpe de Estado as reservas no Banco Central ascendiam a US$2,5 mil milhões, mas no período que se seguiu ao assalto ao governo elas diminuíram para US$2,25 mil milhões.
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Diante do exposto, verifica-se que o objetivo dos golpistas – além de usurpar o poder – é também saquear os cofres do Estado. Eles compreendem que em Honduras nenhum corrupto é castigado porque os organismos controladores são elefantes brancos.
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Tudo indica que, diante do seu isolamento internacional, os golpistas que se apoderaram de cargos nos ministérios do governo de fato começaram a apropriar-se de recursos pertencentes ao Estado.
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É evidente que nenhuma pessoa honesta, ainda que com idéias conservadoras, presta-se a servir um regime espúrio. Com o repúdio internacional e interno, as pessoas que ocuparam tais cargos procuram enriquecer-se enquanto ocupam uma posição no governo.
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Diante de tal situação, a Resistência Nacional deve permanecer vigilante para que estes golpistas corruptos prestem contas das somas multimilionárias de lempiras do Estado de que se apropriaram.
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Original em Resistir

EXÉRCITO DESMORALIZADO RECEBE ORDENS DE PAISANO!

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Congreso Nacional
Presidencia
República de Honduras, C.A.
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25 de junio 2009
General
VASQUEZ VELASQUEZ
Su Despacho

Estimado General
Romeo Vasquez Velasquez
Jefe FF.AA.
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Respetuosamente me dirijo a usted con el fin de saludarle y al mismo tiempo recordarle la Misión a realizar el 28 de junio ya que la instituición que usted preside ha sido llamada a defender nuestra CONSTITUICION y la patria y cada uno de los hondureños se lo agradecerán Ya que esas personas que dicen ser hondureños que quieren cambiar nuestra constituición no merecen estar en este pais, violando nuestra constituición y vendendo nuestra patria.
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Agradeciendo de antemano su fina atención a la presente me suscribo a usted.
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Atentamente,
.......................................................ROBERTO MICHELETTI BAIN
...............................................................Presidente


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Resistência contra o golpe de Estado mantém Honduras paralisada

Traduzido por Rosalvo Maciel
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Neste sábado, a Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado em Honduras completou seu 42° dias em pé de guerra, com a paralisação dos setores mais importantes do país, como a saúde, a educação e o fechamento de aeroportos, apos a ruptura da ordem constitucional pela expulsão do presidente Manuel Zelaya.
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Segundo a informação de Arturo Cano, os quatro aeroportos mais importantes do país tiveram que ser fechados, uma vez que 95 técnicos e operadores se somaram à resistência.
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O dirigente da Associação Nacional de Meteorologistas, Ramón García, afirmou que "fomos a uma greve por tempo indeterminado exigindo o restabelecimento do sistema democrático que foi interrompido pelo golpe de Estado".

.Ainda que as autoridades digam que se trata só de uma greve parcial, a empresa aérea TACA anunciou a suspensão de seus vôos nacionais e internacionais. Os trabalhadores da Empresa Nacional de Energia Elétrica também se somam à greve.
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"Enquanto isso os hospitais públicos completam quatro dias em greve, com tudo e as epidemias de dengue e gripe A (H1N1), os professores completam uma semana a mais sem trabalhar para exigir a restituição do presidente Manuel Zelaya", detalha Cano em seu depoimento.
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Tegucigalpa, capital de Honduras e uma das zonas com mais casos de influenza A (H1N1), obrigaram a paralisar as atividades das escolas privadas e as poucas públicas que ainda se mantinham em atividade.
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Não renunciar á consulta popular
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Por sua vez, o líder camponês Rafael Alegría, expressou que "não estamos de acordo em que em San José se mantenha a negativa à convocação a uma Assembléia Nacional Constituinte", manifestando assim a principal objeção do movimento de resistência ao Acordo de San José.
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Alegría disse que essas caminhadas, com as quais esperam reunir 100 mil pessoas em ambas as cidades, serão contundentes, porque a resistência está empenhada em apertar para impedir que triunfe a estratégia dos golpistas, que é trazer ao presidente Zelaya à última hora, só para que legitime as eleições.
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Por outro lado, um dos principais dirigentes do movimento, Juan Barahona, afirmou que "a resistência popular contra o golpe de Estado de 28 de junho passado se fortalece e continua crescendo".
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No entanto, neste sábado continuarão seu caminho até a capital e San Pedro Sula, a 250 quilômetros ao norte, os participantes da Marcha Nacional de Resistência Popular, apos passar a noite em comunidades campesinas e povoadas.
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Informes enviados por telefone pelos participantes à emissora Radio Globo, a única que não pode ser calada pelo governo golpista, indicam que no caminho recebem a solidariedade da população, a qual lhes ha dado água, alimentos, roupas, sapatos e alojamento.
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Original em teleSUR

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